Nas tarifas de Trump, uma empresa brasileira tem “nervos” de aço

NotíciasNas tarifas de Trump, uma empresa brasileira tem "nervos" de aço

O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que pretende impor tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio não causou, até o momento, “frio na espinha” dos investidores do setor de siderurgia.

Apesar de os produtos terem uma relevância na pauta de exportações do País – em 2024, a indústria brasileira do alumínio exportou US$ 796 milhões para os Estados Unidos, cerca de 14% do total das exportações brasileiras, e foi o segundo maior fornecedor de aço para o país –, o mercado adotou uma postura de aguardar para ver se essa medida de fato será levada adiante.

A situação pode ser vista no comportamento das ações das companhias de siderurgia nesta segunda-feira, 10 de fevereiro, um dia após Trump anunciar o tarifaço em suas redes sociais.

Por volta das 12h38, as ações da CSN subiam, 1,34%, a R$ 9,06. Os papéis preferenciais classe A (PNA) da Usiminas tinham alta de 1,61%, a R$ 5,69, enquanto os ativos preferenciais da Gerdau tinham uma das maiores altas do Ibovespa – 4,37%, a R$ 17,43.

Em relatório divulgado pela manhã, o BTG Pactual recomendou cautela aos investidores, afirmando que ainda é cedo para saber se e como as tarifas vão pesar sobre as companhias listadas na B3.

“Nós alertamos os investidores que ainda não sabemos por quanto tempo essas tarifas, ou as notícias sobre, permanecerão em voga, e que os fundamentos do setor do aço dos Estados Unidos permanecem pressionados no curto prazo, com a indústria rodando a cerca de 73% de sua capacidade”, diz trecho do relatório assinado pelos analistas Leonardo Correa e Marcelo Arazi.

“Apesar da reação inicial possa ser cobrir shorts e procurar por negócios rápidos, nós recomendamos um pouco de cautela”, complementam.

Essa postura também pôde ser vista no lado do governo brasileiro. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que vai esperar “decisões concretas” dos americanos antes de eventualmente anunciar uma retaliação comercial.

A cautela com a qual o mercado opera e o governo sinaliza é decorrente de uma análise de que Trump possui uma postura dúbia, quando o assunto são tarifas.

Depois de assinar um decreto impondo tarifas de 25% sobre produtos do México e do Canadá, dois dos principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, o presidente americano suspendeu a medida por um mês, após os vizinhos anunciaram medidas para aumentar a segurança das fronteiras.

Para um gestor ouvido pelo NeoFeed, se os Estados Unidos seguirem com a medida e também decidirem não taxar o México, após a disposição demonstrada pela presidente Claudia Sheinbaum de negociar com Trump, as empresas podem utilizar o vizinho do sul para vender aço e alumínio.

“Se a tarifa for mantida, as empresas irão redirecionar as exportações. Por exemplo, para o México, que até agora pode colocar sem a tarifa dos Estados Unidos”, diz o gestor, que teve exposição ao setor de siderurgia.

Para ele, a postura de Trump “continua parecendo uma estratégia política de negociação mais do que qualquer outra coisa”.

Vencedor claro

Apesar da cautela, os analistas do BTG Pactual deram um pequeno insight sobre como essa questão pode pesar nas companhias de siderurgia da Bolsa. E, na contramão do senso comum, eles entendem que há nomes que podem se beneficiar.

É o caso da Gerdau, que tem operações nos Estados Unidos. A companhia possui operações no país e não exporta para lá. Com cerca de 38% das receitas vindas da América do Norte, a questão é saber se a companhia pode ser afetada pelas tarifas pelo lado do Canadá – a Gerdau opera 11 unidades de produção de aços longos e especiais nos Estados Unidos e Canadá.

Um gestor destaca que a Gerdau de fato está protegida, mas a companhia enfrenta problemas no Brasil, com a pressão exercida pelo aço chinês e as perspectivas da economia. “Para a Gerdau, é ligeiramente positivo. Mas a empresa tem problemas no Brasil, onde o preço está caindo. É um gás (para a Gerdau), mas não acho que é game changer“, diz ele, que zerou recentemente a posição na empresa.

Já para outro gestor, apesar da Gerdau aparentemente sair ilesa, o melhor no momento é seguir Trump e apostar nos Estados Unidos. “É muito melhor estar posicionado com empresas americanas desse setor”, diz ele, cuja gestora tem exposição na Nucor, empresa que produz aço e tem sede na em Charlotte, na Carolina do Norte. A ação estava subindo 6,03%, na Bolsa de Nova York, a US$ 138,12.

Aurelio Maduro
Aurelio Maduro
Aurelio Maduro de Abreu é mestre pela George Washington University, doutorando pelo IDP, foi executivo em empresas como IBM, TELEFONICA, Votorantim, CLIA/ABREMAR, Grupo FSB. Atualmente é Presidente do I3GS, docente na Especialização em Compliance e Governança da UnB e professor colaborador na Faculdade de Tecnologia da mesma Instituição.

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