Qual a melhor passata de tomates?

GastronomiaQual a melhor passata de tomates?

No vidro, parece tudo igual. A pouca diferença na aparência não justifica a variação de preço, certo? Errado… A passata de tomate tem conquistado cada vez mais espaço nas prateleiras dos supermercados. Um produto prático, feito com tomates e sal, mas que tem lá suas peculiaridades…

O time de especialistas convidado para mais um teste às cegas de Paladar apontou diferenças gritantes entre os 15 produtos avaliados. Seja no sabor, a maioria deles muito artificial. Na textura muito líquida ou densa demais. Ou na aparência: boa parte dos produtos parecia mais catchup do que passata. A boa notícia é que tem coisa boa no mercado. E também que vamos dar todas as dicas para você escolher um bom produto na sua próxima compra.

Diferenças de textura, cor e sabor foram avaliadas pelos jurados Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Primeiramente, os fatos. Passata de tomate é a polpa do tomate peneirada acrescida ou não de sal. Algumas marcas temperam o produto, outras oferecem o mais puro “creme” do tomate para você preparar a sua maneira. Aparentemente, parece um produto tão “puro” quanto os tomates pelados que já adotamos há tempos na cozinha em nome da praticidade. Só que não. Muitas marcas acrescentam aditivos que denunciam à primeira colherada um produto bastante industrializado, de sabor e coloração artificiais.

A conclusão é do time de especialistas composto por Pedro Casarin @pedrinhocasarin, chef da Pizza do Quintal @pizzariadoquintal, Daniel de Souza Cunha @danieldesouzacunha, sous-chef do Grotta Cucina @grottacucina, Sílvia Percussi, chef e proprietária da Vinheria Percussi @vinheriapercussi, Alexandre Villela @badarocozinheiro, chef do Bar Sardosa @sardosabar, e Marcelo Martino de Almeida @chefmarcelomartino, chef do Timo Cucina @timocucina.

As tampinhas revelam muito sobre cada produto: fuja das que apresentam aspecto ressecado e coloração muito escura, lembrando catchup Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Juntos, eles provaram às cegas 15 marcas de passata de tomate e se surpreenderam com a diversidade dos produtos. Silvia Percussi apontou a textura como uma das diferenças mais gritantes entre as marcas avaliadas. Ao final do teste, quando são reveladas marcas e exibidos os rótulos aos jurados, ela deu a dica: “O interior da tampinha revela de cara os melhores e os piores produtos, fuja dos que apresentam aspecto ressecado na tampa ou têm uma coloração muito escura, lembrado a cor do catchup”.

Molho All’amatriciana

O chef Alexandre Villela ficou desapontado com a quantidade de marcas com sabor industrializado. Os bons produtos foram aqueles que conseguiram aliar sabor de tomate fresco, fluidez e um bom equilíbrio entre acidez e dulçor.

Conheça o regulamento do Paladar Testou

Em todas as provas realizadas por Paladar, a reportagem faz um levantamento das marcas disponíveis no mercado. E, nos dias anteriores ao teste, as amostras são adquiridas* em grandes redes de supermercado e empórios da capital paulista. No caso de produtos artesanais, eles são comprados nas lojas on-line das próprias marcas de forma anônima.

Os jurados avaliaram às cegas cada um dos produtos e se serviram a partir das embalagens originais, devidamente camufladas para o teste Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Ou seja, em ambos os casos, as marcas não sabem que seus produtos serão submetidos a uma degustação às cegas. O Paladar Testou é uma iniciativa 100% editorial. Além disso, o júri também não tem conhecimento de quais marcas fazem parte da seleção antes do resultado da apuração.

Leia na íntegra o regulamento do Paladar Testou 2026

*Preços apurados na primeira quinzena de julho de 2026

O teste foi realizado no recém-inagurado Bar Sardosa, na Vila Madalena. Entre goles de água e colheradas nos vidros de passata de tomate, os jurados tiveram a oportunidade de avaliar se estamos bem ou mal servidos do produto no mercado.

Pedro Casarin, chef da Pizzaria no Quintal, Daniel de Souza Cunha, sous-chef do Grotta Cucina, Sílvia Percussi, chef e proprietária da Vinheria Percussi, Alexandre Villela, chef do Bar Sardosa, e Marcelo Martino de Almeida, chef do Timo Cucina Foto: Tiago Queiroz/Estadão

A resposta é: mais ou menos. A maioria das marcas, quase todas importadas da Itália, deixou os jurados desapontados. As que se sobressaíram no teste, contudo, podem sim ser usadas quando a ideia é garantir sabor genuíno e praticidade no preparo de pratos como lasanhas e carnes que pedem a companhia de um molho mais lisinho e encorpado.

