Qual o melhor suco de uva do Brasil?
Paladar testou 15 marcas; conheça as melhores. Crédito: Estadão
Um bom suco de uva equilibra pureza, frescor, aroma e estrutura. O segredo está na matéria-prima: uvas maduras e sadias, livres de podridão ou verdor. Variedades tintas como Isabel, Bordô, Concord e Niágara, conhecidas por perfumes marcantes, dão corpo, cor profunda e sabor à bebida. Na versão integral, sem nadica de água, açúcar, conservantes ou corantes.
No nariz, um suco 100% uva deve lembrar fruta fresca, casca de uva, geleia e passas. Notas florais ou levemente herbais são possíveis. Na boca, o ideal é que haja doçura e acidez, sem ser enjoativo nem agressivo.
A textura também é válida: corpo médio, sensação aveludada e um toque sutil de taninos (aquela adstringência delicada da casca) são sinais qualitativos. Persistência e tons rubis, como de um vinho jovem, igualmente.

Paladar Testou 15 marcas da versão integral do suco de uva vendido nas grandes redes de supermercados Foto: Tiago Queiroz/Estadão
Suco de uva faz bem ao coração?
O suco integral tinto tem antioxidantes naturais como resveratrol, antocianinas e flavonoides, substâncias que reduzem a oxidação do colesterol ruim (LDL), melhoram a circulação e diminuem o risco de doenças cardiovasculares. Como no vinho, taninos ajudam a proteger as células e os vasos sanguíneos.

Um bom suco de uva equilibra pureza, frescor, aroma e estrutura Foto: Tiago Queiroz/Estadão
Parentes próximos, o vinho até concentra mais polifenóis, mas o suco oferece benefícios semelhantes sem os efeitos nocivos do álcool. Além da proteção cardíaca, pode favorecer a memória, a concentração e o sistema imunológico. No entanto, lembre-se: é uma bebida rica em açúcares e, portanto, calórica.
Como consumir suco 100% uva?
Gele o suco, agite a garrafa antes e sirva numa taça. Vale para acompanhar o pão na chapa do café da manhã, assim como para harmonizar carnes (assadas ou grelhadas), massas (com molho de tomate ou cogumelos) e queijos curados. Peixes e frutos do mar correm o risco de trazer um sabor metálico, ao passo que sobremesas muito doces, podem fazê-lo parecer azedo.
Como foi feito o teste?
Paladar Testou é uma iniciativa 100% editorial. Em todas as provas, a reportagem faz um levantamento das marcas disponíveis no mercado. Nos dias anteriores ao teste, as amostras são compradas* em grandes redes de supermercado e empórios da capital paulista, de modo que as marcas não sabem que seus produtos serão submetidos a uma degustação às cegas. O júri tampouco sabe o que irá enfrentar.
Leia na íntegra o regulamento do Paladar Testou 2025
No caso dos sucos de uva integral, Paladar convocou três entendedores: Kelen Gini (sommelière do Plou), Guilherme Giraldi (sommelier e consultor de vinhos) e Marcio Shihomatsu (chef do Pasta Shihoma, do Shihoma Deli e pai acostumado a comprar suco), que se reuniram no bar de vinhos Plou, na Vila Madalena, para enfrentar a maratona de 15 exemplares 100% uva. Veja o resultado do teste às cegas.

Os jurados Marcio Shihomatsu, Kelen Gini e Guilherme Giraldi enfrentaram a maratona de prova com 15 exemplares 100% uva Foto: Tiago Queiroz/Estadão
Abaixo, você confere os sucos de uva melhor avaliados pelo júri e, logo abaixo, o ranking com as 15 marcas e os comentários do time de especialistas convidado para este Paladar Testou.
*Preços apurados na primeira quinzena de novembro de 2025
Os 3 melhores sucos de uva do Brasil

Selo Ouro para o suco de uva da Naturale Foto: Tiago Queiroz
Naturale
Surpresa boa, o primeiro colocado é o mais barato de todos. O equilíbrio perfeito entre acidez e dulçor e a persistência na boca foram pontos fortes

O suco da La Pastina conquistou o Selo Prata neste Paladar Testou Foto: Tiago Queiroz
La Pastina
O segundo lugar começou agradando pela bela coloração. Na boca, seguiu com corpo suave, menos taninos, mais leveza e alta “drinkability”.

