O Custo Social, Político e Ambiental que está por trás dos lucros bilionários da maior Montadora de automóveis do mundo no Brasil.

EspecialO Custo Social, Político e Ambiental que está por trás dos lucros...

Por mais de sessenta anos, a fábrica da Toyota em São Bernardo do Campo foi apresentada ao mundo como símbolo de excelência industrial: a primeira planta da montadora fora do Japão, berço do lendário Bandeirante, vitrine do “jeito Toyota” de produzir ,o Toyota Way, sustentado, supostamente, em pilares de melhoria contínua, respeito às pessoas e responsabilidade ambiental. Mas o que documentos oficiais, laudos técnicos, boletins de ocorrência da polícia e depoimentos colhidos sob juramento começam a revelar é um retrato bem diferente.Um passivo ambiental e humano que a empresa parece ter feito de tudo para manter enterrado, literalmente, sob o solo do bairro Planalto.

O que os laudos da Cetesb comprovam? A cidade virou um repositório Tóxico.

Não se trata de calunia, como a empresa pretende afirmar. Em 2008, a própria CETESB – Companhia ambiental do Estado de São Paulo, emitiu diversos pareceres técnicos atestando que a Toyota do Brasil contaminou o solo e as águas subterrâneas de sua unidade na Avenida Piraporinha com diclorometano, tetracloroetileno (PCE) e seus subprodutos de degradação, como o tricloroetileno.

O documento é taxativo e recomenda que a água do poço artesiano da fábrica não seja utilizada para consumo humano. Ainda assim, segundo relatos de ex-trabalhadores, esse poço abasteceu por anos a própria fábrica.

Décadas de operação com solventes clorados, óleos de cementação, tíner, benzeno, BÁRIO, CHUMBO, NIQUEL, DESENGRAXANTES, MERCÚRIO E CIANETO DE POTÁSSIO, metais pesados proibidos em todo mundo , conforme relatos colhidos pelas autoridades policiais.

Foi deixado um rastro contaminação e desrespeito ao meio ambiente e as pessoas, uma herança macabra, documentada em pelo menos duas frentes de investigação: uma denúncia anônima que deu origem a uma Investigação Sumária por homicídio culposo na Capital, e um inquérito no 3º Distrito Policial de São Bernardo do Campo.

Vidas que a linha de produção deixou para trás

Em depoimentos colhidos pela polícia,trabalhadores dos setores de usinagem, pintura, tratamento térmico e CBU relatam décadas de exposição a tetracloroetileno, tricloroetileno, dicloroetano, tetracloretano, thinner e desengraxantes à base de querosene, muitas vezes sem o equipamento de proteção individual adequado. Os sintomas descritos são: dores de garganta, manchas na pele, queda de cabelo, psoríase, vômitos e até hepatite C, cirrose hepática, câncer de esôfago, de laringe e doenças pulmonares.

Muitos foram contaminados , adoeceram e faleceram em decorrência do manuseio com esses produtos, e os que sobreviveram foram abandonados , sem plano de saúde, sem o tratamento adequado e largados a própria sorte, essas pessoas foram condenadas à morte pela política de “governança social” da multinacional japonesa, maior montadora de veículos do mundo.

Um ex-funcionário da Toyota e que não identificaremos por sigilo, o qual chamaremos de Sr. B, trabalhou na empresa durante 32 anos, e afirma que tais contaminações por cianeto, ocorreram principalmente no processo de tratamento térmico de peças, no período entre os anos 60 e anos 90.

Ele atesta que este elemento químico era utilizado sem que houvesse qualquer proteção ao solo e aos trabalhadores. O procedimento, segundo o sr. B era realizado com o cianeto no tratamento térmico em terra nua, a menos de 200 metros de um poço artesiano utilizado no fornecimento de água consumida pelos empregados da fábrica de São Bernardo, o que é proibido por lei.

Este poço, que foi desativado recentemente, confirma a existência e contaminação de um lençol freático que corre embaixo do terreno, e de um córrego existente ao lado da avenida Max Mangels Sênior.

