O que são as enzimas recombinantes, a nova aposta da estética para ‘desamassar’ a pele do rosto e do corpo

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Durante anos, o termo “enzimas” esteve associado principalmente a tratamentos voltados para gordura localizada e contorno corporal. Agora, uma nova geração dessas substâncias começa a reposicionar seu papel dentro da medicina estética. Desenvolvidas por biotecnologia avançada, as chamadas enzimas recombinantes vêm ganhando espaço em protocolos que vão além da redução de medidas e passam a atuar também na regeneração tecidual, remodelação da matriz extracelular e melhora global da qualidade da pele.

Um dos exemplos dessa nova abordagem é o Pbserum, tecnologia produzida na Espanha pela empresa Proteos Biotech, que utiliza enzimas obtidas por DNA recombinante para atuar de forma mais precisa em diferentes alterações teciduais. “Trata-se de uma estratégia terapêutica que visa a reorganização funcional da arquitetura tecidual, melhorando as bases bioquímica, celular e estrutural do envelhecimento e da disfunção da pele”, diz a dermatologista Karine Cade

A proposta é diferente dos antigos coquetéis enzimáticos amplamente difundidos na estética: em vez de provocar processos inflamatórios intensos, as enzimas recombinantes buscam estimular mecanismos fisiológicos de reorganização e reparo dos tecidos.

Segundo a especialista, o avanço da biotecnologia permitiu que a medicina estética passasse a trabalhar com substâncias mais controladas, padronizadas e específicas. “As enzimas recombinantes representam uma evolução importante porque são produzidas com alto grau de pureza e atuam de maneira direcionada sobre determinados substratos da pele e dos tecidos. Isso permite protocolos mais previsíveis e personalizados”, diz a médica da Clínica Otávio Macedo & Associados. Ela esteve na cidade de Albacete, na Espanha, para visitar a Proteus, empresa que fabrica o produto e acompanhar os processos de produção. As enzimas são importadas para o Brasil por meio da empresa Vida Bela.

Tratamento de áreas difíceis

A tecnologia utiliza diferentes tipos de enzimas que podem atuar sobre componentes específicos da matriz extracelular, estrutura responsável pela sustentação e comunicação entre as células. Entre elas estão colagenases, lipases, hialuronidases, liase e outras moléculas que participam do processo de remodelação tecidual.

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Na prática, os protocolos vêm sendo utilizados para tratar áreas difíceis como contorno da face, papada, além de fibroses pós-cirúrgicas, cicatrizes, estrias, irregularidades da pele, áreas de gordura localizada, flacidez e sinais de envelhecimento cutâneo. As enzimas também atuam na limpeza da matriz extra celular. Ou seja, retiram o colágeno envelhecido e estimulam fibroblastos (células que formam colágeno), regenerando a pele.

A tecnologia também tem despertado interesse por sua aplicação em intercorrências relacionadas ao ácido hialurônico, incluindo alguns casos de correção de preenchimentos.

Mudança de mindset

Para Karine, um dos principais diferenciais está na mudança de mentalidade que vem ocorrendo dentro da estética. “Existe uma busca crescente por tratamentos que respeitem mais a anatomia e a fisiologia da pele. Agora, o paciente quer melhorar a qualidade dos tecidos, preservar características individuais e obter resultados progressivos, sem transformações artificiais”, afirma.

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O movimento acompanha uma tendência global da chamada medicina regenerativa, área que reúne estratégias voltadas para estimular mecanismos naturais de reparo e renovação dos tecidos. Nos últimos anos, esse conceito passou a influenciar diversas áreas da estética, impulsionando o desenvolvimento de tecnologias que associam ciência, biologia celular e abordagens menos invasivas.

Outro fator que tem chamado atenção dos especialistas é a possibilidade de combinar as enzimas recombinantes com outros procedimentos, como radiofrequência, ultrassom microfocado, lasers e bioestimuladores, criando protocolos integrados voltados para diferentes necessidades clínicas. “As enzimas potencializam a ação de outros produtos e tecnologias. Por isso, podem ser aplicados antes desses tratamentos porque melhoram a qualidade do fibroblasto”, diz Karine.

As enzimas recombinantes refletem uma mudança mais ampla na forma como o envelhecimento e a regeneração dos tecidos vêm sendo abordados. Em vez de apenas preencher, esticar ou estimular a inflamação, a proposta passa a ser reorganizar, reparar e recuperar a funcionalidade da pele de forma cada vez mais precisa e com resultados mais duradouros.

Fonte: veja.abril

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