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O Oscar é o templo do glamour hollywoodiano — mas, vez ou outra, o tapete vermelho vira também palco de ousadia, escândalo e momentos que fazem a moda sair do protocolo. Vestidos transparentes, cisnes no pescoço, ternos virados do avesso e, claro, poses que viram meme, às vezes, ultrapassam a fronteira do “bem vestido” ou “mal vestido” e entram para a história simplesmente porque ninguém conseguiu parar de falar delas.
A verdade é que a moda no Oscar nunca foi só sobre elegância. Muitas vezes, ela revela personalidade, provocações ou até pequenos acidentes ao vivo — e é justamente isso que torna certos looks eternamente memoráveis. Falando em memorável, aliás, a premiação que acontece no domingo, dia 15 de março, promete: além do Brasil muito bem representado na premiação com quatro indicações para “O Agente Secreto” e Wagner Moura em grande estilo no tapete vermelho, teremos a live Veja TV na Festa do Cinema, exibida nos canais de Veja+ a partir das 19h, com a presença especial da atriz Vanessa Giácomo e o estilista Reinaldo Lourenço comentando os looks.
Mas voltando aos looks que causaram na história do red carpet do Oscar, um dos primeiros grandes alvoroços veio em 1969, quando Barbra Streisand subiu ao palco para receber o prêmio de melhor atriz por “Uma Garota Genial” vestindo um macacão de paetês assinado por Arnold Scaasi. À primeira vista, parecia apenas glamouroso. Sob as luzes do palco, no entanto, revelou-se quase transparente — detalhe que a própria atriz disse não ter percebido antes da cerimônia.
Em 1986, Cher elevou o drama a outro nível. Criado por Bob Mackie, seu vestido preto recortado, com barriga à mostra e um imenso cocar de penas, parecia saído diretamente de um espetáculo de Las Vegas. O visual era uma resposta bem-humorada ao fato de ela não ter sido indicada por “Marcas do Destino” — e acabou se tornando um dos figurinos mais extravagantes da história da premiação.
Nos anos 1990, o Oscar começou a ver experimentações mais conceituais. Kim Basinger, por exemplo, apareceu em 1990 com um vestido meio smoking, meio vestido de baile — criação própria, feita em cetim branco e acompanhada de uma única luva. A mistura dividiu opiniões e antecipou discussões sobre a fluidez entre códigos masculinos e femininos.
Alguns anos depois, em 1995, quem roubou a cena foi a figurinista australiana Lizzy Gardiner, vencedora do Oscar de figurino por “Priscilla – A Rainha do Deserto”, ela surgiu no tapete vermelho usando um vestido feito com 254 cartões dourados da American Express unidos por fios metálicos. Era irreverente, barulhento e impossível de ignorar.
No fim da década, outro momento que confundiu o público. Em 1999, Céline Dion apareceu com um smoking branco desenhado por John Galliano — usado ao contrário. Com chapéu inclinado e calça de alfaiataria, o look parecia quase futurista para uma época dominada por vestidos tradicionais.
Se o Oscar tivesse um ranking de momentos mais comentados, Björk certamente estaria no topo. Em 2001, a cantora islandesa chegou vestida de cisne, criação do estilista Marjan Pejoski. O pescoço da ave envolvia o dela como um cachecol e, para completar a performance, ela espalhou ovos pelo tapete vermelho. O vestido virou meme antes mesmo de existirem memes — e hoje faz parte de acervos de museus de moda.
O século XXI trouxe novos episódios virais. Em 2012, Angelina Jolie transformou um vestido de veludo preto da Atelier Versace em fenômeno de internet ao posar repetidamente exibindo a fenda dramática da peça. A pose exagerada gerou o meme #RightLeg, com direito a perfis dedicados nas redes sociais.
Na mesma década, tropeços e decisões de última hora também viraram notícia. Jennifer Lawrence caiu ao subir ao palco para receber o Oscar de melhor atriz por “O Lado Bom da Vida” em 2013, presa ao volumoso vestido da Dior (o mais caro da história da premiação, valendo 4 milhões de dólares). Já Anne Hathaway enfrentou críticas por trocar de vestido poucas horas antes da cerimônia, optando por um modelo rosa da Prada em vez do esperado Valentino.
Os homens também começaram a brincar com as regras. Em 2014, Pharrell Williams apareceu com um smoking da Lanvin… com shorts. Já em 2019, Billy Porter transformou o tapete vermelho em manifesto ao vestir um dramático vestido de baile criado por Christian Siriano, rompendo de vez com o uniforme masculino do Oscar.
Mais recentemente, os comentários vieram de todos os lados: do corte de cabelo curtíssimo — e na verdade peruca — de Halle Berry em 2023, a bordo de um modelo da Dolce & Gabbana ao vestido transparente de maternidade de Rihanna, assinado pela Alaïa. E, em 2024, o figurino virou notícia quando Emma Stone revelou no palco que o zíper de seu vestido da Louis Vuitton havia estourado momentos antes de receber o Oscar por “Pobres Criaturas.”
São esses momentos que provam que o tapete vermelho do Oscar é muito mais do que um desfile de glamour previsível. Às vezes é provocação, às vezes acidente, às vezes pura performance. Mas sempre que um look provoca espanto, risos ou debate, ele cumpre uma das funções mais fascinantes da moda, que é fazer história.
Veja os looks:














Fonte: veja.abril
