Surto de ciclosporíase expõe um sistema de saúde …

Sociedade e Bem-EstarSaúde MentalSurto de ciclosporíase expõe um sistema de saúde …

Por Heather Schlitz

YPSILANTI, Michigan, 4 Set (Reuters) – Durante o auge do surto de ​ciclosporíase, Dea Lancaster deixou de lado suas funções habituais como coordenadora de enfermagem no Departamento de Saúde do Condado de Washtenaw, em Michigan, para ligar para os pacientes, perguntando sobre seus sintomas e rastreando os alimentos contaminados que haviam consumido.

O estresse de lidar com um dos maiores surtos de doenças transmitidas por alimentos nos Estados Unidos em décadas lhe rendeu um tique no olho, enquanto telefonava para dezenas de pacientes por dia, compartilhava a angústia de colegas sobrecarregados e recorria ao humor ácido para enfrentar a situação.

“Foi muito cansaço, ligações e digitação”, disse Lancaster, de 44 anos. “Era estar ocupada no trabalho e morrendo de fome, mas precisando registrar o histórico alimentar dos pacientes e ficava apavorada só de pensar em comer o que eles estavam comendo. Não foi uma boa época.”

O surto pode representar um novo — e arriscado — normal: um sistema de saúde pública que, segundo alguns ⁠especialistas, foi enfraquecido por ⁠décadas de subfinanciamento, especialmente na área de segurança alimentar, e ​ainda mais ‌esvaziado pelos cortes do governo Trump, deixando o país menos capaz de detectar e conter surtos. A ciclosporíase é uma doença parasitária que causa diarreia explosiva, dor abdominal e fadiga, mas raramente é fatal.

“O que estamos vendo neste verão (no hemisfério norte) demonstra as vulnerabilidades do sistema e o que acontece quando ele é submetido à pressão”, disse Barbara Kowalcyk, especialista em segurança alimentar da Universidade George Washington.

“Antes, ⁠tínhamos uma mão amarrada nas costas; agora, temos as duas”, disse Kowalcyk.

ALFACE CONTAMINADA

Em 16 de julho, a Agência ​de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) ​associaram um surto — que, segundo as entidades, já afetou mais de 11.000 pessoas em ‌20 Estados — à alface iceberg picada ​servida ⁠nos restaurantes da rede Taco Bell. Duas pessoas morreram.

No dia seguinte, as agências confirmaram que a alface é originária de operações no México da empresa norte-americana de hortifrutigranjeiros Taylor Farms. A Taylor Farms emitiu um recall no mesmo dia.

Autoridades de saúde pública de Michigan afirmaram que o anúncio do governo ocorreu tarde ​demais. Naquela altura, o condado de Washtenaw já estava sobrecarregado com casos. Autoridades estaduais garantem que a alface está novamente segura para consumo, mas o surto de ciclosporíase levantou questões sobre até que ponto os EUA estão preparados para responder ao próximo surto.

Enquanto Michigan se esforçava para conter o surto, profissionais de saúde deixaram de lado suas funções habituais. Uma enfermeira parou de aplicar vacinas e alguns inspetores de restaurantes suspenderam as inspeções ​sanitárias para ligar para centenas de pacientes doentes.

No final de junho, semanas antes do anúncio do governo dos EUA sobre o surto, autoridades de saúde de Michigan alertaram a FDA e o CDC sobre um número incomumente alto de casos de ciclosporíase. Em 4 de julho, enquanto as pessoas organizavam churrascos e piqueniques para o feriado do Dia da Independência, Michigan aconselhou os moradores a evitar alface e algumas outras frutas e vegetais. O diretor médico do Estado afirmou que a medida provavelmente evitou mais infecções.

Mas, nas semanas que antecederam o anúncio federal, a doença se espalhou rapidamente por Michigan e pelo país. O condado de Washtenaw, que registrava alguns casos por dia no final de junho, já registrava 80 casos por ​dia em meados de julho.

A FDA defendeu sua resposta, afirmando que conduziu rapidamente a análise para rastrear o alimento contaminado.

“Foi somente depois que os Estados ‌receberam as informações necessárias dos fornecedores, em 13 de julho, ⁠que a FDA pôde usar essas informações para determinar qual produto era o provável veículo da contaminação”, disse um porta-voz da FDA.

A Taco Bell informou que retirou voluntariamente a alface da Taylor Farms de seus restaurantes. Um porta-voz da Taylor Farms disse que a empresa recolheu rapidamente ⁠a alface afetada e contratou especialistas independentes para revisar seus protocolos de segurança alimentar.

“Estamos confiantes em ⁠nossos alimentos e em nossos sistemas de segurança alimentar e continuaremos ⁠a ser transparentes à medida ⁠que ​mais informações forem disponibilizadas”, disse o porta-voz.

(Reportagem de Heather Schlitz em Ypsilanti, Michigan, e Julie Steenhuysen em Chicago. Reportagem adicional de Daniel Levine em San Francisco)

Fonte: antena1

Novidades

A vez do queijista – Estadão

Há uma diferença sutil que separa o queijeiro do queijista. O primeiro faz o queijo. O segundo vende, carrega mundo afora, corta com precisão,...

Ancestralidade à Mesa: quando a gastronomia preserva identidades e conta histórias

Cozinhar sempre foi um ato de transmissão entre gerações. Receitas atravessam o tempo carregando hábitos, crenças, modos de cultivo, rituais e afetos. O tempero que se aprende em família, o modo de preparar o grão, o corte específico da carne, o uso de ervas locais — tudo isso constitui patrimônio imaterial.

até onde a genética influencia os resultados -Sport Life

A genética é a ramo da biologia responsável pelo estudo da hereditariedade, os genes e das características que são transmitidas para cada...

Paulo Cesar Pradella Sales é nomeado Diplomat Civil em cerimônia oficial realizada em São Paulo

Reconhecimento internacional destaca compromisso com justiça, cidadania e bem-estar social entre as naçõesSão Paulo foi palco de um importante momento de reconhecimento institucional e...

Victoria’s Secret VSX Sports Bras acabou de receber um brilho 2025

A Victoria's Secret está elevando o bar em roupas ativas com a nova linha de sutiãs do VSX Sports. A campanha de 2025 é...