Cientistas mapeiam atividade gênica no córtex …

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Por Will Dunham

WASHINGTON, 23 Set (Reuters) – Cientistas criaram um mapa detalhado da atividade gênica ​em uma parte crucial do cérebro chamada córtex pré-frontal, obtendo novos insights sobre o desenvolvimento normal e as principais doenças cerebrais, como Alzheimer, Parkinson e esquizofrenia.

Em nove estudos distintos, os pesquisadores examinaram mudanças em tipos específicos de células cerebrais que ocorrem ao longo do tempo e avançaram em direção a decifrar processos moleculares subjacentes a algumas das doenças cerebrais mais devastadoras, um passo em direção a possíveis novos tratamentos.

O córtex pré-frontal é a parte frontal da camada externa do cérebro, localizada atrás da testa. Ele ajuda a pessoa a planejar, tomar decisões, regular emoções e adaptar o comportamento. Também é sensível ao declínio relacionado à idade, e suas funções são afetadas em muitos distúrbios psiquiátricos e neurodegenerativos.

A atividade gênica foi examinada nos núcleos de mais de 6,3 milhões de células cerebrais — neurônios, células imunológicas, células associadas aos vasos sanguíneos e células de suporte que ajudam a manter a função cerebral — de 1.494 doadores falecidos, com idades variando da infância até 108 anos e com diversas origens ⁠genéticas.

Entre os doadores, havia pessoas ⁠sem diagnóstico de distúrbio cerebral, bem como pessoas diagnosticadas com condições ​como Alzheimer, ‌Parkinson, demência com corpos de Lewy, demência vascular, esquizofrenia e transtorno bipolar.

A pesquisa identificou padrões comuns a algumas dessas doenças, bem como outros específicos de cada distúrbio.

“Juntos, esses estudos ajudam a explicar onde ocorrem as alterações relacionadas às doenças e quais processos biológicos merecem uma investigação mais aprofundada”, disse o Dr. Panos Roussos, diretor do Centro de Neurogenômica de Doenças da Escola de Medicina Icahn do Mount Sinai, na cidade de Nova York, e um dos ⁠líderes da pesquisa publicada nesta quarta-feira na revista Nature e em outras publicações.

“Um tratamento eficaz precisa influenciar o processo biológico ​correto nas células certas. Esse mapa ajuda a restringir essa busca. Ele pode identificar populações celulares vulneráveis, revelar processos associados à preservação da função cerebral ​e ajudar pesquisadores a decidir quais alvos terapêuticos potenciais devem ser testados”, disse Roussos.

O trabalho ‌foi realizado como parte do consórcio de ​pesquisa PsychAD, ⁠com apoio do Instituto Nacional sobre Envelhecimento, que faz parte dos Institutos Nacionais de Saúde do governo dos Estados Unidos.

FORTES SEMELHANÇAS

A doença de Alzheimer, a doença de corpos de Lewy, a demência vascular e a doença de Parkinson apresentaram semelhanças particularmente fortes na atividade gênica envolvida no desenvolvimento das células nervosas, na comunicação neuronal e na biologia ​dos vasos sanguíneos. Os pesquisadores também identificaram vias compartilhadas entre a doença de Alzheimer e a doença de Parkinson na micróglia, as células imunes residentes no cérebro.

Ao comparar amostras cerebrais de doadores de diferentes idades, os pesquisadores encontraram extensas alterações moleculares durante o desenvolvimento até a idade adulta, relativa estabilidade durante grande parte da vida adulta e, em seguida, novas alterações mais tarde na vida, particularmente nas células imunológicas e de suporte.

“Isso fornece uma referência para distinguir o envelhecimento típico das alterações associadas ​à doença”, disse Roussos.

Os pesquisadores identificaram a idade de aproximadamente 24 anos como um ponto de transição, após o qual a maior parte dos tipos de células nessa região se torna mais estável.

“Isso não significa que o cérebro de repente termine de se desenvolver no dia em que alguém completa 24 anos, nem que o declínio comece nessa idade. Outros aspectos da biologia cerebral continuam a mudar ao longo da vida”, disse Roussos.

Os pesquisadores descobriram padrões celulares associados a diferenças na cognição e à depressão que acompanha a doença de Alzheimer. Por exemplo, pessoas que mantiveram a função cognitiva apesar de apresentarem patologia significativa da doença de Alzheimer mostraram diferenças nos processos relacionados à energia nas células cerebrais.

“Isso fornece pistas sobre possíveis mecanismos de proteção que precisam de testes adicionais”, disse Roussos.

RISCO GENÉTICO HEREDITÁRIO

Os pesquisadores associaram o ​risco genético hereditário de distúrbios a genes e tipos de células específicos e mapearam as influências genéticas na atividade de mais de 14.000 genes.

Eles também reconstruíram padrões diários de ‌atividade gênica usando amostras cerebrais de pessoas que faleceram em diferentes ⁠horários do dia. Em adultos mais jovens e de meia-idade, os genes do relógio biológico apresentaram padrões coordenados nos neurônios. Em adultos mais velhos, esses padrões eram mais fracos e menos sincronizados.

“Isso sugere que o envelhecimento altera a forma como os ritmos biológicos diários são organizados no cérebro. Se a restauração desses ritmos ⁠poderia melhorar a saúde cerebral é uma questão importante para pesquisas futuras”, disse Roussos.

Os pesquisadores também criaram ⁠perfis moleculares de doadores individuais que tinham Alzheimer e identificaram diferenças na regulação ⁠gênica e interações previstas entre tipos ⁠de ​células entre os indivíduos.

“Isso ajuda a explicar a variação biológica entre pessoas com o mesmo diagnóstico e fornece uma base para investigar estratégias de tratamento mais individualizadas”, disse Roussos.

Fonte: antena1

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