Quando Manoella Buffara ganhou o título de melhor chef mulher da América Latina em 2022, foi como se o seu restaurante Manu também fortalecesse um imã de atração para a gastronomia de Curitiba.
Um feito, pois, como disse Luiz Filipe Souza – que comanda o paulistano Evvai agraciado pelas 3 estrelas Michelin em 2026 – as premiações, validações e reconhecimentos externos quase sempre seguem a rota SP/RJ. “E deveriam sim olhar para mais horizontes, dado o tanto de coisa boa que temos”, disse ele no evento São Paulo Innovation Week, na mesa de Paladar.
Os olhares, de uns tempos para cá, porém, começaram a focar com um pouco mais de intensidade na terra da carne de onça – nome de uma das principais comidas curitibanas de boteco.
E não apenas pelo “efeito Manu”. A rota gastronômica de Curitiba está em alta e cada vez mais fortalecida, tendo a própria Manoella Buffara como uma das entusiastas e que trabalha firmemente para apoiar seus colegas de profissão.

Manu Buffara, chef do restaurante Manu Foto: Helena Peixoto
Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) do Paraná dão conta de que nos últimos cinco anos, mesmo com os impactos da pandemia, o setor teve um crescimento estimado de 18% no número de operações formais em Curitiba, chegando a atuais 12 mil estabelecimentos.
E ainda há outro “empurrãozinho” para além da qualidade do que se serve. Hoje, Curitiba acaba como cidade/passagem para quem deseja sair do Brasil rumo à América Latina, uma vez que os preços das tarifas aéreas são mais em conta do que os trechos que partem de SP, RJ ou Brasília para o exterior, por exemplo.

Ponto turístico de Curitiba Foto: Adobe Stock
“As pessoas têm essa oportunidade de se alocar em nossa cidade, conhecer a nossa gastronomia e daqui partir para o restante da América Latina. Isto realmente é um fator que auxilia bastante na vinda de turistas e fortalece nosso pólo gastronômico”, confirma o presidente da Abrasel/PR, Luis Fernando Menuci.
Fato é que quem chega em Curitiba e encontra Manu Buffara pode ter a chance de ser levada a muitos destinos de comida de primeira. Paladar acompanhou a rota proposta pela chef e conheceu, por exemplo, um dos locais de hospitalidade harmoniosa, cardápio com ostras frescas (R$ 79, meia dúzia), carta de vinhos vasta e a preço justo.
Trata-se do K.sa, comandado por Cláudia Krauspenhar, que é sugestão para o almoço, vale por seus pratos para compartilhar que formam uma mesa farta de petiscos e convidativa para amigos e longa permanência. Dos pratos, o polvo (R$ 199) é bem no ponto macio e suculento. Não deixe de provar o licor de jaboticaba, escutando da própria chef a história da bebida que finaliza a experiência.
No encalço das sugestões de Manu, chega-se ao Asu, comandado pelo paulista Danilo Takigawa que escolheu Curitiba como seu local de destino e lidera o restaurante há cinco anos. O menu degustação em oito tempos (R$ 450), se propõe a transformar ingredientes simples – como o milho doce – em uma sequência de sabores, que surpreende pela evolução de picância e dulçor, até chegar ao ápice das sobremesas, tudo na medida.
Prato do restaurante Asu – Curitiba Foto: Asu/divulgação
Outro espaço apresentado por Buffara foi o Restaurante Igor, também um bom destino para jantar para quem se propõe experenciar menu-degustação. O chef Igor Marquesini organizou sua proposta em oito (R$ 350) ou 13 tempos (R$ 440), onde declara sua cozinha dividida pela tradição e inovação, em um mix de muitas texturas e ingredientes, com destaque para os pães que chegam na metade da experiência e os bombons que finalizam o rito.
A rota de Curitiba também não pode deixar de fora o próprio Manu, a casa da Manoella Buffara, inaugurado em 2011, que serve 20 pessoas sempre no jantar. Nesses 15 anos de resistência, Manoella – que já foi apontada como grande nome da gastronomia brasileira por Alex Atala – construiu sua própria marca gastronômica, ao privilegiar os vegetais (60% das escolhas), o mel de abelhas nativas como identidade, além de um operação que envolve mais de 24 pequenos fornecedores de Curitiba.
O atual menu (810,00 e 515,00 a harmonização) é considerado o mais autoral e intimista da trajetória, “aquele que volta para dentro”. Não raro, na vinda dos pratos, receitas de mãe/avó e sogra são apresentadas pela própria chef.

