Veja qual é a melhor croqueta do mundo em 2026

GastronomiaVeja qual é a melhor croqueta do mundo em 2026

Ir à Espanha e não comer uma croqueta é como ir ao Vaticano e não ver o papa. Ou melhor, em termos gastronômicos, ir à Itália e não comer um belo prato de massa – ou pasta, melhor dizendo.

Por isso, não surpreende que os bolinhos fritos, crocantes por fora graças a um empanado bem executado e macios por dentro, com um bechamél cremoso, tenham um concurso anual exclusivo, que já está na sua 12ª edição.

A eleição da melhor versão da iguaria é realizada durante o Madrid Fusión, um dos maiores congressos de gastronomia do mundo. Neste ano, o evento de três dias foi de 26 a 28 de janeiro, com cobertura especial de Paladar.

Em uma prova de pressão, os seis finalistas, este ano escolhido de uma lista com 80 indicações, são desafiados a preparar as croquetas no local e a avaliação vai desde a análise do bechamél – a base do recheio – ao resultado final.

Neste ano, quem levou a melhor foi o chef Alejandro Cano, do restaurante Salino, que mescla tradição com contemporaneidade no coração de Madri, mais precisamente no bairro Retiro. Aliás, no perfil do Instagram da casa, já consta a conquista da última semana. E, é claro, as reservas já aumentaram: afinal, quem não quer provar a escolhida entre 80 receitas que concorreram no certame?

“Fazemos nosso bechamel com manteiga, farinha e muito leite fresco. Acrescentamos o jamón e cozinhamos por cerca de uma hora. Depois, usamos a farinha panco para o empanado”, explica o vencedor. Ao erguer o troféu, ele agradeceu à equipe que trabalha com ele no Salino, que já virou uma referência quando o assunto é a arte de tapear – ou em bom português, petiscar.

Além de Cano, que levou a melhor, chegaram à grande decisão os chefs Miguel Fernández (Bancal, Madrid), Samuel Moreno (El Molino de Alcuneza, Guadalajara), Toni González (El Nuevo Molino, Cantabria), Julín A. Menéndez (La Raíz 15 Casa de Comidas, Asturias) e Juanjo Mesa (Radis, Jaén). No ano passado, o vencedor foi Axel Smyth, do restaurante Simpar, de Santiago de Compostela.

O corpo de jurados teve à frente ninguém menos do que Albert Adrià, eleito o melhor chef da Europa em 2025 durante o congresso e que recentemente recebeu a segunda estrela Michelin pelo Enigma. Expoente do projeto El Bulli, de Ferran Adrià e acostumado a transitar pela alta gastronomia, garante que fazer uma boa croqueta não é fácil: mais fácil é comê-las.

E, garante: a edição deste ano foi, de longe, a mais difícil da qual já participou, já que unia várias “escolas” ou estilos envolvidos. “Há as croquetas que são com bechamel mais lácteo, outras tem o jamón mais grosso ou picado, outras nas quais se coloca o ingrediente na hora de fazer o roux ou ainda a que o presunto é adicionado ao bechamel frio”, ensina.

Outra questão importante diz respeito ao empanado, ou seja, o revestimento que dá a crocância à croqueta e ajuda a segurar o recheio. No caso da versão campeão de Alejandro Cano, é usada a farinha panko.

“Toda essa combinação de fatores faz com que a execução técnica seja mais complexa do que as pessoas pensam. Eu, por exemplo, não costumo fazê-las”, confessa o chef.

Mas, aqui, para além da vencedora, deixa a recomendação de uma de suas croquetas de jamón favoritas, da escola do chef Nacho Manzano, da Casal Marcial, três estrelas Michelin das Astúrias, que agora também tem um restaurante no hotel Tivoli Kopke, em Vila Nova de Gaia, o 1638 Restaurant & Wine Bar.

Versatilidade e história

A receita, que de acordo com o pesquisador Miguel Angel Almodóvar tem origem francesa, mas pode ter raízes ainda mais antigas, no Império Romano. “É uma iguaria que reaproveita as sobras de produtos”, lembra.

Na Espanha, se popularizou, inicialmente, com o resto de cozido – ou cocido – um dos pratos mais emblemáticos de Madrid. Mas, hoje, casa muito bem com o jamón, o presunto curado que é outro símbolo da gastronomia espanhola.

Além de versátil no que diz respeito às receitas, como aponta Albert Adriá, a receita também pode receber vários recheios. De quebra, transita com maestria entre os bares de tapas mundo afora, acompanhado de um bom copo de vinho ou cerveja, aos restaurantes, digamos, de alta gastronomia.

Restaurante Salino

Onde: Calle Menorca, 4 – Retiro – MadriQuando: Diariamente, das 13h às 22h30

Quanto: 15 euros por seis unidades

Mais informações: @restaurante_salino



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