Quem mora no seu corpo?

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O corpo só vira assunto quando começa a falhar. Até então, é tratado como ferramenta: sustenta a rotina, suporta o cansaço, responde às exigências. Vive-se nele, mas raramente com ele. A conta chega quando o sono falha, quando a ansiedade encontra um lugar físico para se instalar ou quando o cansaço deixa de ser passageiro e vira estado permanente.

Vivemos em uma cultura que valoriza desempenho acima de escuta. Insistir virou virtude. Pausar, quase um desvio. O corpo, nesse cenário, deixa de ser casa e passa a ser território ocupado. Algo que se usa, não algo que se habita.

A pergunta “quem mora no seu corpo?” parece simples, mas carrega um incômodo necessário. Porque nem sempre estamos presentes onde vivemos. Muitas vezes, seguimos funcionando enquanto nos afastamos da própria percepção. O corpo avisa, sempre avisou, mas nem sempre foi ouvido.

É nesse ponto que o aprendizado deixa de ser racional e passa a ser físico. A dor vira linguagem. O cansaço, alerta. Não como punição, mas como tentativa de reconexão. Ainda assim, o autocuidado costuma ser adiado, tratado como algo que só cabe quando tudo estiver resolvido, o que raramente acontece.

Em Quando o Processo Me Pegou Pelo Braço — Com Licença, Estou Me Reencontrando, escritora e Executiva Tati Riceli, propõe um movimento inverso: sair do automático e reaprender a habitar o próprio corpo. Não por meio de atalhos ou promessas de transformação rápida, mas através do processo real, feito de escolhas possíveis, constância e escuta.

Tati Riceli

Com linguagem poética, refinada e atravessada por humor sutil, o livro conduz o leitor por reflexões sobre presença, limites e responsabilidade afetiva consigo. Organizada em capítulos independentes, a obra se afasta da narrativa linear e aposta em emoções já ressignificadas, costuradas com honestidade e sensibilidade.

Como gesto adicional de cuidado, o livro traz o Dicionário de Emoções Disfarçadas, no qual sentimentos cotidianos ganham nome e espaço, revelando que muitas vezes não é fome, pressa ou irritação, é falta de escuta.

Em um tempo que exige performance constante, a obra não propõe perfeição, mas consciência. Não promete controle, mas presença. Reaprender a habitar o próprio corpo, afinal, talvez seja o gesto mais silencioso e mais corajoso do nosso tempo.

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www.tatiriceli.com.br
@tatianariceli.autora

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