Receita de Creme de Tomate

Na hora de escolher a sua passata favorita, também vale ler o rótulo e seguir a máxima do “quanto menos ingredientes, melhor”. Abaixo você confere as passatas melhor avaliadas pelos especialistas e, na sequência, a lista completa dos produtos avaliados neste Paladar Testou.

Passatas que entraram no ranking das melhores

Sabor interessante e levemente adocicado rendeu o Selo Ouro à passata da De Cecco Foto: Tiago Queiroz

De Cecco (R$ 34,99, 700 g)

A primeirona no ranking deste Paladar Testou apresentou “um sabor bem interessante, levemente adocicado”, escreveu um integrante do júri. Coloração bem natural, de produto fresco e textura fluida foram outros atributos positivos ao produto da marca.

Equilibrada e fresca foram algumas das qualidades da passata que ocupa o segundo lugar no nosso ranking Foto: Tiago Queiroz

Frentano (R$ 23,98, 535 g)

A passata orgânica, que conquistou o segundo lugar no ranking, apresentou sabor equilibrado e bastante fresco, além de uma agradável textura fluida. Foi para o pódio com louvor.

Bom equilíbrio entre dulçor e acidez rendeu ao produto da Uniagro o Selo Bronze Foto: Tiago Queiroz

Uniagro (R$ 17,98, 680 g)

O produto que conquistou o selo bronze no nosso teste às cegas apresentou bom equilíbrio entre dulçor e acidez. A textura agradável e a coloração vibrante, remetendo a um produto mais natural, também agradaram nosso time de especialistas.

As demais marcas na avaliação do júri, em ordem alfabética

As 15 marcas avaliadas no teste às cegas Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Cirio (R$ 19,99, 700 g)

“Aguado, amargo e ácido demais”, descreveu um dos jurados. Aparência de catchup também não ajudou na avaliação.

Colavita (R$ 21,99, 680 g)

Aparência da passata da marca não agradou, muito escura, lembrou mais catchup do que passata. A textura também foi avaliada com “firme demais, talvez pelo excesso de espessante”, escreveu um dos jurados. Um pouco de amargor também foi identificado durante a avaliação às cegas.

Costazzurra (R4 15,99, 690 g)

O produto da marca foi avaliado como “muito aguado”, apresentou um certo amargor e acidez elevados na boca e sabor artificial. “Parece molho de tomates industrializado”, escreveu um dos jurados.

Di Salerno (R$ 18,98, 680 g)

A aparência distante da cor esperada para uma passata de tomates foi o primeiro ponto negativo apontado pelo júri. Que também avaliou o produto como ralo e com sabor artificial.

Divella (R$ 26,98, 680 g)

O sabor evidente de produto industrializado desagradou de cara. O aspecto grosseiro do produto e o fato de ser adocicado em excesso também não contribuiu para uma melhor avaliação por parte do júri.

Don Ravello (R$ 19,98, 680 g)

Sabor suave, textura de purê de tomates e aparência de catchup foram alguns dos pontos levantados pelo júri durante a avaliação às cegas.

La Molisana (R$ 22,98, 690 g)

“Um produto de sabor ácido, bastante espesso e sabor razoável”, nas palavras do júri.

La Pastina (R$ 22,99, 680 g)

“A textura lembrou mais um extrato de tomate do que passata”, atestou um dos jurados. O sabor de tomate cozido deixou a desejar no quesito “frescor”, esperado para um produto da categoria.

Mutti (R$ 27,99, 400 g)

O produto da marca apresentou excesso de sal, sabor artificial e bastante ácido. A cor vermelho intenso também não agradou os especialistas.

Nor (R$ 16,99, 680 g)

Sabor evidente de produto industrializado, muito ácido, muito adocicado e aroma praticamente zerado foram alguns dos atributos ao produto nas palavras do time de jurados.

Paganini (R$ 18,99, 690 g)

“Um produto com sabor de industrializado, excessivamente doce e sem frescor algum”, nas palavras do júri. A textura de molho de tomate de saquinho também deixou a desejar.

Pomarola (R$ 22,98, 700 g)

A passata poderia ser mais encorpada na opinião dos jurados. O sabor artificial, a ausência de frescor e o fato de ser muito doce foram outros atributos identificados durante a avaliação.

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Time de jurados avaliou 8 marcas do produto conservado em óleo comestível. Crédito: Estadão

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