O Sr. B. afirmou que os resquícios de cianeto permaneciam impregnados nas roupas dos trabalhadores e que, possivelmente, as famílias desses trabalhadores também podem ter sido contaminadas. pontou o ex-empregado da Toyota:

“o cara tinha contato direto com o cianeto e ele levava o cianeto na roupa, vamos dizer que a mulher vai lavar, ou pegava na roupa do cara e tomava um copo de água, ela podia morrer, ser contaminada, tem até um relatório afirmando isso, esse cianeto caiu no solo, o sistema de tratamento térmico com o cianeto era no solo, na própria terra” declarou.

Ele demonstra estranheza ao fato da Cetesb – Companhia Ambiental de São Paulo, nunca ter aplicado multa á Toyota na época em que foram verificadas as ocorrências. O cianeto em questão mencionado, é o cianeto de potássio que pode se converter em um gás altamente tóxico se tiver contato com qualquer ácido, esse gás é denominado de gás cianídrico e acabou sendo usado para o extermínio de seres humanos nas câmaras de gás da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

“Arbeit macht frei” frase em alemão que significa “o trabalho liberta” apregoada no pórtico em Auschwitz , na
Polônia, campo de concentração nazista.

O ex-diretor sindical Jovelino Gil, trabalhou na Toyota 33 anos e em depoimento à polícia, relatou ter presenciado o descarte de “massa branca” e líquidos tóxicos a céu aberto, próximo a uma área que mais tarde virou uma plantação de hortalicias distribuidas á comunidade e no refeitório da fábrica, afirmou ainda que, uma das operações da linha do antigo bandeirantes consistia em: preencher um grande caldeirão com diversos produtos quimicos para usinar as peças e quando essas peças eram jogadas nesse recipiente, exarava uma fumaça tóxica escura em um ambiente fechado com os trabalhadores respirando, como consequência, diz ter presenciado a retirada de pássaros e gatos mortos no prédio da usinagem com pás , quando retornavam do final de semana, antes do expediente começar.

Jovelino Gil,procurou a direção da empresa para alertar sobre os riscos á saúde dos funcionários mas, foi advertido para que não se envolvesse.

Ainda, segundo ele, a CETESB circulava com frequência pelas dependências da empresa sem que nada disso resultasse em providências visíveis.

O absurdo paradoxo: quem denuncia é quem responde a processo?

Eis o ponto mais revoltante da história. Diante da repercussão nas redes sociais das falas de Jovelino Gil e de outro ex-funcionário, sobre o crime ambiental , a resposta institucional da Toyota não foi investigar as próprias plantas industriais. E sim, armar uma emboscada, contratar uma das maiores bancas de advocacia do Brasil para protocolar notícia-crime por calúnia e difamação contra os denunciantes, em uma tentativa de intimidar quem a denuncia.

A estratégia da empresa se mostrou equivocada, quando a policia civil, representante da CETESB, e o instituto de criminalistica, cumprindo madado de busca e apreensão autorizado pelo juiz, constatou a veracidade dos fatos, colhendo material para análise e conclusão de um laudo técnico a ser apresentado pela policia cientifica.

Mas, estranhamente , o inquérito que transformou a empresa em investigada e apura se a Toyota cometeu homicídio culposo, contra seus próprios trabalhadores caminha, nas palavras dos próprios envolvidos, “a passos lentos”. até hoje , quase dois anos após o cumprimento do mandado de busca e apreensão, o laudo técnico do IC-Instituto de Criminalistica não foi apresentado nos autos do inquérito policial.

A inércia do poder público: um silêncio ensurdecedor

Se a Justiça se move devagar, o restante do aparato público parece simplesmente ter decidido não se mover e ignorar os fatos.

Jovelino Gil não bateu apenas às portas do Ministério Público do Trabalho e do Ministério Público Federal. Ele também protocolou manifesto público na Câmara de Vereadores de São Bernardo do Campo, no gabinete do Prefeito da cidade e na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), além de gabinetes de diversos deputados estaduais.

O resultado, até aqui, é o silêncio, nenhuma manifestação pública robusta, nenhuma comissão de inquérito, nenhuma cobrança institucional visível de uma das maiores prefeituras do ABC Paulista ou do Legislativo estadual diante de indícios e provas de contaminação química que, segundo os próprios laudos da CETESB, atingiu o lençol freático de uma área densamente povoada.

