O que os chefs comem para se aquecer no inverno?
Toshi Akuta, Mari Sciotti, Yves Saliba, Marta Garcia, Hugo Delgado e Paty Werneck contam quais alimentos são seus aliados na hora de se aquecer no inverno. Crédito: Giulia Howard/Estadão
Há cinco anos, o chef argentino Pablo Inca encontrou no alto de um edifício no centro de São Paulo o lugar para desenvolver uma cozinha feita de encontros: entre ingredientes brasileiros, referências latino-americanas, produtores locais e o que a sazonalidade oferece.
Para celebrar essa trajetória, o Cora inicia a programação de aniversário com o projeto “Cora Antropofágico”, série de cinco capítulos que propõe, mês a mês, diferentes maneiras de pensar a relação da casa com a comida, a cidade e as referências que a formaram.
O primeiro deles é “Digerir a América”, jantar marcado para 19 de agosto, quando Inca recebe o também argentino Bernabé Simón Padrós, chef do Emile, no Rio de Janeiro. A escolha dos dois cozinheiros não é fortuita: embora tenham nascido no mesmo país, suas formações passaram por diferentes territórios e cozinhas da América Latina – experiências que agora se encontram em um menu colaborativo criado especialmente para a ocasião.

Cora, restaurante Michelin Bib Gourmand Foto: Angelo Dal Bo/Divulgação
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Dois argentinos, muitas cozinhas
Nascido em Jujuy, no norte da Argentina, Pablo Inca construiu boa parte de sua carreira em São Paulo. Antes de assumir o Cora, passou pelas cozinhas do Arturito e do La Guapa e comandou o Mangiare entre 2014 e 2020. Também viveu uma temporada no St. John, em Londres. Seu repertório reúne referências argentinas, laosianas e indígenas, além de uma relação próxima com ingredientes sazonais e com o trabalho de pequenos produtores.
É uma trajetória que ajuda a entender a própria cozinha do Cora. Desde a abertura, em 2021, a casa trabalha com a valorização do produto e com referências latino-americanas, construindo um cardápio que acompanha a sazonalidade e transforma diferentes influências em uma linguagem própria. O restaurante, idealizado por Inca ao lado dos sócios Rafael Capobianco e Dany Simon, ocupa o sexto andar de um edifício histórico no centro de São Paulo e integra as seleções do Guia Michelin e do 50 Best.
Do outro lado da mesa estará Bernabé Simón Padrós, chef argentino que atualmente comanda o Emile, restaurante do Hotel Emiliano Rio. Antes de chegar à casa carioca, construiu uma trajetória marcada pela passagem por cozinhas de diferentes países da América Latina, incluindo o Astrid y Gastón, o Central, de Virgilio Martínez, e o Kjolle, de Pía León. A experiência no Peru aproximou o cozinheiro de uma gastronomia fortemente ligada ao território e à diversidade de ingredientes locais.

O chef Pablo Inca, do Cora, se une a Bernabé Simón Padrós, do Emile, para uma noite que reúne referências construídas em diferentes cozinhas latino-americanas Foto: Pablo Inca/Acervo Pessoal
No Emile, Padrós dá continuidade a esse repertório a partir dos produtos brasileiros e de uma cozinha contemporânea que também dialoga com diferentes referências latino-americanas. É justamente esse trânsito entre territórios que aproxima os dois chefs e serve de ponto de partida para o jantar no Cora.
Em vez de um menu fechado, Inca e Padrós prepararam uma seleção de pratos que será servida exclusivamente na noite. A sequência começa com coalhada, berinjela, picles, tomates crocantes e pão na brasa (R$ 52), seguida por pupunha com dedo-de-moça e panka (R$ 65) e cogumelo eryngui com abóbora e lentilha beluga (R$ 72).
Entre os principais, estarão peixe do dia com limão e coentro (R$ 85), corte de carne com brócolis e missô (R$ 150) e cordeiro com milho (R$ 98). Para terminar, atemoia com cacau e nibs (R$ 46) e chocolate com kinkan, bourbon e doce de leite (R$ 46). Os vinhos da noite serão fornecidos pela Dominio Cassis Importadora.
Cinco anos para digerir o mundo
O jantar inaugura o “Cora Antropofágico”, projeto criado para celebrar os cinco anos do restaurante a partir de uma ideia cara à cultura brasileira: a antropofagia como capacidade de absorver influências externas, transformá-las e devolvê-las em uma expressão própria. A programação será dividida em cinco capítulos, cada um guiado por um verbo: “Digerir a América”, “Comer a Terra”, “Fermentar Ideias”, “Tomar a Cidade” e “Devolver ao Mundo”.
Depois do jantar de agosto, setembro será dedicado a “Comer a Terra”, com um almoço especial na Queijaria Rima, parceira do Cora, no dia 12. Em outubro, “Fermentar Ideias” reunirá chefs convidados para criar, ao lado de Pablo Inca, pratos inspirados no universo da fermentação. Participam dessa etapa Júlia Tricate, Fábio Pasquale, Raphael Vieira, Leonardo Akira e Júlia Fraga. Cada criação também dará origem a uma conserva que ficará disponível para venda durante o mês.
A programação segue com “Tomar a Cidade”, em novembro, em ações realizadas em parceria com cafeterias do bairro, e termina com “Devolver ao Mundo”, quando Inca apresenta os resultados dos aprendizados e das referências absorvidas ao longo do projeto.

Chef Pablo Inca, do Cora Foto: Nani Rodrigues
Mais do que uma comemoração de aniversário, o “Cora Antropofágico” funciona como uma espécie de retrospectiva em movimento da casa. Se a antropofagia modernista propunha devorar referências para criar algo novo, a trajetória do Cora parte de uma lógica semelhante; agora um cozinheiro argentino que chegou ao Brasil e, ao longo dos últimos cinco anos, transformou diferentes ingredientes, culturas e experiências em uma cozinha própria no centro de São Paulo.
Serviço
Digerir a América — Cora Antropofágico
19 de agosto, a partir das 19h
Cora — Rua Amaral Gurgel, 344, 6º andar, São Paulo
Jantar à la carte, com pratos servidos exclusivamente na ocasião
Reservas pelo WhatsApp: (11) 3231-4561
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