O que acontece quando o espelho começa a mostrar uma mudança que ainda não sabemos nomear? Dos autorretratos de Rembrandt à cirurgia facial contemporânea, uma reflexão com o Dr. Ricardo Brito sobre identidade, Deep Plane e a confiança de entregar o próprio rosto aos cuidados de alguém.
A luz que não esconde o tempo
Rembrandt voltou ao próprio rosto muitas vezes. O jovem que aparece nos primeiros autorretratos envelhece diante de nós; a luz muda, a pele muda, a expressão também. Ainda assim, não temos a impressão de estar diante de pessoas desconectadas. Existe uma vida atravessando aquelas imagens.
Em um autorretrato de sua juventude, boa parte da face permanece na sombra. Para percebê-la, precisamos ficar. Essa pequena demora me parece preciosa em um tempo que nos ensinou a decidir depressa se um rosto está bonito, cansado, jovem ou velho. Um retrato permite outra coisa: olhar antes de julgar.
Com o próprio rosto, nem sempre temos essa paciência. Às vezes, a mudança acontece devagar até que uma fotografia a torna evidente. O contorno parece diferente, o pescoço chama atenção, alguém pergunta se estamos cansados num dia em que nos sentimos bem.
O incômodo não está apenas no que aparece; pode estar na distância entre a imagem que o mundo vê e aquela com a qual ainda nos identificamos.
Também não existe uma resposta obrigatória para esse sentimento. Uma pessoa pode escolher acolher as mudanças da idade. Outra pode desejar cuidar de algo que passou a incomodá-la. Nenhuma precisa provar que é segura de si rejeitando a cirurgia, nem justificar seu valor escolhendo fazê-la. O desejo de mudar merece ser ouvido sem que o envelhecimento seja tratado como defeito.
É por isso que me interessa o trabalho do Dr. Ricardo Brito. Depois de se formar na Escola Bahiana de Medicina e aprofundar sua formação no Rio de Janeiro, ele voltou a Salvador e direcionou sua prática à cirurgia da face. É uma escolha que exige precisão, mas também consciência do que não pode ser reduzido a medidas: um rosto é o lugar onde alguém foi reconhecido a vida inteira.
Entre as técnicas presentes em sua atuação está o Deep Plane Facelift, uma abordagem de lifting que permite trabalhar estruturas mais profundas da face, em vez de depender apenas da tração da pele. O nome pode despertar curiosidade e até esperança. Mas uma técnica não sabe, por si só, o que uma pessoa deseja preservar. Ela não ouve o medo de parecer diferente demais, não conhece a vida que continuará depois da cirurgia. Para isso, é preciso um médico disposto a começar pela conversa.

Dr. Ricardo Brito | Cirurgião Plástico
Cirurgia da Face · CRM-BA 34146 | RQE 29040
Antes de me confiar o rosto, a pessoa precisa se sentir ouvida
Uma paciente pode chegar sabendo exatamente o nome do procedimento que pesquisou. Outra consegue apenas apontar para o rosto e dizer que alguma coisa mudou. Nos dois casos, preciso ir além da primeira frase. Quero compreender há quanto tempo ela se sente assim, o que espera da cirurgia e o que, em hipótese alguma, gostaria de deixar de ver em si.
Dedico meu trabalho à cirurgia da face e valorizo profundamente a técnica. O Deep Plane me permite, quando bem indicado, atuar no reposicionamento de tecidos em um plano mais profundo. Há estudo e decisões muito precisas por trás disso. Mas seria um erro deixar que o nome de um procedimento conduzisse a consulta antes de eu conhecer a pessoa.
Nem toda queixa precisa da mesma extensão de cirurgia. Se alguém me procura por uma mudança concentrada no terço inferior ou no pescoço, devo avaliar essas regiões e o conjunto do rosto, sem transformar automaticamente aquele desejo em uma intervenção maior. Em outros casos, uma abordagem limitada talvez não responda ao que encontramos. É meu dever explicar a diferença com honestidade, inclusive quando a melhor orientação é esperar ou não operar.
Uma das perguntas que percebo por trás de muitas dúvidas é: “Vou continuar parecendo comigo?” Não posso responder a isso com uma promessa. Posso ouvir o que essa pergunta significa para aquela paciente, avaliar sua anatomia, discutir possibilidades e riscos e construir um planejamento que respeite seus traços e suas expectativas.
