Efeito Mounjaro: seis em cada dez restaurantes sentiram impacto
Pesquisa inédita mostra que público reduziu prato principal, bebe menos álcool e divide a sobremesa. Crédito: edição: Joaquim Macruz
As chamadas “canetas emagrecedoras” mudaram a relação de muita gente com a comida. O sorvete, no entanto, parece ter encontrado uma maneira de permanecer no cardápio, ainda que com novas prioridades. Uma pesquisa inédita da Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (ABRASORVETE), em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), mostra que o consumo per capita da sobremesa chegou a 8,68 litros por ano no Brasil, um crescimento de 13% em relação aos 7,7 litros registrados há dois anos.
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O levantamento ouviu 2.500 pessoas em todo o país e investigou, entre outros aspectos, como as mudanças nos hábitos alimentares têm afetado o mercado de sorvetes. Cerca de 30% dos entrevistados disseram usar ou já ter usado medicamentos do tipo. Entre os usuários atuais, 54,1% afirmaram ter diminuído o volume ou o tamanho das porções.
A frequência, porém, conta outra história: 11,2% dizem tomar sorvete todos os dias, contra 2,5% entre os que não usam os medicamentos.
“O que surpreende é que o usuário dessas canetinhas não abandonou o sorvete, ele se tornou um consumidor heavy user e exigente”, afirma Márcio Favaro, presidente da ABRASORVETE.
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A projeção de queda do consumo de doces estava centrada em como agem essas medicações. Com o apetite reduzido, porções menores e novas preocupações com açúcar e proteína passaram a fazer parte da rotina de quem usa medicamentos da classe GLP-1.
Menos quantidade, mais escolha pelo sorvete
Se a porção diminuiu para uma parcela dos consumidores, a atenção ao que está no rótulo aumentou. Entre os usuários de GLP-1, 40,5% procuram sorvetes sem açúcar e 36,2% preferem versões com mais proteína.
A pesquisa sugere, porém, que a mudança não se resume ao universo das “canetas”. O consumidor de sorvete também parece disposto a trocar quantidade por uma experiência considerada melhor. Quase três quartos dos entrevistados, 73,7%, afirmaram que pagariam mais por um produto gourmet ou artesanal. A produção artesanal é apontada por 55% como justificativa para um preço maior, enquanto 49,5% citam ingredientes importados ou de origem específica.

Sorvete Grama, com suspiros e calda de chocolate, da Grama, na Vila Madalena. Foto: Helena Rubano/Divulgação
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Na busca por opções associadas a uma alimentação mais equilibrada, ingredientes naturais aparecem à frente das restrições alimentares. Para 40,4% dos entrevistados, a presença de ingredientes naturais aumentaria a propensão de compra; 34,8% demonstram interesse por produtos ricos em proteína.
“Vemos hoje uma busca muito mais clara por valor e qualidade do que por quantidade. No fim, quem dita o estilo vencedor é a experiência sensorial”, diz Favaro.
O sabor é quem manda, mesmo na onda dos sorvetes proteicos e fitness
Apesar da crescente oferta de versões artesanais, proteicas e sem açúcar, há algo mais simples que continua decidindo a compra: o prazer de tomar sorvete. Para 62,6% dos entrevistados, o sabor é o principal critério na escolha de um sorvete. O preço aparece em segundo lugar, com 15,6%, e a marca, isoladamente, é determinante para 5,2%.
A relação com a marca também se mostra resistente à inflação. Quando os preços sobem de forma significativa, 51,7% dos consumidores dizem preferir reduzir a frequência com que compram sorvete. Outros 14,5% optam por embalagens ou porções menores. Apenas 25,4% afirmaram que trocariam de marca por uma opção mais barata.
O frio tampouco parece ser suficiente para afastar o consumidor. Embora o verão concentre o maior volume de consumo, 71,3% dizem tomar sorvete pelo menos uma vez por semana na estação, somente 8,2% afirmam nunca consumir a sobremesa no inverno.
A pesquisa desenha um consumidor que não parece disposto a abrir mão do sorvete, mas que escolhe com mais atenção como consumi-lo. Para uma parcela, isso significa uma porção menor ou uma receita sem açúcar. Para outra, um produto artesanal ou feito com ingredientes considerados especiais. Em comum, permanece uma exigência bastante tradicional: que o sorvete seja gostoso.
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Qual o melhor sorvete de pistache?. Crédito: Estadão