Jovelino Gil, o Marrom, Ex diretor sindical, ex funcionário da Toyota, denunciante no Ministério Público.

O silêncio das autoridades se justifica nos milhões de reais que a empresa “doa” para as campanhas políticas dos candidatos a prefeito, vereadores, deputados, senadores, etc, com isso, formam bancadas de representantes que atendem não aos interesses publicos mas os interesses de quem patrocina as campanhas, vide o escândalo do banco Master.

A Conexão com os Fatos Denunciados no ABC Paulista e o Crime Organizado: O Mesmo Modus Operandi

Agora, tracemos a linha que conecta esta denúncia específica à realidade macro que o Brasil enfrenta,recentemente escancarada nas entrevistas de dois dos maiores líderes do crime organizado do País, classificados como terroristas pelo governo dos EUA:,Fernandinho Beira-Mar e Marcinho VP.

Ambos, em depoimentos à CPI do Narcotráfico, descreveram com frieza como o crime organizado financia campanhas políticas. Eles explicaram que o investimento em políticos não é caridade; é um negócio.

Em troca do financiamento da campanha, os grupos criminosos compram proteção, informações privilegiadas, facilidades para operar e a garantia de que a lei não os alcançará.

O que se denuncia no caso Toyota é exatamente o mesmo mecanismo, apenas vestindo um terno e gravata. Troque “tráfico de drogas” por “tráfico de influência” e “facção criminosa” por “relações obscuras corporativas”, são os mesmos elementos travestidos em uma roupagem “black tie”.

A fala de Fernandinho Beira-Mar e Marcinho VP não é uma realidade paralela. Ela é o espelho brutal de um sistema político e econômico que, em diferentes níveis, se alimenta de recursos ilícitos. A denúncia contra a Toyota mostra que essa lógica não está confinada às sombras do tráfico de drogas/terrorismo; ela está infiltrada nas relações de trabalho, nas assembleias sindicais e no financiamento de campanhas de políticos que, uma vez eleitos, deveriam representar o povo, não os interesses de um conluio que lesa o trabalhador e a sociedade brasileira.

A captura das instituições pelo poder econômico e político, produz impunidade , transforma as instituições públicas em vassalos das grandes corporações. o dinheiro se converte em blindagem, compra tempo, silêncio, arquivamentos, prescrições e narrativas.

BÁRIO, CHUMBO, NIQUEL, SOLVENTES, DESENGRAXANTES E CIANETO DE POTÁSSIO, um crime ambiental grave , pessoas contaminadas, vidas desperdiçadas. E um silêncio ensurdecedor. Não há ausência de lei , há escolha de quem será alcançado e submetido a ela,quando silenciada a denuncia,o que há é esvaziamento das instituições.: Ministério Público, poder executivo,legislativo, e judiciário.

Passados mais de dois anos, o laudo técnico ,que poderia confirmar ou afastar, com base pericial técnica, a contaminação do solo denunciada por ex-funcionários, ainda não foi concluído.

Não há explicação oficial satisfatória para a demora. O que existe é a suspeita, externa de que fatores alheios à rotina pericial estejam atrapalhando a entrega do laudo, cujo o resultado é de interesse público.

O 3º DP que não entrega uma perícia. Uma prefeitura leniente que não se posiciona. Uma Assembleia Legislativa que recebe manifestos e os arquiva.

Esse é o quadro que se desenha enquanto trabalhadores adoecidos e famílias enlutadas seguem esperando por respostas, ao mesmo tempo que a empresa aciona sua máquina jurídica contra quem ousa denuncia-la.

Foto constatando irregularidades no local- fonte: mandado busca e apreensão-inquérito policial 3º DP/SBC

O precedente de Londres que coloca o a matriz japonesa na mira.

Foi justamente por perceber os limites da responsabilização, a corrupção institucionalizada no Brasil, que as vítimas de Mariana buscaram uma alternativa ousada: processar a BHP Group, controladora estrangeira da Samarco, diretamente no Tribunal de Londres, onde a mineradora tem sede corporativa.

