O café em tempos de incertezas

GastronomiaO café em tempos de incertezas

A sensação de que o mercado de café parece uma montanha russa desde a geada que atingiu as principais origens brasileiras de café, em 2021, seguida de longos períodos de estiagem como resultado do fenômeno La Niña, fez com que as safras brasileiras não apresentassem a retomada de produção nos volumes esperados, nunca esteve tão forte. Somaram-se ao contorno, os conflitos no Oriente Médio, que inviabilizam a passagem de navios cargueiros pelo Mar Vermelho e Mediterrâneo, trazendo mais incertezas ao mercado.

 

As torrefações tiveram de absorver inicialmente boa parte dos aumentos de mais de 80% somente em novembro de 2024, mas que a partir do início deste ano fizeram parte do repasse. Nos supermercados, o susto dos consumidores foi generalizado, aliado ao temor da queda do consumo de café pela indústria e varejo em geral. Nas cafeterias, também o impacto foi grande, com preços do espresso e de vários métodos experimentando aumentos da ordem de 50%.

Com a primeira onda de tarifas adicionais apresentadas pelo então recém empossado Presidente Trump, o mercado ficou ainda mais nervoso em relação às direções que as cotações poderiam seguir, mas que logo se revelou altista, mantendo a média de cotação na Bolsa de Nova York em US$3,70/lb-peso, que corresponde ao valor cheio no Porto de New York de U$489 a saca de 60kg, aproximadamente R$2.640,00 (dólar a R$5,40), de fins de fevereiro até meados de maio deste ano.

Muitas lamentações começaram a surgir nas mídias sociais dentre as microtorrefações, expressando uma certa decepção por parcerias não correspondidas nesse período complicado. Com o início da colheita do café no Brasil, como geralmente ocorre, as cotações cederam, caindo quase 25%, o que causou certo pânico entre os cafeicultores. Para completar, Trump completou o caldo com o adicional tarifário que soma 50% para o café brasileiro, trazendo mais turbulência ao mercado.

No entanto, com a proximidade da finalização da colheita brasileira, ficou nítida a perspectiva de safra menor do que a esperada, principalmente em relação aos grãos de arábica, cujas principais origens produtoras sofreram com a estiagem. Resultado: as cotações subiram novamente ao patamar de U$4,00/lb-peso (U$529/saca 60 kg)!

Com a possibilidade de chuvas nas regiões produtoras de café em São Paulo e Minas Gerais, as cotações experimentaram queda expressiva das cotações, de quase 15% nesta última semana. É muita emoção!

A verdade é que se observa nas cotações da bolsa nada mais do que um forte movimento especulativo, que pode ser conferido pelo número expressivo de contratos negociados.

Também é verdade que o consumo no mundo continua firme e forte, com os países do Sudeste Asiático experimentando aumento consistente ao longo dos anos. Deve se levar em conta que países como a Indonésia, de maioria da população que professa a religião islâmica, tem no café como porto seguro entre as bebidas, uma vez que alcoólicas são proibidas.

O volume de produção de café no mundo tem sofrido discreta mudança em sua formação, com crescimento da participação dos grãos de canéforas ante os de arábicas, cujos países produtores, em boa parte, têm passado por problemas climáticos e sociais.

Só se especula em tempos de escassez. Se ingredientes adicionais que aumentem a incerteza surgirem no meio do jogo, melhor ainda.

Independente de onde os grãos brasileiros colhidos neste ano tenham como destino, devem se manter valorizados.

A relação entre oferta e consumo ainda tende para esta ponta da balança, por enquanto.

 

 

 



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