Depois de duas décadas fora do mercado brasileiro, o champanhe Charles Heidseick volta ao país, agora comercializado pela importadora V3D. Um jantar no Filomena, a sala privativa do hotel Rosewood, em São Paulo, nesta próxima semana, marca este retorno de um champanhe que se posiciona no mercado pelo seu perfil mais gastronômico, com uma bebida mais propensa a harmonizações à mesa.
“O Raí é o meu jogador preferido; o Guga, o melhor tenista, e o Ayrton Senna o melhor piloto. Somos grandes apreciadores do Brasil”, brinca Stephen Leroux, diretor executivo da maison, em entrevista exclusiva para Paladar. Ele respondia, com humor, porque a Charles Heidseick está voltando ao mercado brasileiro. Na verdade, a chegada ao Brasil é mais uma etapa de investimento da maison, que desde 2012 integra o EPI Group – de 1985 a 2011, a marca pertenceu à Remy Cointreau, que priorizou outras bebidas, em detrimento dos investimentos na maison.

Stephen Leroux Foto: Leif Carlsson
Nesta nova fase, a Charles Heidseick voltou a valorizar os princípios de seu fundador, como a grande proporção de vinhos de reserva (o vinho de safras anteriores que fica armazenado nas caves subterrâneas) no blend, com idade média de 4 anos para o champanhe não safrado e de 10 anos para os safrados. Nessa assemblagem, os vinhos de reserva chegam a representar 40%, proporção considerada alta na região. Os champanhes, ainda são elaborados apenas com o vinho da primeira prensagem das uvas. E, ainda, pela filosofia da casa, eles amadurecem nas caves por um período pelo menos três vezes mais longo do que o determinado pelas regras do champanhe.
Força Francesa

Uvas Charles Heidseick Foto: Leo Ginailhac
O debut da Charles Heidseick também exemplifica o potencial dos vinhos franceses no Brasil. Estudo da Ideal.Bi para o Business France e a Vinexposium, mostra o crescimento consistente das marcas desse país europeu por aqui. No ano passado, as exportações dos rótulos franceses para cá cresceram 10% em volume e 14% em valor, em relação ao ano anterior.
Mais do que isso, estes vinhos de origem francesa são os mais caros na nossa balança comercial. Em 2025, o valor médio FOB da caixa de 9 litros atingiu a marca histórica de US$ 77,26, o maior já registrado. No exemplo da maison, a V3D está trazendo três rótulos do portfolio: o Brut Réserve, por R$ 675, o Rosé Reserve, por R$ 875 e o Blanc de Blancs, por R$ 875.

Crayères Foto: phil queruel
“Faz todo sentido apostar em vinhos premiuns franceses para o mercado brasileiro”, afirma Felipe Galtaroça, CEO da consultoria Ideal.Bi. E acrescenta: “o segmento super premium, com rótulos acima de US$ 100 FOB, registrou o maior crescimento em faturamento entre todas as faixas de preço, com alta de 15%”, afirma Galtaroça.
Nos champanhes, ainda, é menor a concentração das grandes maisons no mercado, abrindo espaço para marcar menores. No Brasil, os dez maiores exportadores detêm uma participação de 33% do faturamento total das marcas francesas. “Isso mostra que o sucesso da França no Brasil não depende de poucos grandes grupos, mas de uma base ampla e diversificada”, explica Galtaroça. É de se esperar, assim, a chegada de outras novas maisons. Ou que empresas mudem o seu posicionamento em busca de maiores vendas, como aconteceu recentemente com o champanhe Billecart Salmon, que recentemente saiu da importadora De la Croix e foi para a World Wine.