Scallop com mel do restaurante Manu Buffara Foto: @kato78
Para fechar a noite, é bem capaz de encontrar todos os chefs citados até aqui degustando os drinques no descolado Testarossa, que já adianta em seu serviço que o funcionamento é “até tarde”, sem se comprometer com o relógio.
Tem uma carta variada, como o saboroso caprese martini (R$ 51), ofertas de mocktails marcantes (o Fragolla Tucupi é bem refrescante a R$ 36) e um imperdível petisco de lasanha (R$ 48) ou de queijo ou berinjela.
Os 15 nomes do Roteiro em Curitiba
A oferta curitibana gastronômica é vasta e tem outros nomes, de acordo com os interesses preferências. E para finalizar o roteiro, Paladar pediu à própria Manu Buffara suas indicações que vão de um belo PF à pizza de vinhos, cerveja, japonês, hambúrguer e os clássicos curitibanos.
Veja as 15 indicações
PF do ManeKo’s – https://www.instagram.com/manekosbar/
“É aquele lugar que traduz o almoço brasileiro de verdade. Simples, direto, mas com alma. Representa muito a cidade no cotidiano”, diz Manu
Café do Lucca Cafés Especiais – https://www.instagram.com/luccacafesespeciais/
“Um dos lugares que ajudou a construir a cultura de café especial em Curitiba. Consistência, técnica e um público que realmente valoriza o produto”.
- Boteco / informal com identidade
Sambiquira – https://www.instagram.com/sambiquiracuritiba/
“Tem uma leitura de boteco mais contemporânea, mas sem perder a raiz. É descomplicado, mas bem pensado”
Mada Pizza & Vinho – https://www.instagram.com/madapizzavinho/
“Um lugar que entende bem esse formato mais casual, mas com curadoria — boa massa, bons insumos, e uma atmosfera que funciona”
Testarossa – https://www.instagram.com/otestarossa/
“Um bar com personalidade, interessante pra quem quer algo mais urbano, com energia”.
Arco-Íris – https://www.instagram.com/churrascariaarcoiris/
“Clássico absoluto. Tradicional, direto, sem firula — mas muito consistente”
Bodebrown – https://www.instagram.com/bodebrown/ e Bastards Brewery – https://www.instagram.com/bastardsbrewery/
“Duas referências fortes na cena cervejeira local, com propostas diferentes, mas ambas importantes pra entender o movimento da cidade.”
Fuji – https://www.instagram.com/fujii.cozinhajaponesa/
“Muito mais pela verdade do lugar do que pela estética. Produto fresco, ambiente simples, e uma experiência muito honesta”
Igor – https://www.instagram.com/restauranteigor/
“Um trabalho sensível, autoral, com identidade. Vale entrar no roteiro como olhar mais contemporâneo da cidade”
ASU – https://www.instagram.com/asurestaurante/
“Interessante pela mistura de referências e pela leitura mais atual da gastronomia”

Danilo Takigawa – chef do Asu – Curitiba Foto: Asu/divulgação
Zefy Diner – https://www.instagram.com/zefydiner/
“Tem esse universo mais pop, confortável, que funciona bem”
TT Burger – https://www.instagram.com/ttburger.curitiba/
“Já mais consolidado, mas ainda entrega um burger bem executado dentro dessa proposta”.
Suryaa Hotel – https://www.instagram.com/suryaacuriocollection/
“Acho interessante entrar não só como hospedagem, mas como experiência — tem um cuidado com bem-estar e proposta mais completa”
K.sa Restaurante – https://www.instagram.com/k.sarestaurante/
“Um lugar leve, que funciona bem no dia a dia, com boa execução”
