De origem italiana, a polenta há muito encontrou lugar na mesa brasileira. Por aqui, ela se aproximou de uma relação muito mais antiga com o milho, ingrediente ancestral das Américas que atravessa a nossa cozinha em preparos como angu, pamonha, curau e tantas outras receitas. Depois de passar por períodos de desvalorização, o milho vive hoje uma espécie de reparação na gastronomia, recuperado por cozinheiros que voltam os olhos para suas variedades, técnicas e histórias.
A tradição permanece, mas o preparo também ganhou versões adaptadas à correria do dia a dia. É o caso das polentas instantâneas, também chamadas de pré-cozidas, que ficam prontas em poucos minutos. Para o chef Márcio Shihoma, são “uma ótima opção para quem precisa de agilidade”.
Mas basta colocar uma ao lado da outra para perceber que, mesmo partindo do milho, o resultado pode mudar bastante de uma marca para outra.
Paladar reuniu seis delas, encontradas em supermercados de São Paulo, e convidou um time de chefs para colocar essas diferenças à prova em uma degustação às cegas. Sem saber quais marcas estavam sendo servidas, os jurados avaliaram sabor, aroma, textura e cremosidade.
Participaram do júri Letícia Ferreira (@leticiafbc), chef do Corrutela (@corrutela); Márcio Shihoma (@shihoma), chef do Shihoma (@pastashihoma) e Shihoma Deli (@shihomadeli); Iago Jacomussi (@ijacomussi), chef do Jacó (@jaco__sp); e Mário Santiago (@omariosantiago), chef-proprietário do Lena (@lenaemsp).

Paladar Testou polenta instantânea no Corrutela, com os jurados Letícia Ferreira, chef do Corrutela, Márcio Shihomatsu, chef do Shihoma e Shihoma Deli, Iago Jacomussi, chef do Jacó, e Mário Santiago, chef-proprietário do Lena. Foto: Tiago Queiroz/EStadão
A prova aconteceu no Corrutela, em São Paulo. Cada polenta foi preparada seguindo as instruções da embalagem, com as quantidades de água e produto cuidadosamente medidas antes de ir ao fogo.
Da tradicional à instantânea, o que muda?
Para Iago Jacomussi, a versão instantânea deve chegar o mais perto possível das características de uma polenta feita do zero. “A melhor polenta instantânea é aquela que abriga as mesmas características de uma polenta normal, porém de uma maneira muito mais rápida e prática”, diz.
Mário Santiago conta que, como um bom mineiro, tem uma relação afetiva com o milho e com o angu feito de fubá. Na comparação, chama atenção para a textura, que nas instantâneas tende a ser “um pouquinho mais grosseira” do que em uma polenta preparada do zero.

Paladar Testou polenta instantânea no Corrutela, com os jurados Letícia Ferreira, chef do Corrutela, Márcio Shihomatsu, chef do Shihoma e Shihoma Deli, Iago Jacomussi, chef do Jacó, e Mário Santiago, chef-proprietário do Lena. Foto: Tiago Queiroz/EStadão
“A polenta tradicional tem muito mais sabor do milho”, diz Letícia Ferreira. No Corrutela, onde o fubá é moído no próprio restaurante, a chef prepara a versão feita do zero. Na degustação, porém, reconheceu que algumas das instantâneas testadas apresentaram bons resultados.
O que faz uma boa polenta instantânea?
Uma boa polenta não precisa depender do molho ou do acompanhamento para ter sabor. Na degustação, as amostras foram provadas sem interferências, o que permitiu aos chefs perceber melhor o milho, o aroma e a textura de cada uma.

