L’Orriu é uma loja tradicional no centro histórico de Porto Vecchio. Foi em junho de 2025 que eu ntrei e respirei fundo nesse lugar mágico e senti a Córsega inteirinha mas minhas narinas, entrando pelos poros. A ilha da beleza francesa traduzida pelos cheiros das suas comidas. O aroma das ervas do maquis me trouxe a brisa das caminhadas nas montanhas e praias, suas plantas aromáticas selvagens, os percursos naturais…

Delia Andreani e o queijo niolo Foto Arnaud Sperat Czar/Revista Profissão Queijeira
Vendidas em sachês, elas perfumam o ar, chegando até à adega nos fundos da loja, um quarto onde cerca de cinquenta pernis pendurados maturam. São os porcos que correm soltos na ilha, comendo e pastando essas ervas, assim como as cabras e ovelhas transmitem esse sabor no seu leite. A loja também possui uma vitrine inteiramente dedicada a queijos exclusivamente corsos.
Santuário de queijos e comidas de tradição
Delia Andreani assumiu o negócio em 2013: “originalmente, era uma bottega (uma pequena loja) fundada pelo meu avô em 1930, e transformada em uma delicatessen especializada em produtos corsos pelos meus pais, Danièle e Jean-Louis, em 1985”, O local tem um restaurante e bar de vinhos.

Caverna de charcutaria da loja Foto Arnaud Sperat Czar/Revista Profissão Queijeira
Quanto aos queijos, ela oferece raridades, como este niolo, feito com uma mistura de leite de ovelha e de cabra. “Os animais são criados no alto das montanhas, onde abundam plantas aromáticas, o que dá um sabor único. Pode ser curado por até 12 meses. “Quando maturado corretamente, atinge uma cremosidade e um sabor excepcionais”, ela garante.

Dois queijos da Córsega de leite cru, niolo à esquerda, de cabra, e bastelicaccia, de ovelha Foto Arnaud Sperat Czar/Revista Profissão Queijeira
A loja tem muitos fornecedores fiéis e de longa data: “Meu niolo é feito por um pastor, François Germain Albertini, em Albertacce, com quem trabalhamos há pelo menos 40 anos; é um dos meus favoritos” disse.

Organizando a vitrine Foto Arnaud Sperat Czar/Revista Profissão Queijeira
A melhor época para visitar é maio e junho. Escrever esse texto no inverno francês, onde está um frio que meu pai, mineiro, fala que não é de Deus, me fez muito bem.

A loja de queijos também tem um salão de restaurante
Rever as fotos provocou a percepção de vários sentidos de uma só vez. Ter saudade de comidas e paisagens tem seu lado bom.

A mãe de Delia, Danielle, que é a segunda geração da família de queijistas Foto Arnaud Sperat Czar/Revista Profissão Queijeira
Pensar no Brasil também ajuda a enfrentar o frio. Não vejo a hora de chegar o Mundial do Queijo, que acontece de 16 a 19 de abril no Teatro B32, em São Paulo, para matar saudades de verdade do queijo brasileiro e rever queijos de diversos outros países que estão confirmados, como Índia, Polônia e Estados Unidos!
