Começou nesta segunda-feira em Nova Iorque a 25ª Sessão do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas, com o tema “Garantindo a Saúde dos Povos Indígenas, Inclusive no Contexto de Conflitos”.
O Fórum é um espaço para ouvir diretamente indígenas, suas prioridades, desafios e soluções. Após duas semanas de diálogos e sessões temáticas, será elaborado um relatório de recomendações.
“Invasão implacável de terras ancestrais”
Na abertura do evento, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que, para os povos indígenas, a saúde é inseparável de suas terras, águas, línguas, culturas e ecossistemas.
Ele condenou a “invasão implacável de terras ancestrais” relacionada a atividades como a mineração ilegal que envenena o solo, águas subterrâneas, rios e alimentos com mercúrio, cianeto e outros poluentes.
Guterres disse que a água é sagrada e central para a identidade e sobrevivência dos povos indígenas, e que por isso, sua contaminação tem consequências imediatas e de gerações sobre a saúde e o bem-estar.
O Rio Tapajós percorre 840 quilômetros pelo coração da Amazônia brasileira, cruzando territórios indígenas, parques nacionais, cidades pobres e muitos dos locais de mineração de ouro em pequena escala do Brasil — ou garimpos
Ataques fatais contra indivíduos e comunidades
Ele ressaltou que contextos de conflito exacerbam ainda mais o deslocamento de terras ancestrais, a perda de meios de subsistência, a insegurança alimentar, a destruição de locais sagrados e a ruptura de tradições culturais e podem colocar a saúde em risco.
O líder da ONU enfatizou que o Fórum, estabelecido há 20 anos, aborda a discriminação que os povos indígenas enfrentam em todo o mundo dentre elas “violações desenfreadas de direitos”, que frequentemente assumem a forma de violência física e até mesmo ataques fatais contra indivíduos e comunidades.
Quatro prioridades de ação
O secretário-geral pediu ação em quatro áreas. Primeiro, apelou a todos os Estados-membros da ONU para que honrem a Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas e a façam ser refletida em leis e políticas nacionais.
Em segundo lugar, ele defendeu a participação plena, significativa e direta dos Povos Indígenas em todos os níveis, apoiada por financiamento adequado e contínuo.
Como terceira medida, Guterres ressaltou que as sociedades devem proteger de forma imediata e concreta os povos indígenas, seus líderes e os defensores dos direitos humanos que enfrentam níveis elevados de violência.
Juana Sales Morales e Alejandra García Ramírez, duas líderes indígenas da Guatemala, durante o Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas de 2024
Valorização da sabedoria indígena
Por fim, ele disse que todos devem trabalhar para garantir que as mulheres e meninas indígenas possam participar de forma significativa das decisões que afetam suas vidas.
O líder da ONU ressaltou que os conhecimentos e a liderança delas devem moldar o caminho a seguir.
Para Guterres, neste momento de profunda incerteza global, a sabedoria e a experiência dos povos indígenas podem guiar a humanidade para retornar “da beira do abismo”.
Zona de Mídia
O Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas é um órgão consultivo de alto nível do Conselho Econômico e Social, Ecosoc, criado em 2000. O grupo tem 16 especialistas independentes que aconselham o Sistema da ONU.
A sessão anual de 10 dias é o maior encontro internacional de povos indígenas, com mais de 1 mil participantes.
Este ano, as Nações Unidas, em parceria com a Cultural Survival, estão organizando uma Zona de Mídia Indígena de 20 a 24 de abril de 2026 para oferecer a jornalistas indígenas a oportunidade de cobrir a sessão por meio de suas visões de mundo, perspectivas e línguas.
Fonte: veja.abril