O terceiro lugar ficou com o suco da marca Perini Foto: Tiago Queiroz
Perini
Medalha de bronze, o produto do Vale Trentino, conhecido por seus vinhos, é feito com uvas Bordô, de cascas espessas roxo-escuro e alta concentração de açúcar. Daí o belo aspecto visual e o gostinho de fruta madura.
As 15 marcas avaliadas pelo júri em ordem alfabética
Com uvas americanas da Serra Gaúcha, o suco produzido pela Vinícola Aurora revelou excesso de dulçor no paladar (R$ 25,10, 1 l, Casa Santa Luzia)
Denso, de coloração violeta ligeiramente opaca, o suco feito no Vale dos Vinhedos pela Famiglia Valduga, vinícola chamou atenção pelo equilíbrio e por uma nota floral discreta (R$ 35,30, 1 l, Casa Santa Luzia)
O terceiro colocado é feito pela vinícola Casa Perini de Farroupilha, no Rio Grande do Sul. Só leva uvas Bordô e agradou pelo visual brilhante, por aromas comedidos e pela doçura na medida (R$ 32,70, 1 l, Casa Santa Luzia)
Da vinícola gaúcha de mesmo nome, o exemplar exibe o Selo do Suco de Uva Puro. Tem acidez equilibrada, leveza e sabor agradável (R$ 24,99, 1 l, Sonda)
Medalha de prata, também é engarrafado pela vinícola Perini. “Limpo em boca”, leve, “fácil de tomar”, como “um vinho menos extraído”, conquistou o júri (R$ 38,20, 1 l, Casa Santa Luzia)
Apesar da aparência vibrante chamar a atenção e os aromas não decepcionarem, o suco foi classificado como enjoativo pelos jurados (R$ 31, 1 l, Casa Santa Luzia)
O suco deixou a desejar: parecia feito com frutas passadas. Pecou ao mesmo tempo no excesso de açúcar e de acidez(R$ 22,98, 1,35 l, Mambo)
O primeiro lugar equilibra acidez e dulçor com maestria e tem boa persistência em boca. Lembrou um vinho seco, apesar de um divertido aroma de bala de infância (R$ 14,90, 1 l, Zaffari)
Reprovado pelo júri por aromas vegetais e sabor de uva mais que maduras, também foi chamado de “oleoso” e “ultra doce” (R$ 22,99, 1 l, Pão de Açúcar)
Mais leve, com boa quantidade de açúcares, o suco feito pela vinícola homônima de Flores da Cunha leva uvas híbridas americanas, como Bordô, Concord, Isabel e Couderc. Passou no crivo e recebeu um “fico feliz de tomar”, de um dos jurados (R$ 8,90, 500 ml, Atacadão)
Orgânico, preparado com um blend de Bordô, Concord e Isabel, o suco é exagerado nos aromas e dulçor, cansando o paladar.
Aromas desagradáveis como “roupa molhada” e “metal”, opacidade e excesso de doçura pesaram na avaliação (R$ 31,60, 1,5 l, Casa Santa Luzia)
“Parece cozido”, “cheiro terroso” e “cheiro de peixe” foram comentários disparados. Excesso de acidez, amargor e densidade excessiva também foram sentidos (R$ 29,88, 1 l, Sonda)
Também proveniente do Vale dos Vinhedos, a amostra foi consensual, graças à acidez vibrante, bons aromas e taninos. Foi chamado de “suco arquetípico de uva” (R$ 25,10, 1 l, Casa Santa Luzia)
Em São Roque, no interior paulista, a vinícola ressalta a pasteurização de uvas Bordô e Isabel para preservar os valores nutricionais. Já o júri ressaltou um perfil clássico de suco de uva, bastante “extraído” e “tomável” (R$ 22,49, 1 l, Mambo)
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