No meio do caminho – entre o SIM dado ao convite feito pela amiga e a chegada até o bar proposto para o encontro – tinham muitas pedras. A hora extra no trabalho, os compromissos com filhos ou até aquela preguiça social foram impeditivos para o comparecimento no local. Quem já viveu enredo parecido, talvez, esteja no recorte chamado “40 mais”, confere produção?
Pois é justamente para esse público etário- mais cansado e mais solitário como mostram as pesquisas recentes – que alguns bares têm apostado em virar redutos e estimular a (re)socialização no presencial, com a volta do bom e velho olho no olho.
Paladar – conectado com o movimento – traz um roteiro com a sugestão de 15 endereços que podem ser boas opções para quem – nesta faixa – deseja colocar o bloco na rua. Vamos conferir?
O que um bar para 40 + precisa ter?
“A maioria dos sócios aqui está exatamente nesta faixa etária. Então a gente percebe o movimento de um público que tem uma rotina intensa que, quando decide sair, é mais seletivo, quer se sentir acolhido”, diz Matheus Oliveira, um dos sócios do Luci, bar recém aberto em Pinheiros, zona oeste, com o mote de ser uma casa ideal para os quarenta mais.
Luci Bar estreia e foca nos 40 + Foto: oOLIVIA YOKOUCHI/divulgação
E ser uma casa para essa faixa é ter que atender a novas demandas, em especial “ter lugar para sentar, um ambiente mais sóbrio, com coquetéis clássicos e condições para você aproveitar bebida”, define os critérios Gilberto Amendola, autor do Blog Balcão do Giba – aqui em Paladar.
Levando em conta estes quesitos, Giba sugere como “ideais” para o público 40 + o Fel, na Av. Ipiranga, centro de SP, o The Punch, no Paraíso e o Bar Coda, na Vila Buarque, também região central.

Drinques prepardos no Bar Coda Foto: Leo Martins/Estadão
De fato, bons drinques são condições para um bar ingressar para o roteiro dos quarentões. “Aprendemos diariamente com nosso público: no início, apostamos em uma carta de vinhos mais enxuta, mas sentimos que o público 40+, sobretudo feminino, demanda uma carta mais complexa. Escutamos, e já acrescentamos alguns rótulos mais interessantes com a ajuda de um sommelier”, complementa Matheus, um dos sócios do Luci.
Bares para contatos e ritual com as amigos na vida adulta
Os desafios sociais e comportamentais para a parcela que está entre os 40 e 49 anos sair de casa – e cair no circuito diversão na vida real – não são muito diferentes das outras faixas etárias. Vão desde a hiperconexão nas redes sociais, as sequelas da pandemia, as questões de segurança e também as econômicas. Mas os “quarentões” têm lá as suas particularidades.
Se entre eles, conforme mapeou a pesquisa internacional Meta-Gallup, os índices de solidão e de falta de conexão real estão na casa dos 25% – parecido com outros grupos etários – quando o foco é sobrecarga e exaustão, os 40 + lideram os dados de Burnout, conforme detecta a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Essa mistura “exaustão e solidão”, ainda mais agravada após o Covid 19, contribuiu para afastar o público da noite e da vida social, acreditam os especialistas. Agora, porém, um movimento diferente começa a ganhar força e favorece os empreendimentos noturnos que focam nessa parcela mais madura, aposta Lella Sá, pesquisadora do mundo do trabalho e da mulher, além de promotora de eventos e da criação dos “designs de conexão”.
“Estamos redescobrindo o poder do encontro, uma espécie de ‘contra-onda’ da pandemia. Essa tendência cresce pelas necessidades do encontro olho no olho, da risada, da espontaneidade e também da conexão com pessoas da vida real, que enfrentam os mesmos desafios no dia a dia e que não compartilham nas redes sociais”, diz Lella que acaba de criar o Evaya Club.
