Nos anos de 1960, os primeiros produtos para dietas com restrição ao açúcar, entenda-se como principal foco pessoas com diabete, ganharam espaço nas prateleiras dos supermercados, com as primeiras gelatinas e geléias contendo adoçantes como a sacarina e o ciclamato. Eram um horror no quesito de sabor e textura, porém, havia de se contentar com o que estava disponível.
Ao final da década seguinte, os primeiros produtos dietéticos, destinados a quem tinha alimentação com menos calorias, chegaram ao mercado, alguns com o rótulo de “light” numa alusão à “leveza” do produto. Eram vendas tímidas, pois a maioria da população brasileira não sofria de obesidade devido a uma alimentação tradicional composta por alimentos muito recomendado pelos profissionais da nutrição e alimentação, como o arroz, feijão, ovo, bife e salada, o conhecido “trivial básico”.

O café é bebida perfeita para os tempos das canetas emagrecedoras. Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal
Naquele momento, o café era tido como vilão da saúde devido a diversos artigos publicados que associavam à maior incidência de gastrite, entre outros problemas do sistema digestivo, e da sugestão de alteração de estados emocionais em razão do efeito estimulante da cafeína.
Ao longo desse tempo, o perfil da saúde da população brasileira apresentou significativa mudança, com o aumento do número de pessoas com sobrepeso e obesas, conjugando-se enfermidades associadas como a hipertensão, cujas causas apontadas por diversos estudos vão desde o tipo de alimentação, com maior presença de alimentos ultraprocessados, menor diversidade de alimentos frescos, ausência da prática de atividade física e ambiente social mais estressante.
A virada do século trouxe uma nova geração, a conhecida hoje como Geração Z, que hoje assume a direção do comportamento e mercado com sua postura de busca de praticidade, rapidez nas respostas e maior qualidade de vida.
Um dos efeitos percebidos há cerca de uma década é o declínio do consumo de bebidas alcoólicas, tanto de fermentados, como vinho e cerveja, quanto de destilados. A recente ascensão das cervejas sem álcool, por exemplo, é notável, marcando posição no mercado e impondo forte movimento de ajustes por parte da grande indústria.
Engordar pode ter diferentes causas, porém é um processo progressivo e, muitas vezes, sutil o suficiente para que passe despercebido, até que alguém que ficou tempos sem lhe encontrar repare na diferença. Lembre-se que é uma alteração do metabolismo.

Coquetel não alcoólico com água de flor de laranjeira e café. Foto: Ensei Neto/Arquivo Pessoal
Diferente do que acontecia décadas atrás, quando alcançar o bem estar significava atividades físicas constantes e, por vezes, intensivas, além do clássico “comer menos”, as pessoas buscam por alternativas que sejam rápidas e o surgimento das canetas emagrecedoras como o Ozempic e Mounjaro trouxe essa resposta. Resultado vapt-vupt!
Nesse momento, o café entra como componente fundamental nessa nova fase, pois é perfeito para celebrações a qualquer hora do dia, tanto que, apesar de sentir um pouco a passagem de seu instante “hype”, as Festas Cafeinadas/Coffee Party ainda continuam em muitos lugares. A coquetelaria sem álcool, cujos coquetéis receberam o nome de mocktails, ganharam definitivamente espaço nas cartas de bebidas, levando vários mixologistas e estudiosos bartenders a pesquisar sobre as possibilidades sensoriais do café com resultados surpreendentes.
A grande vantagem do café é o fato de manter as pessoas saudáveis e mentalmente mais espertas e felizes, cujo efeito, sim, é vapt-vupt.