A ação, patrocinada pelo escritório britânico Pogust Goodhead, reúne centenas de milhares de vítimas brasileiras e representa uma das maiores ações coletivas transnacionais já ajuizadas, fundamentada na tese de que a responsabilidade de uma matriz estrangeira por danos causados por sua subsidiária no Brasil pode, sim, ser exigida na jurisdição de origem da controladora, sobretudo quando o sistema de justiça local se mostra insuficiente, moroso, eivados por tráfico de influência e ralações obscuras.

A pergunta que o caso Toyota-SBC coloca é inevitável: se vítimas de Mariana conseguiram levar a BHP a um tribunal em Londres e alcançar , apenas na primeira fase, indenização de £27 bilhões (cerca de R$186 bilhões), por que trabalhadores e ex-trabalhadores da Toyota do Brasil não poderiam buscar responsabilizar a Toyota Motor Corporation, matriz japonesa, perante os tribunais do Japão?

Os elementos estruturais que sustentaram o caso BHP em Londres parecem, guardadas as proporções, replicáveis aqui:

(i) subsidiária brasileira integralmente controlada pela matriz estrangeira, com capital social de bilhões de reais e única sócia:a Toyota Motor Corporation;

(ii) indícios técnicos de dano ambiental e à saúde humana documentados por órgão público (CETESB) desde pelo menos 2008;

(iii) sinais de morosidade e possível insuficiência da resposta institucional doméstica do inquérito policial parado, ausência de laudo pericial mais de dois anos após a apreensão de material para análise; e

(iv) um número potencialmente expressivo de vítimas ,trabalhadores, ex-trabalhadores e, possivelmente, moradores do entorno que hoje carecem de uma instância capaz de obrigar a matriz japonesa a responder pelos atos de sua controlada brasileira.

Uma ação transnacional contra a Toyota Motor Corporation no Japão não seria apenas um instrumento de reparação financeira. Seria, sobretudo, uma forma de tirar o caso do compasso de espera institucional que hoje o mantém andando “a passos lentos” e de submeter a decisão sobre a vida e a saúde de trabalhadores brasileiros ao escrutínio de uma jurisdição onde a matriz não pode simplesmente esperar o tempo passar.

O que está em jogo?

Restam perguntas que autoridades brasileiras seguem sem responder: por que o laudo pericial de julho de 2024 não foi concluído até hoje? Por que a Prefeitura de São Bernardo do Campo e a Assembleia Legislativa de São Paulo, formalmente notificadas por manifesto público, não se pronunciaram sobre indícios de contaminação ambiental em uma área que abrigou, por seis décadas, uma das maiores fábricas do país?

E, por fim: quantas famílias mais precisarão enterrar seus entes queridos até que o caso Toyota-SBC receba o mesmo escrutínio internacional que, alcançou a BHP no caso do crime ambiental cometido em Mariana?

Enquanto essas respostas não vêm das autoridades brasilieiras, a via transnacional deixa de ser apenas uma hipótese , e passa a ser, para as vítimas, talvez a única rota possível de alcançar justiça.

Reportagem baseada em documentos públicos, laudos técnicos da CETESB, boletins de ocorrência, termo de declarações prestado à autoridade policial e peças processuais relacionadas ao caso.

Novidades

Torta de nozes perfeita para a sobremesa de Natal

Veja também: torta de amendoim Essa receita da chef Helô Bacellar é uma sobremesa simples, crocante e ideal para o almoço de final de...

Sobremesa de domingo: veja receita de mousse de doce de leite

Veja também: mousse de goiabada A goiabada, tão consumida pura, pode brilhar como base de diversos doces, é o caso desse mousse. Com textura...

Frota de ônibus elétricos de São Paulo ganha 120 …

A Prefeitura de São Paulo entregou na última segunda-feira (22) mais 120 novos ônibus elétricos para transportar a população da capital. Agora, a frota...

Anac atualiza regras para transporte de power …

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) atualizou as regras para o transporte de carregadores portáteis (power banks) em voos. As medidas têm o...

FILMES CLÁSSICOS VOLTAM À TELONA

Filmes clássicos que marcaram gerações, como “Uma Linda Mulher” e “Ghost”, voltam às telonas a partir de amanhã com a série “Kinostalgia”, da rede...