conversa nostálgica nas redes inspira Hinode

Belezaconversa nostálgica nas redes inspira Hinode

Comentário que sugeria unir chocolate e cereja na perfumaria mostra como a escuta das conversas digitais pode aproximar marcas de novos comportamentos de consumo

As redes sociais já não funcionam apenas como vitrine para aquilo que as marcas lançam. Entre comentários, resenhas, desejos e conversas espontâneas, elas também se tornaram um espaço em que consumidores antecipam comportamentos, identificam lacunas e ajudam a colocar novas ideias em circulação. Na beleza, onde comunidades cada vez mais especializadas discutem ingredientes, texturas, notas e tendências, acompanhar essas conversas pode revelar pistas sobre o que ainda nem chegou às prateleiras. Foi justamente em uma dessas interações que começou a história de Choco Cherry, body splash da Hinode vibez! da vez, ampliação de linha criada para receber edições especiais e colaborações dentro do universo de vibez! da Hinode.

Wel, um dos criadores do perfil Dupla Fragrância, havia pubicado nas redes sociais uma sugestão: por que não criar uma fragrância inspirada em Floresta Negra, combinando chocolate e cereja? A ideia nasceu de uma referência pessoal: o bolo favorito de Joanna, sua esposa e parceira no perfil, mas também da percepção de quem acompanha de perto os movimentos da perfumaria gourmand. A Hinode identificou o comentário e entrou em contato com a dupla para contar que levaria aquela combinação para o desenvolvimento de uma fragrância.

“Na verdade, a Joanna, minha esposa e parceira no Dupla Fragrância, é a maior fã dos gourmands. Me tornei um apaixonado por fragrâncias doces e percebia que faltava algo nesse universo de caramelos, pistache, algodão-doce, entre outros. Então imaginei algo inspirado na sobremesa preferida dela”, conta Wel.

O que os anos 80 têm a ver com essa história?

A sugestão também encontra eco em outro movimento de comportamento: a recuperação de referências afetivas de décadas passadas e sua releitura sob uma estética contemporânea. Popularizado no Brasil especialmente entre os anos 1980 e 1990, o bolo Floresta Negra transformou a combinação de chocolate, cereja e cremosidade em um código imediatamente reconhecível para diferentes gerações.

Na perfumaria, essa memória ganha uma nova interpretação justamente em um momento de evolução do território gourmand. Se por muito tempo a categoria esteve associada principalmente a notas açucaradas, hoje seu repertório se amplia com frutas, cacau e construções mais cremosas, além da ascensão dos acordes lactônicos, que remetem a leite, creme e texturas aveludadas. Assim, referências conhecidas são revisitadas por uma linguagem olfativa atual.

É esse encontro entre nostalgia e novos códigos da perfumaria que ajuda a explicar por que uma combinação tão familiar pode voltar a despertar interesse décadas depois. O que antes remetia à vitrine de uma confeitaria dos anos 80 reaparece ressignificado no universo da beleza.

Escutar também é inovar: Social listening para além da marca 

Para as marcas, esse novo fluxo muda a lógica tradicional da pesquisa de tendências. Social listening deixa de significar apenas monitorar o que está sendo dito sobre uma empresa e passa também por observar referências e comportamentos que surgem organicamente nas comunidades. Isso não substitui pesquisa, desenvolvimento ou estratégia de produto, mas acrescenta uma camada de escuta sobre aquilo que já mobiliza consumidores.

Para Sabrina Pinho, líder de Marketing Global e Inovação do SALC Group, o episódio também mostra como o social listening pode aproximar desenvolvimento de produto e comportamento de consumo. “Não é apenas acompanhar o que as pessoas dizem sobre as nossas marcas. É entender o que desperta desejo, quais referências estão voltando à conversa e como o consumidor ressignifica tendências. No caso de Choco Cherry, encontramos uma sugestão muito genuína, que conectava uma memória afetiva, o Floresta Negra, a um movimento atual da perfumaria gourmand. Transformar essa escuta em produto foi uma forma de materializar uma conversa que já estava acontecendo”, afirma ela.

Para Wel, ver uma conversa espontânea sair das redes e ganhar materialidade também mudou sua percepção sobre esse diálogo. “Não fazemos sugestões com tanta frequência, mas, depois dessa experiência com a Hinode, passamos a valorizar ainda mais esse tipo de conteúdo sugestivo às marcas.”

No fim, a trajetória de Choco Cherry inverte um pouco a dinâmica mais conhecida das redes sociais: desta vez, não foi um lançamento que gerou conversa. Foi uma conversa que ajudou a gerar um lançamento.

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