Paladar Testou polenta instantânea no Corrutela, com os jurados Letícia Ferreira, chef do Corrutela, Márcio Shihomatsu, chef do Shihoma e Shihoma Deli, Iago Jacomussi, chef do Jacó, e Mário Santiago, chef-proprietário do Lena. Foto: Tiago Queiroz/EStadão
Márcio Shihoma costuma seguir essa mesma lógica ao preparar polenta. Ele prefere uma base mais neutra, sem manteiga, leite ou creme, justamente para preservar suas características e deixá-la funcionar como um “condutor de sabores” quando acompanhada de carnes e molhos. Para o chef, a presença do milho é essencial e uma boa polenta deve ter “aroma e sabor marcantes de milho”.
A textura completa essa equação. Shihoma prefere uma polenta levemente granulada, enquanto Letícia Ferreira valoriza cremosidade e untuosidade. Para ela, o ideal é que não haja grãos duros e que a polenta consiga “preencher toda a boca e ficar mais untuosa”.
Foi esse equilíbrio entre sabor de milho, aroma e textura que ajudou a separar as marcas que mais agradaram ao júri.
Conheça o regulamento do Paladar Testou
Antes de cada teste, Paladar faz um levantamento dos produtos disponíveis no mercado e compra as amostras em grandes redes de supermercados e empórios da capital paulista. As marcas não são comunicadas sobre a participação de seus produtos na prova.

Paladar Testou polenta instantânea no Corrutela, com os jurados Letícia Ferreira, chef do Corrutela, Márcio Shihomatsu, chef do Shihoma e Shihoma Deli, Iago Jacomussi, chef do Jacó, e Mário Santiago, chef-proprietário do Lena. Foto: Tiago Queiroz/EStadão
A degustação é realizada às cegas e os jurados só conhecem as marcas selecionadas depois da apuração dos resultados. O Paladar Testou é uma iniciativa 100% editorial.
As avaliações publicadas refletem percepções sensoriais dos jurados durante a prova e não constituem análise laboratorial nem indicam, por si só, a presença de determinado ingrediente na composição.
Leia na íntegra o regulamento do Paladar Testou 2026.
Preços apurados em setembro de 2026.
As melhores marcas de polenta instantânea
1º lugar – Colavita (R$ 21,99; 500 g)

A marca Colavita levou Selo Ouro nesse Paladar Testou Foto: Tiago Queiroz
De cor amarela viva, a polenta apresentou textura granulada e bom sabor de milho, embora esse sabor tenha aparecido de forma mais discreta para parte do júri. O aroma também se mostrou pouco intenso. No conjunto, foi a amostra que mais agradou na degustação e levou o Selo Ouro do Paladar Testou.
2º lugar – Molino Di Borgo S Dalmazzo (R$ 18,50; 500 g)

A marca Molino Di Borgo S Dalmazzo levou Selo Prata nesse Paladar Testou Foto: Tiago Queiroz
A polenta apresentou textura mais uniforme e agradável, boa consistência e aroma bem avaliado por parte do júri. O sabor apareceu de forma mais neutra, mas o equilíbrio do conjunto colocou a marca na segunda posição, com o Selo Prata do Paladar Testou.
3º lugar – Divella (R$ 16,50; 500 g)

A marca Divella levou Selo Bronze nesse Paladar Testou Foto: Tiago Queiroz
O principal destaque foi a textura, percebida como mais uniforme e agradável por parte do júri. Aroma e sabor, por outro lado, apareceram pouco intensos, com algumas notas artificiais. A avaliação garantiu à marca o Selo Bronze do Paladar Testou.
As demais marcas avaliadas pelo júri em ordem alfabética

Marcas de polenta instantânea avaliadas pelo júri em ordem alfabética pelo Paladar Testou Foto: Tiago Queiroz/EStadão
Il Molino Chiavazza (R$ 18,58; 500 g)
Com textura granulada, a polenta apresentou sabor suave e pouco aroma. As notas de milho apareceram de maneira discreta, deixando o conjunto pouco expressivo. A textura dividiu opiniões, considerada agradável por parte do júri e menos acertada por outros.
Moretti (R$ 25,40; 500 g)
De sabor e aroma pouco intensos, a polenta apresentou grãos maiores e consistência mais diluída. A textura dividiu opiniões entre alguma cremosidade e uma sensação mais próxima de goma ou mingau. Também apareceram notas pouco agradáveis, que prejudicaram o conjunto.
Paganini (R$ 31,90; 500 g)
De coloração mais clara e textura granulada, a polenta apresentou pouca cremosidade. Aroma e sabor foram os principais pontos negativos, com notas consideradas artificiais e que remetiam a um produto envelhecido. O sabor de milho também ficou pouco evidente.