Trata-se de um coletivo fechado de lideranças femininas que promove “networking” entre mulheres desconhecidas entre si, misturando música, dança, boa comida e boa bebida- tendo a proposta inclusive de usar bares e restaurantes como palco dos encontros.
Mesa com pratos do Clementina Foto: B.O Studios
Para esse fim – de promover conversas, contatos e interação – a repórter de Paladar Giulia Howard sugere o Clementina, na Rua João Moura, em Pinheiros – com comidinhas, bons vinhos e espaço para conversas – e o Gatto Figa Pizza Bar – no bairro Mirandópolis – que tem pizzas ótimas para compartilhar, evento de vinhos só para mulheres e uma programação bem adaptável ao público maduro.
Já o grupo Mulheres e a Cidade, liderado e organizado por Grazi Salomão e Lari Saram, propõe mesmo que o público de todas as idades ocupe a cidade de São Paulo. E elas têm nos bares um dos pilares do GPS (Guia para Socializar) criado justamente como um antídoto para o que chamam de epidemia da solidão.
Uma das recomendações é – mesmo na vida adulta – criar agendas para encontros com as amigas 40 +.
Nesse contexto, as indicações delas se voltam para o Isca Bar, na Pompeia, bar hype do momento, indo na onda de novas taquerias abertas pela cidade. “Bom para uma tarde gostosa para ficar no jardim ou uma saída com amigos porque, depois dos 40, a gente sabe muito bem escolher o que vale a pena”, definiu Grazi. Tem tapas deliciosas, ainda está em soft opening (então o atendimento falha um pouquinho) – aqui vale chegar cedo porque anda com filas.
Bocadillo de camarão, do Isca Foto: Vitor K. Neves
Nessa pegada, a repórter de Paladar Chris Campos complementa a lista com duas indicações: O Bar Balcão – em Cerqueira César – “aquele clássico da cidade que sempre vale a visita: clima despojado, bons drinques e o balcão que fez a fama do lugar. É o lugar favorito de artistas, jornalistas e entusiastas da cultura de maneira geral. O Lichtenstein autêntico que adorna uma das paredes da casa não deixa dúvidas”.
E o Drosopyla Madame Lili, na Consolação, “pelo clima retrô e pelos bons drinques” – ele mesmo um quarentão no quesito anos de vida.
E para paquerar, flertar, ver e ser visto após os 40?
Ninguém vai negar que a paquera (será uma palavra cringe?) integra a lista de interesses prováveis de quem se propõe a sair. Até porque é um tanto quanto demodê achar que “não temos mais idade para isso”, como define a psicanalista Marielle Kellerman, autora do livro “Do Like ao Burnout” e apresentadora – ao lado da poeta e psicanalista Vanessa Correa – do podcast Lá Fora Cast que entre outros assuntos aborda as questões do universo quarenta mais.
“Essa questão de não poder passear, não poder investir em si, acho que é muito presente ainda, mas fazendo uma leitura bem otimista e realista também, se há um momento histórico em que estamos autorizadas a gastar nosso tempo e dinheiro para fazer coisas para nós mesmas, do tipo sair com as amigas, ficar sozinha, ir no bar, flertar, fazer o que quiser é agora”, diz Marielle.
Com este foco de redutos “prontos para flerte”, Grazi e Lari do Mulheres e a Cidade recomendam o Hi Fi Bar, que fica entre as passagens subterrâneas do Shopping Light e o Theatro Municipal. “No estilo listening bar, tem música apurada, uma meia luz bem interessante e um público que varia todos os dias. É o lugar para ver e ser vista.”

Formosa Hi Fi, um espaço par ver e ser visto Foto: ALEX SILVA/ESTADÃO
Além dele, elas sugerem o Fifty Fifty. “Com o passar dos anos, o paladar vai ficando cada vez mais apurado. E o que a gente busca? Bons e imprevisíveis sabores. E Stephanie Marinkovic e Danilo Rodrigues sabem fazer isso muito bem no seu balcão. Um bar descolado que vale todo o destaque que tem na coquetelaria paulistana. E super ideal para mulheres que, depois dos 40, sabem muito bem o que querem.”
