Um senhor seed money de US$ 85 milhões para popularizar o wealth management

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A Decade, startup cofundada por Vitor Olivier e Felipe Meneses, levantou US$ 85 milhões na maior rodada seed da América Latina para transformar a gestão patrimonial com inteligência artificial.
A rodada, que contou com investidores como Benchmark e GreenOaks, visa democratizar o acesso a serviços financeiros, semelhante ao que o Nubank fez no setor bancário.
A Decade combina IA com consultores humanos para oferecer uma experiência de gestão financeira acessível, utilizando a plataforma Open Finance para consolidar informações bancárias e de investimentos.
O foco inicial no Brasil se deve ao ambiente regulatório favorável e à intenção de desenvolver um produto escalável para o mercado internacional.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A Decade, startup fundada pelo ex-CTO do Nubank Vitor Olivier e pelo cofundador da Hyperplane Felipe Meneses, levantou a maior rodada seed do Brasil e da América Latina para ampliar o acesso a serviços de gestão e planejamento patrimonial com a ajuda de inteligência artificial (IA).
A empresa anunciou na terça-feira, 4 de agosto, que levantou US$ 85 milhões (aproximadamente R$ 440 milhões) em uma rodada seed que contou com a participação dos fundos americanos Benchmark, GreenOaks e Diffusion, além das gestoras brasileiras Norte Ventures e Atlantico. O valuation não foi revelado.
O valor é o maior já levantado em uma rodada seed no País e na região latino-americana desde os US$ 40 milhões captados pela startup de segurança Pax, em maio deste ano, segundo levantamento da Distrito. Considerando as rodadas com estruturas de dívida e equity, a operação também ganha dos US$ 50 milhões arrecadados pela retailtech mexicana Valoreo, em 2021, de acordo com a Sling Hub.
Com os recursos, a Decade quer promover na gestão de recursos uma disrupção semelhante à que o Nubank provocou no mercado bancário. E, assim como a instituição fundada por David Vélez, o primeiro passo será dado no Brasil.
“O smartphone e a nuvem democratizaram pagamentos e serviços bancários, mas ainda existe uma enorme dificuldade das pessoas para investir, planejar e tomar decisões financeiras. Com a IA, isso muda, porque é possível oferecer esse serviço em escala”, diz Olivier, cofundador e CEO da Decade, ao NeoFeed. “Por isso captamos esse volume de dinheiro. A ambição é grande, porque essa é uma questão global.”
Olivier conta que a proposta da Decade é combinar IA e consultores humanos para acompanhar continuamente a vida financeira dos clientes. A ideia é oferecer uma experiência semelhante à de um multi-family office, tradicionalmente reservado aos ultrarricos, para um público muito mais amplo e sem os conflitos de interesse decorrentes do modelo de remuneração baseado em comissões por venda de produtos.
Por meio do Open Finance, a plataforma da Decade consolida as informações bancárias e de investimentos dos usuários, monitorando patrimônio, gastos, concentração de risco, liquidez e alocação de carteira.
A IA ajuda os investidores a realizar simulações, projeções financeiras e até responde dúvidas com base em sua situação e em seus planos, permitindo que esse serviço seja oferecido em escala.
A empresa pretende atuar como uma camada independente entre clientes e instituições financeiras. A startup já possui integrações com plataformas como BTG Pactual, XP Investimentos, Genial e C6, permitindo visualizar informações e, futuramente, executar movimentações diretamente por meio da plataforma.
“Queremos ser um ponto de entrada agnóstico. Nosso papel é encontrar o melhor produto para o cliente, independentemente da instituição financeira”, afirma Olivier.
O primeiro produto comercial da companhia será oferecido por assinatura de R$ 200 mensais, valor que inclui acesso à plataforma, acompanhamento automatizado, interação com a IA e suporte de consultores humanos internos para os clientes que desejarem atendimento pessoal.
A startup opera atualmente sob licença de consultoria de investimentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e também solicitou autorização para atuar como gestora, o que permitiria oferecer carteiras administradas.
Olivier e Meneses, que é o head de IA da Decade, se conheceram no Nubank, depois que a fintech acertou a compra da Hyperplane, empresa de inteligência de dados, em 2024. Um dos primeiros funcionários do banco, Olivier era responsável pela área de tecnologia à época da aquisição.
Os dois passaram a se reunir regularmente para discutir IA e suas possíveis aplicações no mundo financeiro. A decisão de empreender juntos começou a ganhar forma em 2025, quando Olivier passou a refletir sobre seu próximo passo após mais de uma década no Nubank.
Ele deixou oficialmente o Nubank em setembro daquele ano. No mesmo período, Olivier e Meneses concluíram a rodada, anunciada agora, para a empresa, então chamada Frontier Technologies.
Os recursos permitiram a contratação da equipe — atualmente com 26 funcionários entre engenheiros e consultores financeiros, e ainda em expansão — e o desenvolvimento da plataforma que posteriormente seria rebatizada como Decade.
Apesar das pretensões globais, o foco da startup não está na expansão acelerada da base de clientes após a rodada seed. A plataforma está em fase beta e abriu uma lista de espera para novos usuários.
Até agora, a companhia administra, em caráter experimental, alguns bilhões de reais em patrimônio de clientes próximos aos fundadores, sem divulgar números detalhados.
Segundo Olivier, o objetivo é aperfeiçoar a experiência antes de buscar crescimento em larga escala. “Quando tivermos convicção de que a experiência está perfeita, aí vamos acelerar”, diz.
A decisão de começar pelo Brasil, além do fato de ser o país dos fundadores, decorreu também de o mercado reunir condições favoráveis para o desenvolvimento desse tipo de solução, graças ao avanço do Open Finance e ao ambiente regulatório criado pelo Banco Central (BC) para estimular competição e inovação.
Com isso, a Decade repete uma lógica semelhante à do Nubank em seus primeiros anos: usar o mercado brasileiro como laboratório para desenvolver um produto capaz de ganhar escala internacional posteriormente.
“A aposta dos investidores é que o Brasil é um dos melhores lugares para criar essa categoria e, a partir daqui, levá-la para outros mercados”, diz Olivier.

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Fonte: Neofeed

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