Simpar segue caminho de desinvestimentos e vende operações em porto da Bahia por R$ 1,8 bilhão

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A Simpar anunciou a venda de 100% de sua operação no porto de Aratu, na Bahia, para a ICTSI Americas por R$ 1,8 bilhão, sendo R$ 750 milhões de equity value e cerca de R$ 1 bilhão de dívida líquida.
O pagamento será feito em duas parcelas: R$ 650 milhões na conclusão do negócio e R$ 100 milhões em até 18 meses.
O CS Porto Aratu, que inclui os terminais ATU12 e ATU18, tem capacidade de movimentação de 9,5 milhões de toneladas por ano e opera com cargas de graneis sólidos e minerais. A transação precisa da aprovação do Cade e da Codeba.
A Simpar já havia realizado outros desinvestimentos, como a venda da Ciclus Rio e da Ciclus Amazônia, evidenciando sua estratégia de reciclagem de ativos.
No primeiro trimestre de 2026, a vertical CS Portos teve receita líquida de R$ 42 milhões, com um Ebitda positivo de R$ 6,9 milhões.
A Simpar reportou receita líquida de R$ 11 bilhões, mas um prejuízo de R$ 13,3 milhões.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A Simpar, holding que controla as marcas JSL, Movida, Vamos, Atomob, CS Infra, CS Brasil e BBC, anunciou nesta quinta-feira, 23 de julho, a venda de 100% de sua operação no porto de Aratu, na Bahia, para a ICTSI Americas.
O valor total da operação foi de R$ 1,8 bilhão, sendo R$ 750 milhões de equity value, e cerca de R$ 1 bilhão de dívida líquida da operação. Do montante pago aos acionistas, R$ 650 milhões serão pagos no fechamento do negócio, e R$ 100 milhões em até 18 meses, como earn-out.
Integram o CS Porto Aratu os terminais ATU12 e ATU18, que somam uma capacidade operacional de movimentação de 9,5 milhões de toneladas por ano (6 milhões de toneladas e dois berços de atracação no ATU12; e 3,5 milhões de toneladas no ATU18).
A empresa opera com cargas de graneis sólidos e minerais, como milho, soja, sorgo, fertilizantes e outros insumos para cadeias produtivas.
Segundo a Simpar, os investimentos realizados com capital próprio nos terminais alcançam R$ 128 milhões, o que representa um múltiplo de 5,8 vezes, em um prazo médio de 3,6 anos. Na prática, a operação rendeu para a empresa quase seis vezes do valor investido.
A transação precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pela Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba), empresa pública federal ligada ao Ministério de Portos e Aeroportos.
A ICTSI Americas é o braço na região da International Container Terminal Services (ICTSI), considerada a maior operadora portuária independente do mundo, com sede nas Filipinas.
No Brasil, o Porto Aratu será a terceira operação da empresa. A companhia controla o Tecon Suape, em Pernambuco, que tem capacidade anual de 700 mil de TEUs (medida padrão de um contêiner de 20 pés). A empresa também opera o Rio Brasil Terminal (RBT), localizado no porto do Rio de Janeiro.
A Simpar venceu a concessão dos dois terminais em leilão realizado em dezembro de 2020. No caso do ATU12, o prazo de concessão é de 25 anos, e o ATU18, 15 anos, com possibilidade de prorrogação até 2091. Na ocasião, os valores de outorgas pagos foram de R$ 62,5 milhões.
Segundo a holding, foram realizados aportes de cerca de R$ 900 milhões nos ativos, incluindo investimentos em inovação operacional e no próprio desenvolvimento das áreas. Em quatro anos, a capacidade operacional registrou ampliação de cinco vezes.
“Realizamos o desenvolvimento de um ativo logístico estratégico para o corredor agrícola do Matopiba [Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia], já apto a operar navios Panamax e com potencial para evolução para operações com navios Post-Panamax, ampliando sua competitividade e oportunidades futuras”, diz a Simpar, no documento.
A negociação do CS Porto Aratu é mais um movimento da Simpar no caminho da reciclagem de ativos e redução da alavancagem. Em agosto de 2025, a holding vendeu a Ciclus Rio, operadora de uma central de tratamento de resíduos, para a Aegea, por R$ 1,1 bilhão.
Em abril de 2026, a Simpar anunciou a venda de sua participação de 45% na Ciclus Amazônia, responsável pela gestão de resíduos sólidos de Belém, no Pará, para a Sustentare Saneamento, por R$ 121,5 milhões.
“Isso evidencia a capacidade da companhia de escalar e monetizar ativos de infraestrutura como pode ser visto no enterprise value combinado das três empresas de infraestrutura, totalizando R$ 3,9 bilhões, com taxa interna de retorno média de 36% ao ano, e um múltiplo sobre o capital investido de 2,9 vezes em um prazo médio de 3,3 anos”, explica a Simpar, no fato relevante.
No primeiro trimestre de 2026, a vertical CS Portos, onde está o CS Porto Aratu, registrou receita líquida de serviços de R$ 42 milhões, alta de 56% sobre o mesmo período do ano anterior.
O Ebitda foi de R$ 6,9 milhões, contra um resultado negativo de R$ 3,7 milhões no primeiro trimestre de 2025 e negativo de R$ 11 milhões no quarto trimestre de 2025.
As movimentações de cargas totalizaram 615 mil toneladas entre janeiro e março, 57% acima do primeiro trimestre do ano passado.
No resultado consolidado, a Simpar reportou receita líquida de R$ 11 bilhões no trimestre, alta de 6,1%. No entanto, a empresa apresentou prejuízo líquido de R$ 13,3 milhões, contra R$ 7,7 milhões de lucro líquido no primeiro trimestre de 2025. A alavancagem é de 3 vezes a relação dívida líquida sobre o Ebitda.
O balanço do segundo trimestre será divulgado no dia 14 de agosto. Procurada pelo NeoFeed, a empresa informou que não iria comentar a operação.
No acumulado de 2026, as ações da Simpar na B3 registram alta de 42,8%. Em 12 meses, a valorização é de 77%. A Simpar tem valor de mercado de R$ 4,3 bilhões.

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Fonte: Neofeed

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