NAIRÓBI, 16 Jun (Reuters) – Um representante da Cruz Vermelha afirmou na terça-feira que a epidemia de Ebola no leste da República Democrática do Congo ainda não atingiu seu pico e pode se prolongar por um ano.
Mais de 800 casos da rara cepa Bundibugyo, para a qual não há tratamento comprovado nem vacina, foram registrados no Congo, sendo 192 fatais. A doença, transmitida por fluidos corporais mesmo após a morte, está se espalhando rapidamente por três províncias, segundo dados do governo.
“É muito difícil saber exatamente até que ponto a epidemia está se espalhando… mas sim, o pico, eu acho, não está atrás de nós, mas à nossa frente”, disse Bruno Michon, gerente de operações da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV), a repórteres por videoconferência do leste do Congo.
“Tememos que isso possa durar um ano para erradicar a doença.”
A resposta tem sido dificultada pela falta de centros de tratamento e pela resistência da comunidade a medidas rigorosas de higiene, e autoridades de saúde afirmam que, mais de um mês após a declaração do surto, a verdadeira dimensão ainda é desconhecida.
Michon disse que as equipes da FICV — que auxiliam no envolvimento da comunidade e no enterro seguro e digno das vítimas do Ebola — enfrentaram insultos, ameaças e ataques nos últimos dias.
“Construir confiança leva tempo. Requer honestidade, paciência e humildade, mas neste surto isso não é opcional, é uma questão de salvar vidas”, declarou ele.
(Reportagem de Emma Farge e Vincent Mumo Nzilani)
Fonte: antena1
