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Se há uma coisa que os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 mostraram é que, hoje, competir no gelo é também competir em estilo. Em Milão-Cortina, o gelo virou passarela a começar pelos uniformes dos atletas que deixaram de ser apenas equipamentos técnicos para virar verdadeiros manifestos visuais: peças pensadas para a abertura, para o pódio, para a competição, mas com clara vocação para as ruas — e, por que não, até para as primeiras filas das semanas de moda.
Entre as delegações, um desfile de identidades nacionais traduzidas em design. A alfaiataria esportiva da Ralph Lauren para os Estados Unidos, por exemplo, trouxe nostalgia e glamour da clássica estação de esqui. A Itália, vestida pela Emporio Armani, por sua vez, apostou no branco absoluto como símbolo de pureza, elegância e respeito à tradição — ainda mais carregado de emoção após a recente morte de Giorgio Armani, que foi homenageado na cerimônia de abertura. O Canadá, com a Lululemon, transformou a folha de bordo em protagonista gráfica, enquanto a França, pela Le Coq Sportif, revisitou os anos 1970 com recortes retrô e tecidos de alta performance e o Reino Unido trouxe Ben Sherman, com os clássicos casacos dogtooth, cardigãs com Union Jack e golas altas anos 1960.
Destaque ainda para os estilosos atletas da Mongólia vestidos com as caxemiras da Goyol Cashmere em looks inspirados nas vestimentas do Império Mongol dos séculos XII a VX e os trajes vibrantes e coloridos de Stella Jean para o time do Haiti.
Mas um dos destaques veio com sotaque brasileiro e direto das montanhas: a Moncler, responsável pelos looks de cerimônia e das equipes de esqui do Brasil, provou que o país tropical também sabe — e muito — jogar o jogo do inverno. Parkas impecáveis, tons de branco e marfim e uma estética que mistura alta performance com luxo silencioso colocaram o Brasil no radar fashion da neve em looks feitos em parceria com o nosso Oskar Metsavaht.
A cerimônia de abertura, no histórico estádio San Siro, foi o ápice desse espetáculo. Entre esculturas monumentais, cores, referências à arte italiana e uma plateia que misturava atletas, supermodelos e estrelas de cinema, a moda assumiu o papel de narrativa visual. Vestidos de alta-costura, ternos sob medida e figurinos pensados como performance transformaram o ritual olímpico em um show de estilo.
Brasil e o après-ski
Mas onde encontrar essas “roupas de esqui” no Brasil? Bom, não é de hoje que os brasileiros amam esses looks de inverno – mesmo sendo um país sem neve, sobra desejo. A verdade é que, por aqui, o après-ski já é sinônimo de lifestyle há algum tempo e, cada vez mais, o guarda-roupa de inverno ganha espaço fixo no imaginário — e no closet — de quem viaja para destinos gelados e quer estar à altura das paisagens. Nesse cenário, existem marcas nacionais que brilham como a gaúcha Anselmi, por exemplo.
Nascida em Farroupilha, no Rio Grande do Sul, a marca começou há quatro décadas, de forma quase artesanal, pelas mãos de Maria de Lourdes Anselmi. Hoje, comandada pela família, virou referência em tricô de alto padrão, com controle total da produção, fios próprios e um olhar apurado para sustentabilidade e inovação. Seus tricôs — impecáveis no acabamento e sofisticados no design — conquistaram não só o mercado, mas também celebridades como Anitta, Isabella Fiorentino, Deborah Secco e Angélica, que recorrem aos desenhos de Sandra Anselmi quando o roteiro inclui neve, chalés e temperaturas negativas.
No fim das contas, os Jogos de Inverno estão aí para evidenciar que entre montanhas italianas, parkas de luxo e tricôs brasileiros, o inverno se confirma como território de sonho, estilo e identidade. Porque, quando a moda entra em cena, até o gelo parece mais quente.







Fonte: veja.abril
