DNA Capital atrai J&J Impact Ventures, BTG e BNDES em novo fundo de saúde de até R$ 500 milhões

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A gestora DNA Capital realizou o first closing de seu segundo fundo para investir em startups de healthtech. Nessa fase, captou R$ 300 milhões de um alvo de R$ 500 milhões, o que pode ser um dos maiores veículos de early growth focados em saúde no Brasil.
O DNA VC II, nome do fundo, tem como investidores-âncora BNDES, Desenvolve SP, BTG Pactual e a J&J Impact Ventures, fundo de investimento da Fundação Johnson & Johnson, que fez seu primeiro compromisso em um fundo brasileiro.
O family office da família Bueno, dona dos laboratórios Dasa e da rede de hospitais Ímpar, que fez uma joint venture com a Amil, também ancora o fundo. Pedro Bueno é um dos fundadores e sócio da DNA Capital, mas não participa da tomada de decisão nos investimentos.
“O Brasil tem escala, capital humano e problemas grandes o suficiente para gerar boas empresas de saúde”, afirma Luiz Henrique Noronha, sócio da DNA Capital, em entrevista exclusiva ao NeoFeed. “As ineficiências do sistema são, ao mesmo tempo, o maior desafio e a maior oportunidade.”
Especializada exclusivamente no setor de saúde desde 2013, a DNA Capital já investiu mais de R$ 4,3 bilhões ao longo de sua história em suas teses de venture capital e private equity e distribuiu mais de R$ 8,1 bilhões a seus cotistas. O portfólio inclui mais de 27 empresas de saúde.
A gestora mantém a estratégia que marcou seu primeiro fundo de venture capital: portfólio concentrado, atuação próxima às investidas e foco em empresas com modelos de negócio já validados, que usam tecnologia para ganhar escala e eficiência no sistema de saúde.
A tese segue ancorada em software para saúde, inteligência artificial aplicada ao setor e serviços escaláveis habilitados por tecnologia, conhecidos como tech-enabled services. A lógica é tratar a tecnologia como meio – e não como fim – para resolver ineficiências do sistema, como fragmentação, custos elevados e baixa integração de dados.
“A tecnologia só faz sentido quando ajuda a tornar a saúde mais eficiente e menos cara”, afirma José Eduardo Guinle, sócio da DNA Capital. “A gente busca modelos que aumentem a produtividade e reduzam o custo estrutural da saúde.”
Em seu primeiro fundo, levantado em 2018, a DNA Capital captou quase R$ 280 milhões e fez seis investimentos. O portfólio inclui nomes como Beep Saúde, plataforma de serviços médicos domiciliares do país avaliada em R$ 1,5 bilhão em sua última rodada; a Memed, de prescrição digital utilizada por mais de 150 mil médicos; a Sanar, focada em educação médica; e a Feegow, que foi vendida para a Doctoralia, na primeira saída do portfólio da DNA Capital.
No novo fundo, a expectativa é investir em sete a nove empresas, entre rodadas Série A e B, com cheques maiores do que no primeiro veículo. “No menor cenário, faremos cheques de R$ 30 milhões. No maior, entre R$ 60 milhões e R$ 80 milhões”, afirma Noronha.
Por ser um fundo que investe em poucas startups, a DNA Capital adota uma atuação próxima às startups em que investe, com envolvimento direto na definição da estratégia e na construção do modelo de negócios.
Um dos exemplos dessa estratégia é a Beep Saúde, que entrou no portfólio ainda em estágio inicial. Na época, a empresa operava com um modelo baseado em médicos atendendo em domicílio.
Com apoio da gestora, a Beep redesenhou sua proposta, passando a focar em serviços como vacinação, exames e infusão de medicamentos em casa, apoiados por tecnologia para roteirização, agendamento e controle operacional.
A DNA também teve papel ativo na abertura de caminhos comerciais, ajudando a aproximar a empresa de grandes operadoras de saúde e trazendo parceiros estratégicos para o captable, como a Bradesco Saúde, o que viabilizou a escala do modelo e a ampliação do acesso ao serviço.
“A gente se envolve de perto porque acredita que é na construção do negócio, e não só no cheque, que o valor é criado”, diz Guinle. “Nosso papel é ajudar o empreendedor a tomar decisões melhores, usando o conhecimento que acumulamos ao longo dos anos em saúde.”
A aposta ocorre em um momento em que o mercado brasileiro de saúde combina escala e ineficiência. O Brasil é o terceiro maior mercado privado de saúde do mundo, com gastos superiores a US$ 100 bilhões por ano, mas apenas cerca de 25% da população tem acesso a planos privados.
Para a DNA Capital, esse desequilíbrio cria espaço para soluções que aumentem a produtividade, reduzam os custos operacionais e ampliem o acesso sem deteriorar a qualidade do cuidado.
Na avaliação da gestora, o setor reúne condições particularmente favoráveis para a aplicação de inteligência artificial, dado o volume de dados ainda fragmentados e pouco estruturados. A oportunidade, no entanto, depende de modelos que consigam capturar valor sem pressionar ainda mais o custo do sistema.
Apesar desse mercado gigantesco, o Brasil ainda não tem nenhum unicórnio na área de saúde, como são chamadas as startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão.
De acordo com dados da Sling Hub, plataforma que acompanha a movimentação do mercado de venture capital brasileiro, os investimentos em healthtechs somaram US$ 168,7 milhões em 2025 – o dado inclui equity, dívida e FIDCs. Foram 42 rodadas no período. Nos três primeiros meses de 2026, os aportes somaram US$ 35,1 milhões, em apenas quatro rodadas.
“Saúde é um setor em que se cria muito valor, mas é difícil capturar esse valor, o que limita avaliações explosivas como as vistas em software puro ou marketplaces”, afirma Noronha. “Em saúde, há mais restrições regulatórias, ciclos mais longos e margens pressionadas pelo próprio funcionamento do sistema.”
Outra explicação é que há poucos fundos de venture capital especializados em saúde – os gestores horizontais, agnósticos de tese, buscam startups que escalam mais rápido, sendo fintech uma tese preferida de muitas casas que atuam no Brasil.
Além da DNA Capital, quem atua com foco em saúde são a Yaya Capital, gestora de integrantes da família Moll, controladora da Rede D’Or, e a Green Rock, ligada às famílias Salomão e Zoppi, que venderam o laboratório Salomão Zoppi para a Dasa por R$ 600 milhões, em 2017.
A captação da DNA Capital é mais uma que consegue romper a barreira, depois de um longo período em que ficou difícil levantar recursos para investir em startups, após a correção que aconteceu no mercado por conta dos excessos dos anos de liquidez de 2020 e 2021.
Atualmente, há mais de 40 gestoras de venture capital no mercado brasileiro captando recursos, segundo apurou o NeoFeed. Mas a maioria delas não tem conseguido levantar recursos ou tem fechado seus fundos abaixo da meta de captação.
Mesmo assim, gestoras com track record e tradição no mercado, no entanto, têm conseguido atrair investidores para seus novos fundos. São exemplos Astella Investimentos, Canary, Valor Capital, OneVC, Big Bets, Volpe Capital e Spectra.

Fonte: Neofeed

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