Encontro contou com executivos da empresa, especialistas e profissionais do setor para falar de longevidade e outras demandas do consumidor latino-americano
Por Rodrigo Rezende
A Croda Beauty, divisão de cuidados pessoais da multinacional Croda, promoveu em 22 de setembro, em São Paulo, o evento O Futuro Se Revela, reunindo clientes, fabricantes e profissionais do setor cosmético um dia antes da abertura da in-cosmetics Latin America. O encontro antecipou o conceito que a empresa levou à feira este ano, “Nossa Ciência te revela!”, e teve à frente Alfredo Villalobos, que assumiu em meados deste ano a direção de negócios de Consumer Care da Croda para a América Latina.
Villalobos aproveitou o espaço inspirador do Trio Sky Lounge para destacar o compromisso da companhia – centenária desde 2025 – com relacionamentos de longo prazo com a indústria. “O cliente é o mais importante que nós temos”, afirmou, reforçando que a estratégia regional passa por ouvir os desafios de parceiros do Brasil, México, Colômbia, Argentina e demais países do Cone Sul.

Apresentado por Magda Machado, gerente de marketing da Croda na América Latina, o evento reuniu Daniele Bertasol, gerente de vendas de Consumer Care da Croda no Brasil, e Vânia Goy, jornalista, estrategista e especialista em comportamento de consumo no mercado de beleza e bem-estar. No final, Magda mediou um debate, com a participação de Glasiela Lemos, gerente de P&D, e Helen Jeremiah, vice-presidente global de marketing, ambas também da Croda.

Vânia traçou um panorama sobre longevidade aplicada à beleza, do desejo por uma “naturalidade construída” ao crescimento de termos como “molecular” no discurso das marcas, sinal de um consumidor atraído por linguagem e comprovação científica.
A jornalista também apontou o impacto dos medicamentos à base de GLP-1 como um divisor de águas para a indústria. O cuidado com a flacidez, antes associado a consumidoras acima dos 60 anos, passou a ser demanda em qualquer idade, um desafio que ela descreveu como “central” para o desenvolvimento de produtos, dado o limite do que um creme consegue entregar em termos de reestruturação facial via estímulo de colágeno.
Glasiela Lemos citou o peptídeo Kerabio K31, desenvolvido a partir do estudo da sequência genética da queratina, como exemplo de ciência aplicada ao reparo capilar, e destacou as particularidades do cabelo brasileiro como motor de inovação para a região.
A Croda estrutura sua proposta em três pilares conectados: antecipar, preservar e regenerar. Glasiela destacou que o maior desafio hoje não é mais gerar dado técnico, e sim traduzi-lo em benefício real para quem compra o produto final. “Antes a gente gerava um dado, um gráfico, e entregava para o cliente. Hoje, isso não é mais suficiente”, afirmou, lembrando que o consumidor, no fim das contas, está comprando uma experiência, não uma tecnologia.
No debate, Helen Jeremiah defendeu que pensar no futuro da indústria também significa pensar no impacto sobre a sustentabilidade. “Estamos cada vez mais olhando para como podemos construir ingredientes que tenham a mesma eficácia, com todos os dados e a ciência que os clientes vão precisar, mas também tragam impacto positivo ao planeta. Medimos nossa pegada de carbono, olhamos para a biodiversidade e oferecemos isso aos nossos clientes e parceiros para que tenham as evidências de que precisam quando estão desenvolvendo os seus produtos”, afirmou.
Para a executiva, o desafio do setor é traduzir tecnologia em benefício tangível para o consumidor. “Quando você pensar em produtos de beleza, pense na Croda, porque parte desses produtos de beleza, estamos empoderando o mundo com os nossos produtos e tecnologias”, acrescenta.

A apresentação e o debate somaram duas horas de muito conteúdo e reflexão para os cerca de 50 participantes do evento. Daniele Bertasol definiu muito bem a iniciativa, ressaltando que a palavra que resume o momento é proximidade. “Muito mais do que vender ou apresentar ingredientes, o que a gente quer mesmo é escutar e compartilhar”.
