Por que Lily Collins é perfeita para interpretar Audrey Hepburn no cinema?

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Quando uma atriz contemporânea se aproxima de um ícone absoluto, não é só um papel que entra em jogo, mas um legado. A escolha de Lily Collins para interpretar Audrey Hepburn em um novo longa sobre os bastidores de “Bonequinha de Luxo” carrega essa dimensão simbólica, que muito tem a ver com estilo. Isso porque há algo de inevitável nessa ponte: a protagonista de “Emily in Paris” sempre cultivou uma elegância clássica, de sobrancelhas marcadas e gestos contidos, que frequentemente evocava comparações com a estrela de Hollywood e musa de Hubert de Givenchy. Agora, a referência se torna realidade nas telonas.

O filme — ainda sem título — será baseado no livro “Fifth Avenue, 5 AM”, de Sam Wasson, considerado o relato mais completo sobre a criação do clássico de 1961. O roteiro ficará nas mãos de Alena Smith, criadora da série “Dickinson”, o que sugere uma narrativa menos convencional e mais sensível às contradições de uma mulher que redefiniu o conceito de feminilidade moderna.

A história original nasceu da novela de Truman Capote, publicada em 1958, e quase teve outro destino: o autor queria Marilyn Monroe como Holly Golightly. O estúdio Paramount Pictures ignorou o desejo e escalou Audrey Hepburn — decisão que o escritor criticou publicamente, mas que acabaria moldando uma das personagens mais icônicas da cultura pop. A campanha de divulgação chegou a suavizar a aura ambígua da protagonista para proteger a imagem etérea da atriz, reforçando sua associação com pureza e sofisticação — um contraste que só aumentou o fascínio em torno dela.

O novo longa também deve explorar os bastidores caóticos da produção, incluindo acidentes de filmagem e as tensões criativas durante a famosa cena de abertura diante da loja da Tiffany & Co. na Quinta Avenida, em Nova York. Um retrato que deve revelar o trabalho, a disciplina e as inseguranças por trás do mito, mas evidenciar sua elegância e glamour.

Para Collins — filha do músico Phil Collins — o projeto tem peso emocional: segundo a própria atriz, foram quase dez anos de desenvolvimento e uma vida inteira de admiração por Audrey Hepburn. A escalação também reacende o interesse por quem interpretará figuras centrais como Capote e o diretor Blake Edwards, ainda não anunciados.

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Audrey já teve outra interpretação, de Jennifer Love Hewitt no telefilme “The Audrey Hepburn Story”. Houve ainda um projeto com Rooney Mara dirigido por Luca Guadagnino, cancelado em 2023. Nada, porém, parece ser como esta nova produção com potencial para revisitar o momento em que a mulher moderna começou a ser imaginada de outra forma — independente, elegante, contraditória. E, nesse espelho, Lily Collins terá a missão rara de não apenas interpretar Audrey, mas de dialogar com ela. Uma tarefa impossível para a maioria, mas, talvez, inevitável para quem sempre pareceu caminhar na mesma direção estética.

Audrey Hepburn no filme
Audrey Hepburn no filme “Bonequinha de Luxo”, de 1961, baseado em novela de Truman Capote (//Divulgação)

Fonte: veja.abril

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