O que mais preocupa os brasileiros? Dica: não é inflação, custo de vida e preços altos

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O mercado financeiro está em desacordo com as preocupações dos brasileiros, que priorizam segurança, saúde e corrupção em relação à taxa de juros, que provoca ruído na economia. A crítica ao juro recai sobre o Banco Central e instituições financeiras, que aplicam taxas elevadas, especialmente em cartões de crédito.
Apesar de indicadores econômicos serem relevantes, apenas 2% dos entrevistados consideram a taxa de juros um dos principais problemas do país. A pesquisa de opinião mostra que Lula, pré-candidato à reeleição, tem vantagem sobre Flávio Bolsonaro, em parte devido ao controle da máquina pública e à implementação de medidas que injetam recursos na economia.
Contudo, essas ações podem impactar a inflação e a confiança dos consumidores. O Copom, ao reduzir a Selic, expressou preocupação com os efeitos inflacionários dos estímulos à demanda, enquanto a cautela na política monetária se mantém, especialmente com as eleições se aproximando.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

O mercado faz “preço” de ativos e operações financeiras diariamente em bilionárias ou miúdas transações, mas está em dissonância com as principais preocupações dos brasileiros. A taxa de juro provoca ruído e sufoca a economia. Entretanto, não chega a impactar pesquisa eleitoral por envolver discussões técnicas e nem sempre associadas a decisões de governo.
A “crítica” ao juro cai no colo do Banco Central (BC) e de bancos em geral responsáveis pela concessão e cobrança de empréstimos a taxas escorchantes, sobretudo pessoal como cartões de crédito, que pouco tem a ver com a Selic e esfolam devedores que flertam com a inadimplência e acabam “socorridos” pelo governo. Em março, o juro do cartão de crédito chegou a 94,3% ao ano e a 432,1% no cartão para cliente rotativo.
Embora indicadores vitais para a tomada de decisões que afetam famílias e empresas, taxa de juro, inflação e despesas do governo estão longe de disputar espaço com os três “principais problemas” da Nação apontados pela Pesquisa de Opinião Eleições 2026 BTG Pactual/Nexus, realizada em todo o país entre 12 e 14 de junho e divulgada na segunda-feira, 15 de junho.
Por ordem decrescente de relevância na sondagem com mais de 2 mil entrevistados, quando questionados sobre qual é hoje o principal problema do Brasil em resposta espontânea e qual é o segundo principal problema em resposta múltipla, para 33% no total a trinca “segurança, violência e criminalidade” encabeça o pódio; 25% apontam “saúde pública”; e 23% “corrupção”.
“Inflação, custo de vida e preços altos” é o conjunto apontado por 11% como um dos principais problemas nacionais; 4% ficam com “gastos públicos e gastos do governo”; e 2% dos respondentes consideram um problemão “taxa de juros e aumento da taxa de juros”.
Essa sinalização dá um Norte às campanhas eleitorais a serem deflagradas, oficialmente, em dois meses. E que, neste momento, tem o presidente Lula, pré-candidato à reeleição, em vantagem na votação em primeiro e segundo turno sobre o principal opositor até agora, senador Flávio Bolsonaro.
“A vantagem de Lula se deve especialmente ao fato dele controlar a máquina pública, enquanto Flávio perde voto e reputação por ter pedido dinheiro para a cinebiografia do seu pai, ex-presidente Jair Bolsonaro, ao dono do Master, Daniel Vorcaro, patrocinador do maior, e ainda mal esclarecido, escândalo financeiro do País. O banco está em liquidação extrajudicial por falcatruas que comprometem autoridades e levaram a um rombo estimado em R$ 50 bilhões junto a desavisados poupadores e investidores”, avalia um cientista político sob reserva.
Fortalece Lula, segue o especialista, o fato de o governo aprofundar sua “agenda positiva”. Ter lançado inúmeras medidas que patrocinam injeção estimada entre R$ 200 bilhões e quase R$ 300 bilhões na economia, dependendo dos cálculos. “E, com a expectativa de que, mais cedo do que mais tarde, esses recursos travestidos em diversos programas sociais façam diferença ao brasileiro mais carente e à classe média que Lula procura conquistar ou fidelizar.”
Copom explícito e conservador
As iniciativas, que favorecem Lula na corrida eleitoral terão, contudo, repercussão duradoura para o bem e para o mal na economia. O desembolso gradual dos recursos muito contribuirá para sustentar – via demanda – a atividade que ameaça capengar no segundo semestre, mas com efeito líquido e certo sobre a inflação.
Para indicar a grandeza das decisões, em 2026 esses impulsos fiscais e parafiscais – medidas que transitam fora do Orçamento numa definição simplista – terão impacto equivalente a 1% do PIB sobre a demanda, calcula o BTG Pactual. Ao longo do tempo, o efeito poderá chegar a 2% do PIB.
As ações do governo pesarão na inflação que segue em alta e agrava projeções até onde a vista alcança, o que explica a cautela do BC na gestão da taxa de juro. No comunicado do Copom, divulgado após o anúncio da redução da Selic a 14,25% na quarta-feira, 17, o banco foi explícito sobre o efeito altista na inflação de “estímulos à demanda” que enfraquecem “parte dos canais usuais de transmissão da política monetária”.
O Copom foi explícito também ao apontar o risco de manter a política de juro atual sem provocar recessão pelo aperto monetário que vem produzindo resultados. Não à toa, o comitê esticou para o primeiro trimestre de 2028 a possibilidade de cumprimento da meta fiscal de 3%. E deixou aberta a possibilidade de promover mais reduções de juro. Sem convencer, porém, de que novos cortes poderão ocorrer nos próximos meses – até porque há uma eleição no meio do caminho.
Juro rondando 14% como antevê o mercado, segue elevadíssimo e contribui para tornar os bancos mais seletivos na concessão de empréstimos. Um efeito que fala alto ao brasileiro propenso ao consumo e ao endividamento.
Resultado? A confiança de consumidores e empresários é minada aos poucos, agravada pelo cenário geopolítico global que segue tenso, apesar do encerramento da guerra EUA – Irã. Petróleo ao redor de US$ 78, após o anúncio da assinatura do acordo de paz, está no menor nível desde o início da guerra. Mas a inflação global e a local seguem sub judice. E às vésperas de um super El Niño que agravará as condições climáticas e tende a afetar os preços de alimentos – esses os mais percebidos pela população.
Entre 24 e 29 de junho, o Ibre FGV atualizará cinco indicadores de confiança de junho – referentes ao consumidor, construção, indústria, comércio e serviços. Os dados contribuirão para refinar projeções sobre o desempenho do PIB do segundo trimestre com expansão estimada, por ora, entre 0,3% e 0,5%.
Mais que relevante serão a divulgação da Ata do Copom, na terça-feira, 23, e do Relatório de Política Monetária na quinta-feira, 25. Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti, respectivamente, presidente e diretor do BC, apresentarão, como de praxe, o documento.

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Fonte: Neofeed

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