A adoção de inteligência artificial ainda é um “bicho de sete cabeças” para pequenas e médias varejistas, segundo Laurent Tavares, CEO da Acelera Varejo. Para o executivo, os altos custos e a dificuldade de coordenar projetos fazem com que o uso da tecnologia ainda seja pontual no setor.
“Os investimentos ainda são muito caros. Não se sabe exatamente como coordenar esses projetos”, disse Tavaresem entrevista ao NeoFeed, durante o NeoSummit IA na Real.
Atualmente, a IA aparece principalmente em ferramentas que os varejistas já utilizam, como sistemas de gestão empresarial (ERPs) e plataformas de relacionamento com clientes (CRMs).
Segundo Tavares, ainda não há um uso integrado da tecnologia na maioria dessas empresas. “Não existe ainda um consenso ou um uso de maneira integrada da IA”, disse.
A falta de uma adoção estrutural também dificulta a mensuração dos resultados. O executivo afirma que a maior parte dos pequenos e médios varejistas ainda não consegue medir quanto os investimentos em IA geraram de retorno financeiro.
“Tudo é muito empírico. Ainda não tem esse levantamento”, afirmou. Em sua avaliação, as empresas ainda têm dificuldade para separar os ganhos conquistados com a IA daqueles decorrentes de mudanças em produtos, coleções ou equipes.
No entanto, o cenário pode mudar à medida que o acesso à tecnologia fique mais barato. Com ferramentas mais acessíveis, a expectativa é que os projetos poderão ganhar escala.
O avanço da IA também pode reduzir a distância de acesso entre pequenos e grandes varejistas. Tavares defendeu que a tecnologia permitirá que empresas menores escalem operações e tenham acesso a recursos que, até agora, dependiam de estruturas maiores de backoffice.
Entre as aplicações, Tavares cita melhorias no atendimento, logística, mix de produtos e sortimento das lojas. “Vai ajudar a nivelar o pequeno varejista aos grandes. A IA vai ajudar o pequeno varejista a chegar lá, a escalar e trabalhar melhor”, afirmou.
Para quem ainda não começou a investir em IA, Tavares recomenda não partir da ferramenta, mas do problema. Segundo ele, o varejista deve primeiro identificar uma dificuldade concreta do negócio e, a partir daí, buscar uma solução tecnológica.
O executivo compara a adoção da IA a outras tecnologias que se tornaram parte da rotina empresarial ao longo das últimas décadas, como planilhas, internet e redes sociais. Para ele, a inteligência artificial será mais uma etapa de aprendizado, impulsionada pelas necessidades de cada empresa. “Por onde começar, vai depender da dor de cada um”, disse.
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Fonte: Neofeed
