Mesmo diante de conflitos internacionais, passagens mais caras e pressão sobre o orçamento, o interesse por viagens continua elevado. O turismo mundial deve alcançar um novo recorde em 2026, com 1,57 bilhão de chegadas internacionais, crescimento de 2% em relação ao ano passado. Ao mesmo tempo, os hábitos dos turistas estão mudando: em vez de economizar em tudo, muitos preferem controlar os gastos em determinadas etapas para investir mais naquilo que consideram especial.
As projeções fazem parte do WTM Global Travel Report 2026, elaborado pela Tourism Economics em parceria com a World Travel Market (WTM). O levantamento também mostra como a inteligência artificial começa a participar de decisões importantes da jornada, incluindo o planejamento e a conclusão de reservas.
O viajante economiza em alguns itens e investe em experiências
Uma das tendências identificadas pelo relatório é a combinação de diferentes faixas de consumo dentro de uma mesma viagem. Segundo a pesquisa, 56% dos entrevistados demonstraram interesse em equilibrar escolhas econômicas com serviços ou experiências de padrão mais elevado.
Apenas 20% dos participantes se definiram como consumidores que priorizam exclusivamente opções econômicas.
A busca por melhor custo-benefício também aparece na escolha dos destinos. Em 2026, um em cada seis viajantes internacionais afirmou ter escolhido seu destino mais recente principalmente pelo valor oferecido. No ano anterior, essa proporção era de aproximadamente um em cada onze.
Inteligência artificial começa a participar das reservas
A tecnologia também está transformando o planejamento das viagens. O levantamento da Tourism Economics aponta que 36% dos entrevistados confiam na inteligência artificial para concluir uma reserva. Além disso, cerca de um quarto já utiliza essas ferramentas para organizar viagens.
A diferença entre as gerações chama a atenção: entre pessoas de 18 a 34 anos, 54% afirmaram confiar na IA para realizar uma reserva. Entre os participantes com 55 anos ou mais, o índice foi de 18%.
Esses números indicam que a tecnologia começa a ultrapassar a etapa de sugerir destinos e montar roteiros. Sistemas mais avançados já permitem pesquisar opções, comparar preços e realizar etapas da compra dentro de ambientes digitais integrados.
Destinos mais próximos ganham espaço
O crescimento do turismo não acontece da mesma maneira em todas as regiões. O relatório aponta que as viagens de curta e média distância avançaram 3% em 2026, enquanto os deslocamentos entre diferentes regiões do mundo perderam espaço.
A mudança está relacionada, entre outros fatores, ao custo das passagens e às preocupações com a segurança em determinados destinos. Com isso, parte dos turistas tem preferido viajar para lugares mais próximos, reduzindo o tempo de deslocamento e as despesas.
A Europa deve registrar crescimento de 5% nas chegadas internacionais neste ano. África e Oceania aparecem com avanço estimado de 8% cada. Já o Oriente Médio é a única região com queda, com redução de aproximadamente 40% nas chegadas, em meio aos impactos dos conflitos e das interrupções na conectividade aérea.
Para 2027, a previsão é de aceleração do turismo internacional, com aumento de 8% nas chegadas, caso as atuais instabilidades diminuam. As viagens de longa distância também devem se recuperar, com crescimento projetado de 11%.
Mesmo com as mudanças no comportamento de compra, viajar permanece como um objetivo importante para muitas pessoas. O setor demonstra capacidade de adaptação diante de custos mais elevados e de um cenário internacional instável.
Fonte: antena1
