Melhores restaurantes de São Paulo: top 9 do Prêmio Paladar

GastronomiaMelhores restaurantes de São Paulo: top 9 do Prêmio Paladar

A cidade é uma estranha senhora. Que hoje sorri e amanhã te devora

Os versos dos Saltimbancos poderiam muito bem definir São Paulo – metrópole que celebra aniversário em janeiro – e que é um verdadeiro palco de opções para quem deseja inverter a ordem e devorar a cidade.

Paladar preparou um guia completo para revelar quais são os 9 restaurantes melhores da cidade e por que eles lideram a lista de quem deseja vivenciar uma bela experiência gastronômica.

O ranking foi feito com base no Prêmio Paladar, concurso realizado em 2025 para celebrar os 20 anos do caderno do Estadão. Um júri especializado participou da seleção e aqui, para comemorar, você confere os 9 privilegiados por causa da excelência de preparos, serviço, consistência e conceito.

Veja como foi a noite do Prêmio Paladar

Os 9 prediletos em São Paulo são:

1. Tuju

Premiado como o mais belo arquitetonicamente da cidade, é duas estrelas Michelin e não tem somente a assinatura de seu chef, Ivan Ralston, mas também da esposa, a pesquisadora Katerina Cordás. Um restaurante que interpreta o Brasil por temporadas, não por estação. Um lugar que não existiria sem os ingredientes brasileiros descobertos em campos, bibliotecas e hortas, tampouco sem a adega de mais de mil rótulos de vinho.

Quanto custa comer no Tuju?

Daria para falar do menu todinho. Destaque para a rabanada e sushi. O mexilhão + cenoura + arroz implica um pão de arroz quase confitado, coberto pelo marisco carnudo, que contrasta com a cenoura tostada. Convém apreciá-lo em duas ou três bocadas, até para a alegria durar um pouquinho mais.

R. Frei Galvão, 135 – Jardim Paulistano. Ter. a sex., das 19h às 22h; sáb. das 12h às 15h e das 19h às 22h. Reservas: (11) 91899-0002

2. Fame

Fame é a somatória do chef Marco Renzetti na cozinha com a sommelière Erika Renzetti no salão. Mais do que isso, o segundo colocado mostra que a liberdade de expressão é recompensada.

Ali, o cozinheiro romano não esquece suas raízes, nem por isso faz culinária italiana – ele se entrega a influências espanholas e japonesas; permite que vinhos franceses conduzam suas receitas.

O Fame tem apenas 16 lugares, só abre à noite, de quarta a sábado. Num ambiente discretamente elegante, oferece exclusivamente menu-degustação – uma sequência notável de dez pratos tecnicamente impecáveis, inovadores nos sabores. A cozinha mantém raízes na Itália (as massas são de comer rezando), mas se abriu a outros ventos. Bom retrato do estilo está no arroz de cogumelos, mais perto de um arroz caldoso espanhol, servido com tutano, que para o risotto italiano.

Rua Oscar Freire, 216, Cerqueira César.

3. Manì

Com quase 20 anos de história, o Manì e a chef Helena Rizzo acumulam prêmios. O restaurante nasceu querendo ser “natureba”, despretensioso, com uma pegada saudável e produtos orgânicos. Mas o quilate da chef, Helena Rizzo, logo conduziu o menu para a alta gastronomia.

Um dos melhores é o nhoque de mandioquinha com dashi de tucupi, que acabou virando um clássico da casa, aproveitando a técnica japonesa do dashi e os brasileiríssimos mandioquinha e tucupi, com primorosa decoração feita com mini-pétalas.

Outro prato maravilhoso que ilustra bem essa história é a feijoada, uma releitura do clássico, transformado em esferas de feijão e servido com carpaccio de pé de porco gelatinoso e farofa de castanha-do-pará.

Foi no Manì que os paulistanos provaram pela primeira vez o ovo perfeito, um ícone da cozinha de vanguarda espanhola, em que o ovo é cozido a 60º por uma hora e meia, até que a gema fique gelatinosa e a clara sólida, mas bem macia. Para acompanhar, espuma de pupunha.

Rua Joaquim Antunes, 210, Pinheiros.

4. Evvai

Oba, vamos nessa. É (mais ou menos) esse o significado da expressão evvai em italiano.

O nome, que causou estranheza na época da inauguração do restaurante comandado por Luiz Filipe Souza, se incorporou ao vocabulário paulistano de quem gosta de comer. E hoje indica um belo destino gastronômico, lugar de “cozinha notável, com pratos habilmente elaborados e com a personalidade do chef evidente”.

A definição consta no Guia Michelin, que classificou o Evvai com duas estrelas na edição de 2025. Ninguém conquista por acaso duas estrelas no célebre guia francês.

O menu de oito (pequenos) pratos, além de quatro “petiscos” para comer com as mãos e duas sobremesas (essas assinadas pela também incrível Bianca Mirabili), tem grandes momentos, entre eles a bomba de vieira, um clássico que o chef reinventa a cada temporada, brincando com texturas e temperaturas.

Serviço atencioso, equipe bem preparada e bela proposta de harmonização com vinhos completam a experiência. O Evvai serve apenas menu-degustação e está sempre cheio.

Rua Joaquim Antunes, 108, Pinheiros.

