Toda atração de peso tem sua lojinha de souvenir. Se o Mata Città já operava como uma espécie de Disney paulistana para quem busca uma Itália cenográfica, seja nos seus sete ambientes imersivos, seja no classicismo do menu, sua sequência lógica acaba de sair do papel. O complexo inaugurou o Mercato Mata Città: um espaço de 160 metros quadrados que refina o exagero do restaurante em favor de uma estética urbana e elegante típica de Milão, traduzida em detalhes como mármore Carrara, aço inox e luminárias em formato de nuvens.

Mercato Mata Città 2026 Foto: Lais Acsa / divulgação
Idealizado pelo empresário francês Alexandre Allard, devia ter nascido juntinho com o restaurante, em dezembro passado, mas ganhou uma segunda gestação de nove meses. O bebê é um empório chique, engatinhando desde o último dia 1º. No acervo de 1,3 mil itens quase 200 são produtos próprios, número que deve quase dobrar antes do Natal chegar, por motivos óbvios.
Este desenvolvimento autoral apresenta pães de fermentação natural com a assinatura do confeiteiro Antonio Bachour e chocolates produzidos com cacau brasileiro, como o que leva banana ou caramelo ao sal (R$ 39 com 60 gramas). O selo Mata Città contempla também geleias feitas com ingredientes não corriqueiros da doçaria, a exemplo de cebola com cabernet (R$ 40,90), além de uma seleção de granolas com destaque para a versão proteica (R$ 43,90 com 200 gramas).

Geleias Mercato Mata Città 2026 Foto: Lais Acsa / Divulgaç
Como se nota, nem tudo tem pegada italiana. O Mercato Mata Città não pretende ser um mini Eataly, a rede italiana de mercados gastronômicos que se espalhou por cidades como Milão, Roma, Nova York, Tóquio e São Paulo. Tanto assim que 80% do portfólio é nacional.
Há, no entanto, boas italianices. As massas secas extrusadas em bronze, produzidas em Santa Catarina, chegam em embalagens vintage, com rigatoni e outras opções e molhos à mão para já resolver o jantar. Ficaria, sim, faltando um queijinho para ralar, certo? Nem adianta sofrer: não há produtos frescos por lá. Pelo menos por ora.

Massas secas extrusadas em bronze, produzidas em Santa Catarina. Foto: Lais Acsa / Divulgação
Em breve, dará para arrematar com um café ao estilo napolitano. O Ispirazione Sud Italia é uma parceria com a Martins Café e merece nota. Para Mariano Martins, cafeicultor da 7ª geração, ele envolve um forte resgate afetivo. O blend é a evolução do lote Padim, que ele fazia exclusivamente para o pai, já falecido, em busca de recriar as memórias das amostras escuras, de padrão exportação, de sua infância.
A curva de torra levada ao limite, sem gerar amargor queimado, passou por testes criteriosos, até chegar a uma bebida de corpo aveludado, vivaz, que obteve inclusive o aval de Bachour. Uma bebida que casa com os biscoitinhos expostos – tanto os decorados caseiros quanto italianos tradicionais, caso dos amaretti Virginia, vendidos em latas lindas.
Latas lindas não estão ali à toa. Mais do que resolver uma refeição, o entreposto é lugar para presentear, daí a importância das embalagens. Tem conservinhas, bisnagas de queijo e ketchup em alumínio, vidros de azeites, sais e condimentos, além de acessórios para a casa.
No fundo do Mercato, a adega tem quase mil rótulos entre vinhos, licores e destilados. Pode não ser a melhor enoteca do planeta, mas tem tinto italiano a partir de R$ 81,50 (o Angelo Montepulciano d’Abruzzo é um deles). E é aí que a lojinha cumpre seu papel: você entra pensando no jantar, encontra um vinho, vê uma lata bonita, lembra de alguém e, dificilmente, sai de mãos abanando.
Serviço
Mercato Mata Città
Al. Rio Claro, 260, Bela Vista. Todos os dias das 10h às 22h. Instagram: @mercato.matacitta
