50 Best América Latina 2025: Brasil em alta e chefs mulheres

Gastronomia50 Best América Latina 2025: Brasil em alta e chefs mulheres

Bianca e Tássia, eleita melhor confeiteira e melhor chef da América Latina

Para os cozinheiros latino-americanos, a final de campeonato rolou no comecinho do mês, na Guatemala, quando o 50 Best Restaurants ranqueou os melhores estabelecimentos, a melhor chef mulher, o melhor confeiteiro, o restaurante que mais subiu na lista, o azarão que saiu do nada e apareceu ali, o chef escolhido pelos colegas como exemplo, o “campeão da mudança”, o restaurante mais sustentável e o mais hospitaleiro também.

No meio dos 50 melhores da América Latina, apenas 5 (cin-co!) casas são comandadas por mulheres. Das 11 premiações especiais, quatro ficaram com elas. Dentre estas, duas são do Brasil – temos Tássia Magalhães, do Nelita, como melhor chef, e Bianca Mirabili, do Evvai, como a rainha das doçuras. O fato, óbvio, merece ser comemorado – oremos inclusive para que seja bom prenúncio para a Copa do Mundo!

Nesses paradoxos da vida, enquanto chefs homens seguem apontando as matriarcas familiares como grandes inspirações e todos seguem vendo tão poucas mães e avós nas cozinhas profissionais, nossas meninas brilham. Tracy De Groose, nova CEO do 50 Best, concorda que existe uma “esquisitice” no ar.

Reconhecida por sua atuação em transformação digital e comunicação, a executiva britânica reforça uma pauta que tem ganhado força no universo da gastronomia global: a necessidade de criar condições reais para que chefs mulheres prosperem no setor.

Vulnerabilidade é poder

À frente de uma das plataformas gastronômicas mais poderosas do mundo, Tracy defende que o 50 Best vá além da lista final — estimule debates e garanta representatividade: “Obviamente temos o prêmio de Melhor Chef Mulher. Algumas pessoas têm visões diferentes sobre ele, mas quando os números não são o que gostaríamos que fossem, temos um papel em criar uma plataforma para que mais mulheres sejam reconhecidas e atuem como modelos para jovens e chefs emergentes”.

Para a CEO, a escuta ativa é outra parte fundamental desse processo: “Tivemos uma sessão muito boa com algumas chefs da região para entender como elas se sentem, o que mais gostariam de ver na indústria e como o 50 Best pode apoiar, encorajar e inspirar mais mulheres nos restaurantes”.

Uma fala, aliás, chamou sua atenção: “Vulnerabilidade é poder”. Tracy não disse quem foi, tampouco traduziu em palavras o que sentiu. A ficha ainda estava caindo, mas era claro que a mulherada junta era mais forte, e que a única chef grávida na reunião, temorosa de se distanciar da cozinha, fisicamente era uma, mas era o bando todo. “Foi uma oportunidade de conexão”, emendou.

O 50 Best delas

Pía León, à frente do atual número 2 do ranking e do vencedor do prêmio Art of Hospitality (o limenho Kjolle), é há anos a única mulher no Top 10. A maternidade nunca a freou, no entanto, como já cansou de repetir, trouxe um olhar mais sensível para com a brigada. Ao mesmo tempo, uma nova compreensão de sustentabilidade: a de que um restaurante só é sustentável quando as individualidades de uma equipe são respeitadas – inclusive a sua.

Eleita Melhor Chef Mulher do Mundo em 2021, Pía afirma que a premiação: “Tem muito valor, é essencial. Falamos de visibilidade, inspiração, diversidade e liderança. Tudo isso abre caminhos, portas, diferentes olhares e possibilidades.

Fico muito contente com as menções deste ano: Bianca e Tássia são mulheres dedicadas, com muita paixão e, sobretudo, fortaleza”.

Álvaro Clavijo, chef do número um (El Chato, de Bogotá), também fez seu gesto: subiu ao palco com as mulheres de seu time: a chef de serviço, Cindy Alexandra Contreras, as sub-chefs, Ana Victoria Lozano e Yureny Roncacio, e a chef de confeitaria, Nicol López.

Rosa Moraes, uma das figuras mais influentes da gastronomia brasileira e presidente do The World’s 50 Best Restaurants e do Latin America’s 50 Best Restaurants no Brasil, assistiu tudo de camarote. Na primeira fila, emocionou-se sem cerimônia e analisou com precisão: “A presença de Tássia Magalhães e Bianca Mirabilli entre as premiadas de 2025 dá continuidade a um movimento que marca a gastronomia brasileira na última década. Desde Helena Rizzo [World’s Best Female Chef em 2014], passando por Roberta Sudbrack [América Latina em 2015] e por nomes que se destacaram nas categorias femininas nos anos seguintes, como Manu Buffara em 2022 e Janaína Rueda, em 2023 e 2024 [América Latina e Mundo]”.