5. D.O.M

Manter um restaurante aberto e prestigiado por 25 anos em uma cidade como São Paulo não é fácil. O chef Alex Atala conseguiu isso com seu D.O.M., inaugurado em 1999. Primeiro restaurante brasileiro a despertar atenção no exterior, a figurar nos rankings internacionais – e também a conquistar 2 estrelas no Guia Michelin – , desde o início recebeu chefs estrangeiros e visitantes interessados em conhecer a gastronomia feita à base de produtos brasileiros, a partir das técnicas de vanguarda.

O menu propõe uma viagem gastronômica com 12 etapas – atualmente, está em cartaz o menu que celebra os 25 anos, dedicado ao sertão, inspirado em pratos regionais e poesias de Ariano Suassuna.

Durante a semana, no almoço, há também o menu-executivo, em que se escolhe peixe, frango ou filé, acompanhados de feijão roxinho, farofa e banana à milanesa.

Rua Barão de Capanema 549, Jardins.

6.A Casa do Porco

Dez anos atrás, parecia loucura montar um restaurante gastronômico apoiado apenas num produto. Mas a história provou o contrário e A Casa do Porco conquistou vários prêmios e reconhecimento, no país e no exterior – chegou ao 4º lugar entre os 50 Melhores Restaurantes da América Latina, em 2022, e no mesmo ano, ao 7º no ranking global. Atualmente ocupa a 15ª posição na América Latina e 83ª, no mundo.

Lá, o porco é sabiamente temperado à moda caipira e assado inteiro, aberto, em uma churrasqueira especialmente construída no salão do restaurante. Passa de seis a oito horas no fogo até sair macio, de cortar com a colher. Chega à mesa com couve, farofa, tartar de banana e outros eventuais acompanhamentos. Clássico, caipira, técnico, ele é a estrela da Casa do Porco.

Confira o novo menu da Casa do Porco

Rua Araújo, 124, Repúblic

7. Cepa

Lucas e a mulher, a sommelière Gabrielli Fleming, abriram o Cepa em 2019, no Tatuapé, com o sonho de ter um restaurante autoral fora do circuito gastronômico. Conquistaram prestígio, prêmios e reconhecimento, mas a casa só lotava no fim de semana e ficou difícil mantê-la aberta. Há um ano, o casal instalou o Cepa em Pinheiros, num dos pontos mais simpáticos do bairro, a Praça dos Omaguás. O restaurante está concorrido desde a abertura, em agosto de 2024, com inevitáveis filas de espera.

O cardápio ali é enxuto, feito à base de muita técnica, pouco molho e sem a preocupação de ser reconfortante. O menu é sazonal e varia conforme a disponibilidade de ingredientes no dia. Entre os pratos que ficaram famosos, o denver steak, que chega ao ponto, com leve crostinha e o interior rosado, acompanhado por molho bernaise e fritas; a língua de wagyu curada, servida com caldo de galinha, quiabo e hortelã; e a lula na brasa com bagna cauda.

Praça dos Omaguás, 110, Pinheiros

8.Aiô

Aiô quer dizer surpreendente, em mandarim – e o nome expressa perfeitamente o espírito do lugar, especializado em comida taiwanesa. Trata-se de um dos restaurantes mais interessantes da cidade e, não por acaso, faz sucesso desde que abriu as portas, em 2023, na Vila Mariana.

O cardápio traz pequenos pratos autorais, para compartilhar, com molhos e caldinhos que convidam a trocar o kuàizi (a versão do hashi em Taiwan) pela colher várias vezes durante a refeição.

Os baos são obrigatórios – Aiô é o irmão mais novo do Mapu Baos, dos mesmos donos, que começou como food truck de sanduíches feitos no pãozinho chinês cozido no vapor e virou um restaurante, ali pertinho. O bao de peixe frito é o mais pedido, com salsão, pepino e pimenta de cheiro.

Rua Áurea, 307, Vila Mariana.

9. Mocotó

Mocotó é um lugar onde se come e se diverte deliciosamente. É um belo programa de paulistano – e de muitos gringos que frequentam a casa, na Zona Norte, entre eles chefs celebridades internacionais, além de brasileiros de todos os cantos. A filosofia da casa é a de que o restaurante tem que restaurar, quer dizer, tem que fazer as pessoas saírem melhor do que entraram.

Na fila imperam as porções, o torresmo frito na hora, carnudo, macio por dentro, com a crosta sequinha e crocante; os dedinhos de tapioca servidos com melado de cana; o croquete de carne de sol. O caldo de mocotó e a mocofava, mistura do caldo com a favada, também fazem sucesso. A caipirinha de caju, cachaça, limão cravo e mel disputa a preferência com a minha nêga, que leva cachaça envelhecida em amburana, limão taiti e xarope de rapadura. Ah, tem a jambu tônica também, feita com cachaça com jambu, água tônica e limão.

Na mesa, o jeito é pedir vários pratos, em porções menores, afinal, não se vai ao Mocotó todos os dias. Não dá para perder também a carne-seca desfiada com cebola roxa puxada na manteiga de garrafa, acompanhada de mandioca cozida e jerimum assado. Sobremesa? Várias ótimas, mas vá de pudim de creme brûlée de doce de leite e umburana.

Av. Nossa Sra. do Loreto, 1100 – Vila Medeiros, São Paulo – SP, 02219-001.

R. Aroaba, 333 – Vila Leopoldina,



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