Fernanda Meneguetti, colunista de Paladar e que assina o Devorável, complementa a lista com o trio Matiz, na República (aqui a experiência é em pé e vale tentar a visita em dia de semana), o SEDE261, em Pinheiros (com flertes na calçada) e o Pirajá, “especialmente quando tem roda de samba”, dá a letra Fernanda Meneguetti.

O ambiente do Condessa é formado por itens da família Foto: Diego Sanchez/Divulgação
As sugestões de Paladar finalizam com o Condessa, também em Pinheiros, que busca seu espaço no disputado bairro boêmio e se posiciona como a nova casa dos 40 +
(Colaborou Carol Almeida)
Daniela Bravin e Cássia Campos são eleitas as melhores sommelières de São Paulo pelo Prêmio Paladar
- Serviço dos bares e restaurantes legais para 40+:
Luci Bar Rua Padre Garcia Velho, 61 – Pinheiros, São Paulo
Terça, quarta e quinta | 19h à 1h Sexta e sábado | 19h às 02h
Fel SP Avenida Ipiranga, 200 – República, São Paulo
Segunda a quinta | 17h à 0h Sexta | 17h à 1h Sábado | 12h à 01h Domingo | 14h às 22h
The Punch Bar Rua Manoel da Nóbrega, 76 – Paraíso, São Paulo Segunda à sexta | 18h à 0h Sábado | 17h à 0h
Coda Bar Rua Barão de Tatuí, 223 – Vila Buarque, São Paulo
Terça-feira à quinta-feira | 18h à 0h Sexta-feira | 17h à 01h Sábado | 17h à 01h
Condessa Bar Rua Conde Silvio Alvares Penteado, 31 – Pinheiros, São Paulo
Quarta-feira à sábado | 18h à 0h
Clementina Bar de Vinhos Rua João Moura, 613 – Pinheiros, São Paulo Terça-feira à sexta-feira | 18h à 0h Sábado | 16h à 0h
Drosophyla Madame Lili Rua Nestor Pestana 163 – Consolação, São Paulo Terça e quarta | 18h à 0h Quinta-feira | 18h à 01h Sexta e sábado | 19h às 02h
Bar Balcão Rua Doutor Melo Alves, 150 – Cerqueira César, São Paulo Segunda à domingo | 17h30 à 01h30
GattoFiga Pizza Bar Rua Luis Góis, 1625 – Mirandópolis, São Paulo
Terça-feira | 18h às 23h Quarta, quinta e sexta | 12h às 15h e 18h às 23h
Matiz Bar Rua Martins Fontes, 91 – República, São Paulo
Terça e quarta | 19h à 0h Quinta | 19h às 02h Sexta e sábado | 19h às 03h Domingo | 16h às 22h
SEDE261 Rua Benjamim Egas, 261 – Pinheiros, São Paulo
Quarta à sábado | 18h às 23h Domingo | 12h às 18h
Pirajá Pinheiros Rua dos Pinheiros, 209 – Pinheiros, São Paulo
Segunda | 12h às 15h e 17h às 23h Terça e quarta | 12h às 15h e 17h à 0h Quinta | 12h às 15h e 17h à 01h Sexta e sábado | 12h às 02h Domingo | 12h às 20h
Isca Bar R. Dr. Miranda de Azevedo, 633 – Pompéia, São Paulo
Quarta-feira | 18h30 à 0h Quinta e sexta| 18h à 0h Sábado | 13h à 0h Domingo | 13h às 20h
Fifty Fifty Bar Rua Deputado Lacerda Franco, 596, São Paulo, Brazil
Segunda à Qua: 19:00h à 00hQuin à Sab: 19h as 02h Domingo: Fechado
Formosa Hi-Fi – Coronel Xavier de Toledo, 23
ter-qua: 19h-00h / qui: 19h-01h / sex-sáb: 19h-2h
