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Não foi um vestido de impacto pelo excesso. Foi pelo significado. Para dar início à divulgação de “A Odisseia”, em Nova York, Zendaya apareceu envolta em tecidos claros e fluidos, como se tivesse acabado de descer do Monte Olimpo. A escolha não parece casual. Conhecida por transformar cada estreia em um exercício de narrativa através da roupa, a atriz usou a moda para apresentar, antes das palavras, a personagem que viverá nas telas: Atena, a deusa da sabedoria, da estratégia e das artes.
Na mitologia grega, Atena nasceu já adulta e armada, símbolo de inteligência, equilíbrio e poder. Ao longo dos séculos, a arte passou a retratá-la também com túnicas claras e drapeadas, em contraste com a armadura, criando uma imagem de força serena que atravessou a história da moda – do neoclassicismo às coleções de alta-costura inspiradas na Antiguidade.
Foi justamente esse caminho que Zendaya percorreu. O conjunto da Khaite, da coleção Resort 2027, troca o figurino literal por uma interpretação contemporânea. A blusa de caimento líquido, o decote profundo, a saia de transparência delicada e o cinto marcando a cintura lembram as antigas túnicas gregas, mas na interessante linguagem minimalista que domina a moda atual.
O branco, ou melhor, os tons de marfim e off-white, também chamam atenção por outro motivo. Depois de meses surgindo com produções claras em eventos e tapetes vermelhos, Zendaya alimenta as especulações sobre uma estética bridal que vem aparecendo com frequência entre celebridades. Mesmo sem qualquer confirmação sobre sua vida pessoal, o mercado de moda tem apostado em vestidos que transitam entre o universo nupcial e o guarda-roupa cotidiano. Tecidos leves, drapeados, transparências discretas e cores suaves deixaram de ser exclusivos das noivas para ganhar espaço nas coleções de verão.
Nos pés, outra pista de tendência. As sandálias gladiadoras, fenômeno absoluto dos anos 2000 e da primeira metade da década de 2010, voltam em uma versão bem menos literal. Saem as amarrações intermináveis até os joelhos; entram tiras mais limpas, saltos delicados e acabamento metalizado. É uma atualização que conversa com a estética boho em ascensão, com o luxo silencioso e com a busca por peças que unem conforto e informação de moda.
Não por acaso, a volta dessas referências acontece justamente quando as passarelas recuperam o drapeado, a cintura marcada e a sensualidade discreta. Marcas como Chloé, Dior e Khaite têm revisitado elementos da Antiguidade sem transformá-los em fantasia, aproximando-os do cotidiano.
Zendaya e Law Roach conhecem como poucos esse jogo entre figurino e narrativa. Foi assim durante a divulgação de “Duna”, quando a atriz explorou uma estética futurista; aconteceu também com “Homem-Aranha”, quando referências às teias apareciam de forma sutil nas produções. E agora, tudo indica que a mitologia grega será o fio condutor de mais uma turnê de moda da atriz, capaz de influenciar vitrines, passarelas e o guarda-roupa das próximas temporadas.

Fonte: veja.abril
