Para um dos mais importantes cientistas do clima, COP30 “respira melhor” sem os Estados Unidos

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Johan Rockström, cientista sueco autor do conceito de “limites planetários”, afirmou na COP 30 em Belém que, mesmo sem a participação dos EUA, o ambiente das negociações é construtivo e todos os países estão levando o desafio climático a sério. Ele destacou a necessidade de reverter o aumento de 1% nas emissões globais para uma redução de 5% já no próximo ano, retirando cerca de 2 bilhões de toneladas de CO² da economia global.
Para isso, defendeu investimentos massivos em energias renováveis e na recuperação da natureza. Pela primeira vez, a ciência ocupa papel central nas decisões da conferência, orientando ações baseadas em evidências, com o objetivo de mobilizar US$ 1,3 bilhão anuais até 2035 para acelerar as metas do Acordo de Paris.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Belém – “E o reconfortante é que não sentimos falta dos Estados Unidos.” A frase é do sueco Johan Rockström, um dos mais importantes cientistas do clima e diretor do Instituto Potsdam sobre o Impacto Climático (PIK), em encontro com jornalistas no início da noite de sexta-feira, 14 de novembro, na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), em Belém.
Ele é o autor do conceito de “limites planetários” — nove fronteiras que a humanidade não pode ultrapassar para manter a estabilidade da Terra. Rockström e o brasileiro Carlos Nobre, pioneiro nas pesquisas sobre a Amazônia e copresidente do Painel Científico para a Amazônia, presidem o Pavilhão de Ciência Planetária, localizado na Blue Zone, a área da cúpula da ONU onde acontecem as negociações oficiais.
“Sem os Estados Unidos, o ambiente aqui é muito construtivo”, completou Rockström, na coletiva, da qual o NeoFeed participou. “Acredito que todos os países estão levando o desafio muito a sério.”
As emissões globais de gases de efeito estufa, segundo ele, precisam passar de um aumento de 1%, conforme a projeção para 2025, para uma redução de 5% no próximo ano. A queda removeria da economia global cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono — ou o equivalente à metade das emissões americanas anuais.
“Podemos fornecer esses números por setor, por país, em todo o mundo, e esse é um dos papéis da ciência e um dos papéis da conexão com as políticas públicas”, disse o cientista sueco.
“A pesquisa em ciência política e economia oferece soluções tangíveis e escaláveis ​​para acelerar, nos países em desenvolvimento, a expansão de um sistema de energia renovável que elimine gradualmente os combustíveis fósseis”, complementou.
De modo a restringir rápida e drasticamente o lançamento de CO² na atmosfera, Rockström defendeu investimentos massivos na recuperação e preservação da natureza para aumentar a capacidade do planeta em absorver carbono.
Mas essas metas não são ambiciosas demais, já que a principal economia do mundo e o maior produtor global de petróleo e gás natural se recusou a participar das negociações?
Johan Rockström
“Existe claro o risco de que isso [o negacionismo de Donald Trump] se estenda a outros países, mas até agora não vimos nenhum indício de que algo do tipo possa ocorrer”, disse o diretor do PIK. “Acho que, se a ciência se fizer fortemente presente ao longo dos próximos dias, podemos evitar a influência dessa postura passiva dos Estados Unidos.”
Na história de todas as cúpulas das Nações Unidas sobre o clima, a COP de Belém é a primeira na qual a ciência ocupa um papel central nas decisões internacionais. Essa foi uma exigência dos organizadores do evento brasileiro, o embaixador André Corrêa do Lago, como presidente da COP, e a economista e cientista política Ana Toni, como CEO.
“A ciência deve guiar nosso caminho para um planeta habitável. A COP 30 será a COP da verdade, onde evidência, integridade e cooperação moldarão cada decisão que tomamos pelo futuro da humanidade”, disse Ana, pouco antes da abertura do evento.
Com o apoio das evidências científicas, a meta da COP 30 é mobilizar ao menos US$ 1,3 bilhão por ano até 2035 para acelerar a chegada às metas estipuladas no Acordo de Paris.
A jornalista viajou a convite da Motiva, idealizadora da Coalizão pela Descarbonização dos Transportes

Fonte: Neofeed

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