A bem dizer, o Brasil é o país que reúne o maior número de premiadas nas categorias dedicadas a chefs mulheres no Latin America’s 50 Best Restaurants – e nossas meninas de ouro honram a trajetória. Tássia reforça que a desigualdade ainda é evidente: “Falta muito pelos números”.

Segundo ela, há “pouquíssimos restaurantes que são chefiados por mulheres dentro de premiações, de rankings ou estrelados”, e a equiparação ainda deve levar tempo. Ainda assim, ela vê sinais de mudança. Há mais conscientização, mulheres passaram a reconhecer “qual é o seu espaço na cozinha” e a buscar posições de liderança, enquanto os homens começam, ainda que gradualmente, a compreender essa transformação.

“A melhor sensação não foi pegar o troféu. Foram os momentos que antecedem, vai passando esse filme na cabeça, como eu entrei aqui, como eu me desenvolvi na profissão, como eu cresci, o quanto eu tenho ainda para crescer”, confessa Bianca. Mas pondera: “Tem cada vez mais mulheres em destaque dentro da cozinha hoje, não somente na confeitaria. Quando a gente olha para festivais, por exemplo, tem pouquíssimo, a gente está falando de 10%”.

O ranking feminino no Latin America’s 50 Best Restaurants 2025:

  1. El Chato – Bogotá, Colômbia
  2. Kjolle – Lima, Peru – Pía León
  3. Don Julio – Buenos Aires, Argentina
  4. Mérito – Lima, Peru
  5. Celele – Cartagena, Colômbia
  6. Boragó – Santiago, Chile
  7. Quintonil – Cidade do México, México
  8. Tuju – São Paulo, Brasil
  9. Cosme – Lima, Peru
  10. Nuema – Quito, Equador
  11. Mayta – Lima, Peru
  12. Nelita – São Paulo, Brasil – Tássia Magalhães
  13. Lasai – Rio de Janeiro, Brasil
  14. Casa Las Cujas – Santiago, Chile
  15. Alcalde – Guadalajara, México
  16. Villa Torél – Ensenada, México
  17. Fauna – Valle de Guadalupe, México
  18. Maito – Cidade do Panamá, Panamá
  19. Sublime – Cidade da Guatemala, Guatemala
  20. Evvai – São Paulo, Brasil
  21. Niño Gordo – Buenos Aires, Argentina
  22. Arca – Tulum, México
  23. Leo – Bogotá, Colômbia – Leonor Espinosa
  24. El Preferido de Palermo – Buenos Aires, Argentina
  25. A Casa do Porco – São Paulo, Brasil
  26. La Mar – Lima, Peru
  27. El Mercado – Buenos Aires, Argentina
  28. Yum Cha – Santiago, Chile
  29. Cordero – Caracas, Venezuela
  30. Máximo – Cidade do México, México
  31. Demo Magnolia – Santiago, Chile
  32. Huniik – Mérida, México
  33. Rafael – Lima, Peru
  34. Afluente – Bogotá, Colômbia
  35. Aramburu – Buenos Aires, Argentina
  36. Trescha – Buenos Aires, Argentina
  37. Diacá – Cidade da Guatemala, Guatemala
  38. Oteque – Rio de Janeiro, Brasil
  39. Rosetta – Cidade do México, México – Elena Reygadas 
  40. Crizia – Buenos Aires, Argentina
  41. Humo Negro – Bogotá, Colômbia
  42. Mercado 24 – Cidade da Guatemala, Guatemala
  43. Sikwa – San José, Costa Rica
  44. Osso – Lima, Peru
  45. Karai by Mitsuharu – Santiago, Chile
  46. Manuel – Barranquilla, Colômbia
  47. Cantina del Tigre – Cidade do Panamá, Panamá
  48. Arami – La Paz, Bolívia – Marsia Taha Mohamed
  49. Mil – Moray, Peru
  50. Julia – Buenos Aires, Argentina

Prêmios Especiais 2025

  1. Champions of Change – Inés Páez Nin (Chef Tita, República Dominicana), pela sua atuação social e impacto além da cozinha
  2. Art of Hospitality – Kjolle (Pía León, Lima)
  3. Latin America’s Best Female Chef – Tássia Magalhães (Nelita, São Paulo)
  4. Latin America’s Best Pastry Chef – Bianca Mirabili (Evvai, São Paulo)
  5. Latin America’s Best Sommelier – Maximiliano Pérez (El Mercado, Buenos Aires)
  6. Chefs’ Choice – Alejandro Chamorro (Nuema, Quito)
  7. Icon Award 2025 – Rodolfo Guzmán (Boragó, Santiago).
  8. Sustainable Restaurant – Oda (Bogotá)

*head chef é Natalia Cocomá Hernández

  1. Highest New Entry – Casa Las Cujas (Santiago)
  2. Highest Climber – Cosme (Lima)
  3. One To Watch Award 2025 – Ana (Cidade da Guatemala)



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