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Existem mulheres que vestem tendências, e existem outras, raras, que fazem as tendências nascerem. Giovanna Antonelli faz parte da segunda categoria. E nesta quarta-feira, 18, ela completa 50 anos atravessando o tempo com a mesma habilidade fashion com que atravessa telas: transformando tudo o que toca em desejo — não só o que usa, mas é sobre o que ela é e provoca. Um tipo de feminilidade que é, ao mesmo tempo, acessível e aspiracional. Que não intimida, mas convida. E que vende — vende muito, aliás.
Giovanna entendeu cedo algo que muitas marcas ainda tentam decifrar: estilo é sobre tradução. Algo que ela faz naturalmente: consegue traduzir como poucas o imaginário da mulher brasileira. Seja em campanhas publicitárias ou na vida real, há sempre um elemento reconhecível — uma sandália que poderia estar no seu armário, um vestido que parece possível, um batom que você já quis testar. Talvez por isso sua imagem tenha se tornado um fenômeno comercial tão potente, que viralizava muito antes de se imaginar as redes sociais. A explicação: Giovanna não se limita a representar uma estética; ela legitima escolhas.
“Até hoje eu fico impressionada como as mulheres querem usar o que eu uso, me escutam, se inspiram em mim, gostam realmente de como eu sou. Por isso, eu resolvi falar com elas e para elas”, disse Giovanna à coluna no ELAS — encontro que reuniu mais de três mil participantes em São Paulo, para imersão sobre autoconhecimento e transformação pessoal.
Delírio coletivo e poder feminino
Na televisão, essa força ganhou escala nacional. Quando interpretou Jade em “O Clone”, por exemplo, Giovanna criou um fenômeno cultural. As calças fluidas, os véus, os tecidos translúcidos, os bordados dourados, o delineador marcado, as pulseiras que abraçavam as mãos, tudo que ela usava se tornou uma espécie de delírio coletivo. De repente, o Brasil inteiro queria um pouco daquele Marrocos imaginado. Salões de beleza replicavam a maquiagem, lojas populares adaptavam os figurinos, e a estética árabe virou febre. Jade transpôs o papel e virou um portal.
Anos depois, veio outra virada. Em “Salve Jorge”, sua delegada Helô redefiniu o guarda-roupa da mulher poderosa na TV aberta. Vestidos ajustados, camisas de seda, saltos altíssimos, cabelos sempre impecáveis. Era autoridade com sensualidade, rigor com charme. Helô saiu da ficção direto para os escritórios, delegacias e jantares pelo país. Toda mulher queria aquele equilíbrio quase impossível entre força e feminilidade.
E não parou por aí. Vieram Atena, em “A Regra do Jogo”, com seu glamour provocador e quase perigoso; Luzia, em “Segundo Sol”, trazendo uma estética mais solar, brasileira, descomplicada; e tantas outras mulheres que ajudaram a moldar o gosto popular sem nunca parecerem distantes demais.
Fora da ficção, Giovanna segue afinando esse repertório com inteligência. Já transitou entre várias campanhas de marcas relevantes, sempre com uma estética que conversa diretamente com quem consome. Seu estilo pessoal mistura alfaiataria leve, vestidos fluidos, monocromias elegantes e aquele toque de sensualidade que nunca parece esforço, é instintivo, o que talvez seja o mais fascinante: Giovanna não impõe moda, ela sugere. E assim abre caminhos. Seu poder não está em parecer inalcançável, mas em fazer você acreditar que também pode vestir a própria história com um pouco mais de intenção, um pouco mais de brilho e a coragem de transformar o comum em assinatura. Aos 50, ela segue provando que estilo, quando é de verdade, não envelhece. Só amadurece — e, no caso dela, continua inspirando mais e mais.

Fonte: veja.abril
