Ler Resumo
Para além do esporte, o tênis se consolidou como um dos palcos mais disputados da moda de luxo. Entre arquibancadas lotadas, contratos milionários e milhões de visualizações nas redes sociais, os grandes torneios passaram a ocupar um espaço semelhante ao dos festivais de música e das semanas de moda: são eventos esportivos, mas também espetáculos de imagem.
Em Roland-Garros, que segue movimentando Paris até 7 de junho, a transformação ficou evidente. Se o placar continua decidindo vencedores e derrotados, o estilo ganhou uma disputa paralela, acompanhada com igual entusiasmo por fãs, marcas e fotógrafos.
Nenhuma atleta simboliza melhor esse momento do que Naomi Osaka. A japonesa chegou ao torneio francês determinada a criar uma narrativa de moda ao redor de suas partidas. Para sua estreia, apareceu usando uma saia plissada semitransparente e um corpete adornado por aplicações brilhantes, criação do estilista suíço Kevin Germanier, conhecido por seu trabalho exuberante e sustentável. Debaixo da produção, revelou um vestido esportivo desenvolvido pela Nike em tom de saibro e coberto por lantejoulas que refletiam a luz da quadra.

A proposta era clara: construir uma história visual. A parceria entre Osaka e seu diretor criativo Marty Harper, iniciada em 2020, transformou suas entradas em quadra em momentos de moda. A ideia começou a ganhar força no Australian Open deste ano, quando ela chamou atenção com uma saia plissada inspirada em movimentos marinhos e um visual que ficou conhecido como “jellyfish look”. Em Paris, o conceito evoluiu para aquilo que a própria tenista apelidou de “court-ure”, uma brincadeira entre “court” (quadra) e “couture”.
Vale ressaltar que o relacionamento entre moda e tênis é antigo, mas nunca esteve tão forte. No início do século passado, as atletas ainda competiam com roupas pesadas, mangas longas e silhuetas que limitavam os movimentos. Foi a francesa Suzanne Lenglen quem ajudou a mudar essa história. Considerada a primeira grande estrela internacional do esporte, ela revolucionou as quadras ao trocar os figurinos rígidos por saias mais curtas e leves criadas pelo costureiro Jean Patou. O gesto não apenas mudou a estética do tênis feminino, como abriu caminho para a ideia de que performance e elegância poderiam coexistir.

Nos anos 1970, porém, foi Foi Chris Evert, a “Cinderela do tênis”, porém, que ficou conhecida como a mais elegante das quadras graças a um vestido branco bordado – o mais icônico da história do esporte – que a transformou em um símbolo midiático à altura de qualquer estrela de Hollywood. Agora, essa conexão alcançou um novo patamar. Hoje, os jogadores são tratados como embaixadores de estilo. As grandes casas de luxo disputam contratos com atletas da mesma forma que fazem com atores e cantores.
A número 1 do mundo, Aryna Sabalenka, é um dos exemplos mais emblemáticos. Embaixadora da Gucci desde o início do ano, a bielorrussa já chamou atenção ao chegar a torneios carregando bolsas da marca italiana. Em Roland-Garros, voltou a ser assunto por entrar em quadra usando colares adornados com centenas de quilates entre granadas e diamantes. Enquanto muitas atletas retiram as joias antes das partidas, Sabalenka transformou os acessórios em assinatura pessoal. Para ela, sentir-se bem vestida faz parte da preparação emocional para competir.
A tendência segue. Coco Gauff já colaborou com a Miu Miu em projetos ligados ao universo do tênis. Carlos Alcaraz e Naomi Osaka integram o seleto grupo de atletas associados à Louis Vuitton. Lorenzo Musetti trabalhou com a Bottega Veneta. Zheng Qinwen teve campanhas com a Dior. Jack Draper foi escolhido pela Burberry. Até Jannik Sinner, atual sensação do circuito masculino, ajudou a aproximar Wimbledon do universo fashion ao surgir na Quadra Central carregando uma bolsa personalizada da Gucci.
As marcas esportivas também perceberam o potencial desse novo território. A Lacoste, cuja história está intimamente ligada ao tênis desde sua fundação por René Lacoste, aproveitou Roland-Garros para ampliar a conexão entre esporte, moda e lifestyle. Além dos uniformes de alta performance, investe cada vez mais em peças voltadas ao cotidiano, misturando herança esportiva e elegância urbana.
Expansão fashion
O crescimento da modalidade também ajuda a explicar o interesse das grifes. Tradicionalmente associado a uma elite econômica, o tênis vive uma expansão global. Novos ídolos, redes sociais e uma estética aspiracional transformaram os atletas em influenciadores de comportamento. O público já não acompanha apenas resultados. Analisa uniformes, comenta acessórios, reproduz looks e observa o que seus favoritos vestem ao desembarcar nos aeroportos, participar de entrevistas ou circular fora das quadras.
Nesse cenário, os Grand Slams passaram a funcionar como grandes vitrines culturais. Assim como o Met Gala dita conversas na moda e o Coachella influencia tendências de beleza, Roland-Garros, Wimbledon, US Open e Australian Open se tornaram plataformas para apresentar coleções, consolidar parcerias e criar imagens capazes de circular pelo mundo em poucos minutos. A moda encontrou no tênis uma nova passarela. E, ao que tudo indica, a partida está apenas começando.
Como levar o estilo das tenistas para as ruas
A estética inspirada nas quadras funciona justamente porque mistura elegância e praticidade. Para incorporar a tendência no dia a dia, vale apostar em saias plissadas, vestidos de modelagem esportiva, polos, jaquetas leves e tênis brancos de visual retrô. O segredo é equilibrar referências esportivas com peças urbanas: uma saia de pregas pode ganhar sofisticação com blazer estruturado; a polo clássica funciona perfeitamente com jeans de alfaiataria; e os vestidos inspirados nos uniformes das atletas ficam modernos quando usados com jaquetas oversized e acessórios minimalistas. O resultado é um visual confortável, refinado e contemporâneo, que traduz o chamado tenniscore sem parecer figurino de quadra.

Fonte: veja.abril
