Vinho para o dia dos namorados

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Há quem diga que os vinhos elaborados com duas variedades são mais complexos do que aqueles que têm só uma uva. É aquela soma de que um mais um pode ser maior do que dois. Na semana do Dia dos Namorados, podemos pensar nesta união de uvas como verdade – esquecendo que Borgonhas e Barolos, dois dos mais famosos vinhos, são elaborados apenas com uma variedade, a pinot noir e a nebbiolo, respectivamente.

Mas o não menos famoso Bordeaux está aí para provar a sabedoria dos casamentos nas uvas: cabernet sauvignon e merlot são a força do chamado corte bordalês, mesmo que, em vários casos, há outras variedades tintas também permitidas e, em geral, entram em porcentagens menores. São a cabernet franc, a petit verdot, a carménère e a malbec, que podem ser vistas como os filhos, mas aí já é avançar demais em uma comemoração de dia dos namorados.

O fato é que unir duas uvas em um só vinho é uma ferramenta importante para os enólogos. Não raro, a segunda uva adiciona uma característica que a primeira variedade não apresenta, o que torna o vinho mais complexo. “A ideia é somar as características positivas das duas variedades, o que resulta em um vinho melhor ou, no mínimo, diferente”, afirma o enólogo Alejandro Cardozo, da Vinhetica Premium Wine, que, em Caxias do Sul (RS), elabora vinhos para diversos produtores brasileiros.

Na Argentina, muitas vezes a malbec é utilizada para dar maciez aos taninos mais firmes da cabernet sauvignon 

A merlot, por exemplo, traz maciez e suavidade à cabernet sauvignon, que é mais tânica e encorpada. Um exemplo para os iniciantes em Bordeaux é o Baron Henri Medoc, elaborado pelo Baron Philippe de Rothschild (R$ 303, na World Wine, no site worldwine.com.br). Esta é uma mescla original de Bordeaux, mas que é copiada em todo o mundo, inclusive no Brasil, como mostra o Documento Blend, da vinícola Dom Cândido (R$ 180, no site domcandido.com.br).

Em Bordeaux, ainda, essa magia acontece também nos brancos – seus melhores goles são elaborados com uma união de sémillon com sauvignon blanc. A primeira é uma variedade mais estruturada, que complementa as notas mais aromáticas e o frescor da sauvignon blanc. Um exemplo aqui é o Château Magence Blanc, um bordeaux branco com 85% de sauvignon blanc e 15% de sémillon, na De La Croix (Delacroix.com.br).

A branca viognier é um par constante da tinta syrah no norte do Rhône (e também nos demais países que se inspiram nos vinhos desta região). Em pequenas porcentagens e, não raro, colhida e fermentada junta com a syrah, a viognier tem a função de trazer um toque floral ao vinho e, principalmente, ajudar a estabilizar a sua cor. Uma pedida aqui é o Cotê-Rôtie, da Vidal Fleury, tinto que chegou recentemente ao Brasil, importado pela Inovini (R$ 1.399, na RBG Vinhos, www.rbgvinhos.com.br). Outra escolha, mais acessível, é o Arcanjo Syrah e Viognier, da Casa Geraldo (R$ 190, no casageraldo.com.br).

A cabernet franc com a cabernet sauvignon também tem feito sucesso em vinícolas brasileiras como a Guaspari 

Há vários outros blends possíveis. Na nossa vizinha Argentina, muitas vezes a malbec é utilizada para dar maciez aos taninos mais firmes da cabernet sauvignon. E, aqui, não raro, os enólogos optam por proporções iguais das uvas, como exemplifica o Rutini Cabernet Sauvignon/Malbec (R$ 289, na zahil.com.br). Outra boa união é da cabernet franc com a cabernet sauvignon, que tem feito sucesso na Argentina, mas também em algumas vinícolas brasileiras, como o Guaspari Vista da Mata Cabernet Franc Cabernet Sauvignon (R$ 298, na guaspari.com.br).

Mas há diversos outros cortes possíveis, um deles é mesclar a chardonnay com a sauvignon blanc, como acontece com o Aracuri Blend Branco (R$ 89, na Vinhos & Vinhos). Mesmo importante para definição do vinho, nem sempre esta é uma união em porcentagens iguais. A legislação varia em cada região produtora, mas em geral quando a porcentagem de uma uva é maior que 75%, o produtor não precisa revelar qual foi a segunda uva, e o vinho é considerado um varietal (em referência à variedade utilizada) e não um bi-varietal. Mas não deixa de exemplificar como uma uva precisa de uma segunda para se tornar um vinho mais complexo. Ou, na data comemorativa, são pares na garrafa que inspiram o brinde dos enamorados.



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