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Neste sábado de Valentine’s Day, 14 de fevereiro, poucas narrativas parecem tão apropriadas quanto as paixões que atravessam o tempo — mesmo quando nascem do conflito, de inseguranças ou e de uma errada percepção de que pode não dar certo. O amor febril de Cathy e Heathcliff em “O Morro dos Ventos Uivantes” sempre foi menos sobre felicidade e mais sobre intensidade. E foi justamente essa mesma pulsação dramática que surgiu no tapete vermelho de Los Angeles quando Margot Robbie apareceu usando um dos colares mais emblemáticos da história de Hollywood: a joia em formato de coração que pertenceu a Elizabeth Taylor.
Não se tratava apenas de um acessório, mas de um relicário de sentimentos. O pingente conhecido como Taj Mahal Diamond é um diamante lapidado em forma de coração, montado em jade, com corrente de ouro, rubis e diamantes criada pela maison Cartier. Gravado em parsi, traz a inscrição “Love is Everlasting” — amor é eterno — e carrega séculos de história antes mesmo de chegar às mãos da atriz. A peça teria sido originalmente um presente do imperador mogol Shah Jahan à sua esposa Mumtaz Mahal, cuja morte inspirou a construção do Taj Mahal. O romance monumental já estava inscrito na joia muito antes de Hollywood adotá-la.
Décadas depois, o destino trataria de conectá-la a outra paixão igualmente cinematográfica. Em 1972, durante uma viagem, Richard Burton pediu sugestões de presente à Cartier para o aniversário de 40 anos de Taylor, em 27 de fevereiro — e também para o Valentine’s Day. Comprou o colar em segredo e a surpreendeu em Budapeste. O gesto não foi apenas luxuoso: era coerente com a intensidade do casal, que entre altos e baixos, permaneceu ligado por uma atração quase mítica. A joia era uma das favoritas da atriz, justamente pelo simbolismo.
Mais de meio século depois, ver a peça reaparecer no colo de Margot Robbie cria um elo invisível entre ficção e realidade. A atriz, que vive Cathy na nova adaptação dirigida por Emerald Fennell, parece compreender que certas histórias não precisam ser explicadas — basta evocá-las. O vestido Schiaparelli de inspiração vitoriana reforçava a atmosfera gótica, mas era o coração lapidado que contava a narrativa completa: obsessão, perda, desejo, permanência.
Em 2011, o colar foi leiloado por 8,8 milhões de dólares, quebrando recordes para joias indianas. Valores impressionam, mas não traduzem o que realmente está em jogo. Algumas peças carregam algo que não pode ser precificado – a memória emocional. Seja na literatura tempestuosa de Yorkshire, no romance turbulento de Taylor e Burton ou no cinema contemporâneo, permanece a mesma verdade silenciosa — o amor pode ser imperfeito, dramático, mas quando existe e encontra forma em um coração de pedra e luz, ganha a percepção mais humana de todas: a eternidade. No caso do coração Taj Mahal Diamondo, vai além: grandes histórias de amor, quando intenso e verdadeiro, jamais deixam de brilhar.




Fonte: veja.abril
