Violência psicológica pode matar: como identificar sinais e buscar ajuda

AcontecimentosViolência psicológica pode matar: como identificar sinais e buscar ajuda

Advogada criminalista explica como reconhecer o ciclo da violência e buscar proteção antes que seja tarde

A violência psicológica, muitas vezes invisível aos olhos de quem está de fora, pode ser tão devastadora quanto a violência física. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2024), uma em cada quatro mulheres no Brasil relata já ter sofrido violência psicológica. Essa forma de agressão pode incluir humilhações, chantagens, ameaças e isolamento, fatores que, somados, geram impactos diretos na saúde mental e podem levar a desfechos trágicos.

Para a advogada criminalista Jéssica Nascimento, especialista em crimes de gênero, a violência psicológica é um alerta vermelho que não deve ser minimizado. “Ela destrói a autoestima, enfraquece o senso de identidade e coloca a vítima em situação de vulnerabilidade extrema. É nesse estágio que muitas acabam presas em relacionamentos abusivos, sem conseguir enxergar alternativas de saída”, explica.

A especialista ressalta que medidas protetivas podem e devem ser acionadas também em casos de violência psicológica. “A Lei Maria da Penha deixa claro que não se trata apenas de agressão física. Palavras, ameaças e manipulações também configuram violência e permitem que a vítima busque proteção judicial”, complementa Jéssica.

Confira sete dicas apontadas por Jéssica Nascimento para identificar sinais de violência psicológica e saber como buscar ajuda:

7 dicas para reconhecer sinais e buscar apoio

            1.         fique atenta a mudanças bruscas de comportamento

Se a vítima passa a se isolar, perde o interesse em atividades que antes eram importantes ou demonstra medo constante, esses podem ser sinais de abuso psicológico.

            2.         observe padrões de humilhação e depreciação

Comentários que ridicularizam, diminuem ou desvalorizam constantemente não são “brincadeiras”. Segundo Jéssica, “a repetição da desqualificação mina a autoestima e cria dependência emocional”.

            3.         Controle excessivo é violência

Quando o parceiro controla com quem a vítima fala, onde vai ou até mesmo como se veste, o comportamento deve ser encarado como sinal de alerta.

            4.         Atenção às chantagens emocionais

Frases como “se me deixar, eu acabo com a sua vida” ou “ninguém mais vai te querer” configuram violência psicológica e têm peso jurídico.

            5.         Busque apoio de familiares e amigos

Romper o silêncio é um passo essencial. Pessoas próximas podem ajudar a validar a percepção da violência e oferecer suporte.

            6.         Procure ajuda profissional

Psicólogos, assistentes sociais e advogados especializados podem orientar sobre estratégias de enfrentamento e medidas legais.

            7.         Acesse a rede de proteção

A Central 180 (ligação gratuita e confidencial) é um dos canais de denúncia e orientação disponíveis no Brasil. Em situações de risco imediato, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190.

A advogada reforça que procurar ajuda cedo faz toda a diferença. “Muitas vítimas acreditam que só podem denunciar quando há marcas visíveis no corpo, mas isso não é verdade. A violência psicológica é reconhecida pela lei e pode ser denunciada”, afirma Jéssica.

Serviço:

 Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher

Ligue 190 – Polícia Militar em casos de emergência

Redes sociais

Instagram: @vozes_viscerais

LinkedIn: linkedin.com/in/jessicanascimentovv

Sobre Jessica Nascimento

Jéssica Nascimento é advogada criminalista especializada em crimes de gênero. Atua na defesa dos direitos de mulheres vítimas de violência, com foco em litígios penais, medidas protetivas e orientação jurídica em situações de vulnerabilidade. Participa de debates públicos sobre gênero e justiça criminal e é referência em análises sobre políticas de enfrentamento à violência contra mulheres.

Karoline Kantovick
Karoline Kantovick
Jornalista, pós-graduada em Marketing Digital e mestranda em Comunicação, atua há 14 anos com assessoria de imprensa. Ao longo da carreira, já atendeu mais de 300 contas em diferentes segmentos, desenvolvendo estratégias de visibilidade e relacionamento com a mídia.

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