A confiança não nasce quando digo que tudo ficará perfeito. Nasce quando a pessoa pode perguntar sem constrangimento, compreender os limites do que proponho e participar da escolha. Há coragem em me confiar um rosto; preciso corresponder a ela com discernimento, não com pressa.
Estar presente também faz parte da cirurgia
O trabalho técnico ocupa muitas horas de preparo e exige atenção a cada etapa da cirurgia. Mas a vida da paciente não se organiza em torno do dia em que operamos. Antes, houve tempo para decidir. Depois, haverá recuperação, dúvidas e o processo de se olhar novamente enquanto o corpo ainda está mudando.
É fácil falar sobre um resultado quando se vê apenas uma fotografia. Quem passou pela cirurgia vive também os dias entre uma imagem e outra. Pode querer saber se o que sente é esperado, precisar que uma orientação seja repetida ou simplesmente buscar a segurança de que está sendo acompanhada. Não considero essas perguntas menores do que as decisões tomadas no centro cirúrgico.
Quero que a paciente entenda que o acompanhamento faz parte do tratamento desde o início. Isso não significa prometer uma recuperação sem dificuldades ou dizer que todos viverão a experiência da mesma maneira. Significa estar atento, explicar com clareza e assumir a responsabilidade de continuar presente quando a cirurgia já terminou.
Às vezes, pensamos no legado de um cirurgião como o resultado que ele deixa. Eu também penso na forma como uma pessoa foi tratada ao longo do caminho: se conseguiu dizer do que tinha medo, se recebeu uma indicação honesta, se soube a quem recorrer depois.
A técnica importa muito. A relação de confiança que a sustenta também.

Larissa Laurianno Brand Artist e Diretora Criativa
FŌRMA – Governança Estética e Curadoria de Legado Médico
O rosto que volta para casa
Um pintor pode permanecer diante de um rosto até encontrar a luz que deseja. Um cirurgião não trabalha sobre uma tela. Essa diferença importa: a medicina lida com um corpo vivo, com riscos, limites e uma pessoa que terá de habitar aquela decisão todos os dias.
A aproximação com a arte não está em chamar a cirurgia de obra. Está em lembrar que olhar com atenção muda o que somos capazes de perceber.
Talvez seja essa a parte mais difícil de explicar quando falamos de cirurgia facial.
A paciente não leva para a consulta somente a imagem que gostaria de mudar. Leva a memória de quem foi, os traços que a família conhece, o modo como aprendeu a se ver e a expectativa, às vezes tímida, de sentir mais familiaridade com o próprio reflexo. Nenhuma técnica alcança tudo isso sozinha.
O Deep Plane trabalha em profundidade no sentido anatômico. A outra profundidade, a humana, aparece nas escolhas que cercam sua indicação: ouvir antes de propor, reconhecer quando a cirurgia não é o caminho, explicar o que ela não pode garantir e acompanhar a pessoa quando a parte mais visível do trabalho médico já passou.
Volto aos retratos de Rembrandt e penso que não reconhecemos alguém porque seu rosto permaneceu intacto. Reconhecemos apesar das mudanças, pela continuidade difícil de medir entre a imagem e a vida que ela guarda. Talvez o desejo de uma paciente não seja recuperar exatamente quem aparece numa fotografia antiga. Talvez ela queira seguir adiante sem sentir que precisa se despedir de si mesma.
Nenhuma cirurgia pode prometer esse sentimento. Ainda assim, ele ajuda a compreender a responsabilidade envolvida em cada decisão. Um rosto sai do centro cirúrgico e volta para casa. Volta às conversas à mesa, aos encontros, ao trabalho, às pessoas que o conhecem de perto; volta, sobretudo, ao espelho de uma manhã comum.
É para essa vida, e não apenas para uma fotografia de depois, que o cuidado do Ricardo precisa fazer sentido. Talvez seu legado esteja também aí: na precisão de saber o que fazer e na sensibilidade de nunca esquecer quem continuará vivendo naquele rosto.
“Cada rosto carrega uma história única. Meu papel é preservar essa história com mais harmonia.”, Dr. Ricardo Brito
THE LEGADO – Volume V
O tempo no rosto: entre o retrato de uma vida e a delicadeza de continuar se reconhecendo.
Autoridade clínica: Dr. Ricardo Brito – Cirurgião Plástico · @dr.ricardobrito @clinicareveli
Idealização e direção criativa: Larissa Laurianno · FŌRMA · @larissalaurianno · @formade.br
Salvador, Bahia
