Todo brasileiro tem uma estratégia para a Seleção. Por que tantas empreendedoras ainda não têm uma estratégia de vendas?

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Durante a Copa, milhões de pessoas discutem escalações, táticas e decisões técnicas. Mas fora dos gramados, muitas profissionais altamente qualificadas ainda conduzem seus negócios sem um plano comercial definido, comprometendo crescimento e previsibilidade de resultados

Antes mesmo de a bola rolar, milhões de brasileiros já estão escalando times, discutindo substituições e apontando erros dos técnicos. Durante a Copa, todo mundo parece especialista em estratégia. Mas existe um contraste curioso fora dos gramados: a maioria das empreendedoras brasileiras não possui uma estratégia clara para vender seus próprios serviços.

“O brasileiro consegue explicar por que um atacante deveria entrar no segundo tempo, qual formação tática funciona melhor e até o que o treinador deveria fazer para vencer a próxima partida. Mas, quando pergunto a uma psicóloga, nutricionista ou fisioterapeuta qual é o plano dela para conquistar mais clientes no próximo mês, muitas vezes encontro silêncio. Não porque falte competência técnica, mas porque ninguém ensinou essas profissionais a vender”, afirma Victor Carvalho, mentor de vendas e criador do método Vender é Servir.

Segundo ele, essa falta de planejamento comercial é um dos principais fatores que mantêm excelentes profissionais dependentes de indicações, vivendo meses de faturamento imprevisível e sem controle sobre o próprio crescimento. Enquanto empresas estruturadas trabalham com metas, indicadores, processos e previsibilidade, muitas empreendedoras ainda esperam que novos clientes apareçam espontaneamente.

A comparação com o futebol ajuda a ilustrar o problema. Nenhuma equipe entra em campo sem estudar o adversário, definir jogadas e estabelecer objetivos. No entanto, milhares de profissionais autônomas começam a semana sem saber quantos contatos precisam realizar, quantas conversas devem iniciar ou quantas propostas precisam apresentar para alcançar suas metas financeiras.

Para Victor, vender não é uma questão de talento nato ou persuasão agressiva, mas de método. “Existe uma crença muito forte de que vender é insistir ou convencer alguém. Na prática, vender é servir. Quando uma profissional entende claramente como seu trabalho transforma a vida do cliente, ela passa a enxergar a venda como uma extensão natural do cuidado que já oferece”, explica.

O especialista destaca que uma estratégia comercial eficiente não precisa ser complexa. O primeiro passo é transformar objetivos financeiros em metas comerciais concretas. Depois, criar uma rotina consistente de prospecção, relacionamento e acompanhamento de oportunidades. Com isso, a empreendedora deixa de depender exclusivamente da sorte ou das indicações e passa a construir uma máquina previsível de geração de clientes.

Em um período em que o país inteiro debate táticas, desempenho e resultados, talvez seja o momento de as empreendedoras aplicarem o mesmo raciocínio aos seus negócios. Afinal, no mercado, assim como no futebol, dificilmente vence quem entra em campo sem estratégia.

Arquivo pessoal

Victor Carvalho é mentor de vendas com mais de 20 anos de experiência e fundador do método Vender é Servir, criado para mulheres empreendedoras de profissões de serviço como psicólogas, nutricionistas, fisioterapeutas, coaches e advogadas. Sua metodologia ajuda profissionais a construírem uma rotina comercial consistente, conquistarem previsibilidade de faturamento e venderem com propósito. Acredita que vender bem é, acima de tudo, um ato de servir ao próximo.

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