Moda para inglês não ver: a rebeldia artística de JW Anderson

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Em humor inglês irônico, o estilista britânico desfila sua nova coleção na semana de moda de Londres com "cutucadas" à crítica de arte tradicional.

Ainda que alguns fashionistas continuem insistindo nos sapatos de sapo e bolsas de pombo que JW Anderson criou no passado, os mais atualizados já estão mergulhados no minimalismo experimental do estilista britânico. Enquanto na Loewe ele se permite a excentricidade, em sua marca homônima (que desfila no calendário londrino) a direção é outra – e não é “só para inglês ver”. A coleção da vez, para o verão do 2025, parece mesmo uma versão mais fresca de sua última aventura: os recortes em camadas, as texturas e volumes estranhos (desejo!) seguem vivos, mas sem a rigidez das massas de modelar que giraram cabeças há um ano.

Aqui, “fluidez” é uma palavra mais correta, mesmo que nem tudo tenha espaço para voar. Nessa estação, Anderson economizou no tecido – seus vestidos são mini, à la anos 1960 de Mary Quant, as saias só existem no lado da frente, os decotes são fundos e alguns poucos suéteres-regata têm perfume de upcycling. É, indubitavelmente, londrino, mas não particularmente óbvio.

Anderson, afinal, é um desses personagens mistos (meio na moda, meio na arte) que não costumam ter ambição por rótulos. Em poucas palavras, é um tipo difícil de ler – o terror dos superficiais! Talvez, por isso, seja natural buscar nas estampas uma resposta: além daquelas que pareciam moletons, escondidas entre looks de paetê, um trecho do livro “Art”, do filósofo e crítico inglês Clive Bell (1914), aparece nos vestidos. If it doesn’t ring a bell… o colega de Virgina Woolf ficou famoso por suas próprias opniões rigorosas sobre arte. Era um formalista duro para quem, colocando a emoção de lado, uma obra de arte só podia ser julgada como tal enquanto objeto estético. Evocações ou inspirações? Irrelevantes.

A ousadia aqui, com bastante humor britânico, é a de que Anderson está longe desse tipo de formalismo. Sua moda (enquanto arte ou não), precisa ser interpretada enquanto movimento pessoal, subjetivo. Não é “só para inglês ver”. É para comprar também!

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