Ler Resumo
“Elegância é tudo aquilo que não se nota.” A frase de Giorgio Armani poderia servir como legenda perfeita para a temporada de premiações de Wagner Moura. Longe do exibicionismo que costuma dominar os tapetes vermelhos, o ator brasileiro construiu um percurso de estilo marcado pela precisão da alfaiataria, escolhas autorais e uma confiança tranquila — dessas que não precisam levantar a voz para serem notadas.
Parte dessa narrativa estética passa pelas mãos da stylist Ilaria Urbinati, responsável por vestir alguns dos homens mais bem vestidos de Hollywood. Sob sua curadoria, Moura transformou cada aparição rumo ao Oscar em uma aula de minimalismo contemporâneo. A base é sempre a mesma: cortes impecáveis, paleta controlada e peças que falam de moda sem parecer que estão tentando demais.
No Globo de Ouro de 2026, além do prêmio, virou um dos mais comentados ao surgir com um blazer branco de Maison Margiela, combinado a calça preta de alfaiataria e as icônicas botas Tabi, o sapato de dedão dividido que virou assinatura da casa fundada por Martin Margiela. Um detalhe quase provocativo em um visual rigorosamente limpo — exatamente o tipo de gesto que transforma um look clássico em algo memorável.
Já no Critics Choice Awards, ele seguiu pela mesma trilha autoral, mas com outra nuance. Apostou em um conjunto de alfaiataria com textura fosca inspirado em quimono da italiana Zegna, de caimento fluido e discreto. O resultado tinha algo de arquitetônico: linhas amplas, tecido pesado, movimento elegante. Um look que parecia pensado para caminhar e não apenas posar.
Em outras aparições da temporada, Moura alternou a estética conceitual com o rigor da alfaiataria clássica. Surgiu em smokings da Bottega Veneta e em ternos da Dior e Valentino, mas em todos, um denominador comum: nada parecia gratuito.
Os acessórios seguem a mesma lógica. No pulso, relógios Omega, discretos e clássicos. Nos pés, alternância entre sapatos minimalistas e peças mais experimentais — como as próprias Tabi — que quebram a formalidade com inteligência.
O mais interessante, porém, é que o estilo de Moura não parece calculado para impressionar. Há nele uma naturalidade rara no circuito das premiações, onde muitas vezes a roupa chega antes da pessoa. No caso do ator brasileiro, a moda funciona quase como extensão da presença: sólida, segura, sem exageros.
No caminho até o Oscar, Wagner Moura foi refinando algo que vai além de um simples figurino, confere identidade. E no silêncio elegante de um bom terno, às vezes, cabe uma história inteira de estilo e construção.







Fonte: veja.abril
