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A Copa do Mundo 2026 continua em movimento — literalmente. Longe das quatro linhas, uma das exposições mais comentadas do Mundial ocupa o Museu Nacional de Antropologia, na Cidade do México, onde a fotógrafa Annie Leibovitz apresenta “Fútbol 2026”, série que transforma craques em personagens de retratos quase escultóricos. E por trás da força dessas imagens está um brasileiro: Jorge Dorsinville.
Baiano radicado entre Nova York e Paris, Jorge é um dos nomes que evidencia uma profissão ainda pouco conhecida por aqui: a direção de movimento. Seu trabalho não é ensinar poses, mas revelar identidade por meio do corpo, traduzindo emoção, presença e narrativa em imagens estáticas. Foi essa sensibilidade que levou Annie Leibovitz a convidá-lo para dirigir o movimento dos atletas fotografados nos três países-sede da Copa.
Quarenta anos depois de registrar seu primeiro Mundial, Annie decidiu abandonar a ideia de retratos heroicos para buscar algo mais humano. “Já não me interessam os modelos, interessam-me as pessoas. Quero observar quais músculos estão trabalhando”, afirmou ao jornal El País. A missão de Jorge foi transformar essa visão em linguagem corporal, conduzindo jogadores como o francês Kylian Mbappé, o americano Christian Pulisic e o canadense Jonathan David para que cada imagem transmitisse muito mais do que performance: revelasse personalidade.
Não por acaso, esse mesmo olhar também atravessa a moda. Jorge é o responsável pela direção de movimento do desfile de alta-costura do estilista Robert Wun, um dos nomes mais autorais da semana de moda de Paris. Nas passarelas, assim como diante das lentes de Annie, ele trabalha para que cada passo, cada pausa e cada gesto façam parte da narrativa da coleção. “Meu trabalho foi ajudar Annie a traduzir essa visão verdade do corpo, dos músculos, da emoção e presença dos atletas em uma linguagem corporal autêntica”, disse Jorge à coluna.
Em um momento em que esporte, moda e arte dialogam como nunca, a direção de movimento deixa de ser um detalhe invisível para se tornar protagonista. Afinal, seja na explosão de um gol ou na delicadeza de um vestido de alta-costura, o que realmente permanece na memória é aquilo que o corpo consegue comunicar sem dizer uma única palavra. Eis o resultado.






Fonte: veja.abril
