Dia da Mulher: Janaína Torres, Rosa Moraes e outras personalidades da gastronomia mandam seu recado para todas as mulheres

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O Dia Internacional da Mulher é celebrado todos os anos em 8 de março, data que homenageia conquistas e traz luz para a luta das mulheres no mundo todo. Neste dia, Paladar traz a mensagem de seis mulheres que são personalidades importantes da gastronomia brasileira, seja como chefs, cozinheiras ou especialistas.

Confira qual é a mensagem que cada uma delas, como mulheres acima de tudo, têm para passar.

Janaína Torres, chef do Bar da Dona Onça

A chef Janaína Torres Foto: Marcus Steinmeyer/ Divulgação

A melhor chef do mundo segundo o 50 Best 2024, Janaína Torres começa enfatizando que “nós temos todos os dias a tarefa de ser mulher, temos que cuidar de tudo, de filho, cuidar da vida, cuidar dos negócios. Todos os dias é o Dia da Mulher e temos uma missão diária muito importante que é cuidar desse mundo”.

Quando perguntada sobre o seu recado para as mulheres, ela conta que existem muitas coisas que precisam ser ditas, mas a luta contra o machismo é uma bandeira que ela própria sempre levanta e escolheu destacar. Ela conta que, nos últimos três anos, viveu um machismo muito violento e aprendeu a lidar com ele de forma mais leve, estudando cada vez mais sobre o assunto e sendo otimista. “Eu me reconstruí e fui estudar sobre o assunto, descobrindo uma evolução gradual e real”.

“Então, é preciso ser otimista e reconhecer, por exemplo, que o maior número de mulheres cozinheiras reconhecidas no mundo estão no Brasil, como Roberta Sudbrack e Helena Rizzo. Temos muito trabalho pela frente, mas há um reconhecimento já bastante trabalhado para as próximas gerações”.

Irina Cordeiro, chef do Irina e Cuscuz da Irina

A chef Irina Cordeiro na entrada de seu restaurante, o Cuscuz da Irina Foto: HELCIO NAGAMINE/ESTADAO

A chef Irina Cordeiro, por sua vez, afirma que seu maior desejo para as mulheres é a liberdade. “Isso é o que eu mais prezo na minha vida, que a gente possa ser livre em todos os sentidos, desde nossa emancipação financeira, nossas escolhas, a carreira que queremos seguir, o nosso hobby. Eu só posso desejar a mais profunda e sincera liberdade.”

Além dessa fala, a chef também dá um conselho que coloca em destaque a liberdade financeira. “Foi essa emancipação que mudou a minha vida. A gente não vai conseguir transformar o mundo e nossas vidas enquanto a gente depender financeiramente da estrutura familiar tradicional brasileira, na qual os homens são os proprietários dos bens e a gente fica como coadjuvante para realizar os sonhos deles. Eu desejo que a gente se emancipe.”

Aline Chermoula, cozinheira e pesquisadora de Comida Africana

Aline Chermoula, chef de cozinha e empreendedora Foto: Arquivo Pessoal/Aline Chermoula

A cozinheira, autora e pesquisadora de Comida Africana é especialista em culinária ancestral e passa seu recado para as mulheres: “seja fiel a quem você é e não se diminua para caber em espaços que não são feitos para você. Crie seus próprios caminhos, celebre suas vitórias e junte-se a pessoas que valorizam a sua luz. Cuide também do seu emocional e lembre-se sempre que somos merecedoras de prazer, amor, respeito e prosperidade”.

Para finalizar, ela aconselha: “nunca se esqueça da força que habita em você, a nossa História é tecida de amor, resiliência e coragem. Honre suas raízes, desejos e sonhos. O mundo pode até tentar nos silenciar, mas nossas vozes e nossa existência são revolucionárias”.

Rosa Moraes, presidente para o Brasil do The World’s 50 Best Restaurants

Rosa Moraes é embaixadora dos cursos de gastronomia e hospitalidade da Ânima Educação. Foto: Fabiana Kocubey

A presidente para o Brasil do The World’s 50 Best Restaurants e embaixadora de gastronomia da Ânima Educação é um exemplo de que não é preciso ter a sua vida inteira definida aos 18 anos. Ela brinca que já viveu muitas vidas e a gastronomia é uma fração da sua história que começou após os quarenta anos.

“Sempre dá tempo de começar e recomeçar. Todo mundo acha que eu sempre tive essa carreira de gastronomia, mas eu comecei aos 42 anos. Então, vá atrás dos seus sonhos, tenha muita resiliência, paixão e força. Além disso, ame muito, seja muito verdadeira e curta essa vida.”

Suzana Barelli, colunista de vinhos do Paladar

Suzana Barelli Foto: LEO MARTINS

Jornalista e socióloga de formação, Suzana Barelli, a nossa Su, é colunista de vinhos do Paladar e traz palavras carregadas de sabedoria e muitos sentimentos. “Meu recado é acreditar no seu potencial. Eu venho de um mercado muito particular e masculino. Quando comecei, lembro que eu era sempre a única mulher, e isso teve vantagens e muitas desvantagens, mas eu sempre acreditei no meu trabalho.”

Emocionada, ela conta que teve vários momentos de dúvida, mas sabia que era aquilo que queria fazer. “Acredite que você sabe fazer, vá atrás de quem possa te ajudar e, no final, dá certo. Eu acho que eu tenho uma história bem legal no mundo do vinho porque eu acreditei. E esteja sempre rodeada de pessoas que acreditem em você também.”

Além disso, a especialista dá o conselho de investir na própria educação e capacitação. “Eu acho que o diferencial começa em ter conhecimento e ser uma profissional completa.”

Isabela Raposeiras, proprietária do Coffee Lab

Isabela Raposeiras Foto: Alex Silva

A especialista em café e proprietária do Coffee Lab destaca a importância de cuidar da saúde mental. “Habitar a própria pele com conforto é o maior desafio da nossa vida. Então, não tem como não dizer que terapia salva, a gente tem que se saber para poder se movimentar no mundo de um jeito mais confortável.”

Para ela, ter a consciência de que existe um mundo masculino, machista e patriarcal também é algo importante a ser frisado. “Isso é real, não é mimimi, e isso está arraigado. Então, às vezes, a gente não percebe a extensão e a influência desse masculino adoentado que habita também nas mulheres. Temos que olhar para onde o nosso machismo nos machuca.”

Por fim, ela enfatiza: “A gente precisa contratar mais mulheres, chamar mais mulheres em um movimento consciente. Aqui no Coffee Lab eu dou preferência para mulheres em todas as seleções. A gente não pode se dar ao luxo de ser medíocre, então a chance de uma mulher ser melhor profissionalmente é muito maior”.



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