Recuperação extrajudicial da Oncoclínicas passa “raspando”. O desafio maior começa agora

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A Oncoclínicas protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 5,1 bilhões em dívidas, aprovado pelo Conselho de Administração e a ser ratificado em assembleia. A companhia conta com a adesão de 37% dos credores, superando o mínimo necessário, mas ainda abaixo dos 50% exigidos para homologação judicial. A Oncoclínicas tem 90 dias para obter o apoio da maioria dos credores.
O plano de reestruturação pode incluir capitalização, conversão de dívidas em ações e alongamento de prazos. A empresa já rescindiu contratos de locação, incluindo um com multa de R$ 76 milhões. A recuperação é uma resposta a uma crise financeira, agravada pela quebra de um covenant de dívida e a dificuldade em obter waiver devido à pulverização da dívida entre muitos pequenos credores.
As ações da Oncoclínicas caíram 71% este ano, com valor de mercado de R$ 908,1 milhões.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

A Oncoclínicas (ONCO3) informou ao mercado que protocolou, na segunda-feira, 13 de julho, um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras quirografárias.
O pedido de recuperação extrajudicial foi aprovado por unanimidade pelo Conselho de Administração e será submetido à ratificação em assembleia geral extraordinária, conforme fato relevante divulgado na manhã de terça-feira, 14 de julho.
A companhia afirma contar, por ora, com a adesão expressa de credores titulares de aproximadamente 37% dos créditos abrangidos. O percentual supera o mínimo de um terço exigido para o ajuizamento do pedido, mas ainda fica aquém dos mais de 50% necessários para a homologação judicial do plano.
O prazo da Oncoclínicas será de 90 dias a partir do processamento da recuperação extrajudicial para alcançar o apoio dos detentores de mais de 50% da dívida e vincular a totalidade dos credores abrangidos às novas condições de pagamento.
Não foi detalhado como deverá ser o plano de reestruturação. Mas, segundo a companhia, poderá envolver a capitalização da companhia pelos acionistas, a conversão de parte das dívidas em participação acionária, a substituição de parte dos créditos por novas dívidas e o alongamento do cronograma de amortização.
Entre as medidas já adotadas no processo de reestruturação, a companhia informou que duas de suas controladas rescindiram contratos de locação atípica na modalidade built-to-suit — conforme as negociações antecipadas pelo NeoFeed ainda no ano passado.
De acordo com o fato relevante, o Centro Paulista de Oncologia rescindiu contrato com o fundo Tellus Healthcare & Mixed-Use FII referente a um imóvel na Avenida Angélica, em São Paulo, com multa estimada em R$ 76 milhões, já incluída nos créditos abrangidos pela recuperação extrajudicial.
O outro contrato rescindido foi com a Goiânia Medical Center, relativo a um hospital planejado em Goiânia (GO), cuja multa ainda está sendo apurada e permanece incerta, segundo o próprio comunicado da Oncoclínicas.
A recuperação extrajudicial é o desdobramento de uma crise que se aprofundou ao longo dos últimos meses. Em abril, a Oncoclínicas quebrou um covenant de dívida ao reportar alavancagem de 4,3 vezes na relação entre dívida líquida e Ebitda — acima do limite de 3,5 vezes previsto nos contratos — e não conseguiu obter waiver junto aos credores.
Sem a dispensa, a companhia foi à Justiça para suspender as cláusulas de vencimento antecipado e, no próprio balanço de fechamento de 2025, chegou a admitir uma “incerteza relevante” sobre sua continuidade operacional.
Um dos principais obstáculos nesse processo foi a estrutura pulverizada da dívida da companhia.
Como a então CFO Camille Faria já havia antecipado ao NeoFeed em março, parte relevante dos instrumentos financeiros — especialmente CRIs e algumas debêntures — está nas mãos de um grande número de pequenos detentores, o que dificultou a obtenção de quórum mínimo nas assembleias de credores convocadas para deliberar sobre o waiver.
“Tem instrumentos que são bem concentrados e estão na mão de instituições financeiras conhecidas. Nesse caso, é uma conversa mais fácil. Eu converso com meia dúzia de pessoas e explico a situação”, disse Faria na época. No caso dos instrumentos pulverizados, a mobilização nunca foi suficiente.
Com 37% dos credores já aderidos ao plano, o desafio da Oncoclínicas agora é convencer a maioria restante nos próximos 90 dias — e a pulverização da dívida, que já torpedeou a tentativa de waiver, segue sendo um obstáculo nessa corrida.
Na B3, o papel ONCO3 acumula 71% de queda neste ano. O valor de mercado da Oncoclínicas é de R$ 908,1 milhões.

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Fonte: Neofeed

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