Evvai e Tuju conquistam 3 estrelas Michelin, título inédito na gastronomia da América Latina
Em entrevista ao Paladar, o chef Luiz Filipe Souza fala sobre a data histórica e pede: “Olhem para dentro do Brasil”. Crédito: Beatriz Tavares
A Estrela Verde Michelin vai acabar. O prêmio que consagra restaurantes compromissados com o meio ambiente e que praticam ações sustentáveis será descontinuado pelo Guia este ano. Desse modo, mais de 500 chefs reconhecidos mundo afora a perderão, mas ela “continua válida até a implementação do Mindful Voices em cada região”.
O Mindful Voices é a razão por trás desse acontecimento. É uma nova plataforma criada pela organização voltada não apenas a chefs, mas também hoteleiros e profissionais do vinho, e tomará esse lugar. A ideia é ampliar o olhar para “preocupados em contribuir para o desenvolvimento responsável dos seus setores”.
O lançamento da plataforma está previsto para 1° de junho de 2026, na cerimônia do Guia Michelin Nórdico, em Copenhague, na Dinamarca. A implementação será feita por toda a Europa e globalmente ao longo de 2026, premiando pessoas e não lugares.
Em nota divulgada no dia 18 de maio de 2026, o Guia Michelin, diz que “a plataforma Mindful Voices é uma iniciativa editorial inédita, criada para destacar personalidades que, por meio de seus compromissos e ações, propõem novas formas de enxergar a gastronomia, a hotelaria e o vinho. Essa nova abordagem apoia a expansão do Guia MICHELIN e reflete sua presença em mais de 60 destinos; dá visibilidade global às pessoas, não apenas aos estabelecimentos.”
“A divulgação ocorrerá por meio das plataformas digitais do Guia MICHELIN (site, app, redes sociais), conteúdo impresso, Revista do Guia MICHELIN e eventos exclusivos”, completam.
“Mindful Voices dará uma plataforma a todos aqueles que estão reescrevendo as regras em seus respectivos campos. Esse novo formato nasce diretamente do que nossas equipes de inspeção vivenciam no dia a dia: encontros e experiências que estão transformando a maneira de fazer as coisas e que merecem ser compartilhados. Fiel à sua identidade e valores, o Guia Michelin irá amplificar e dar ressonância a essas vozes dos mundos da gastronomia, hospitalidade e vinhos, para que sejam ouvidas em qualquer lugar do mundo”, diz Gwendal Poullennec, Diretor Internacional do Guia Michelin.
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A Estrela Verde no Brasil

A Casa do Porco é um dos três restaurantes brasileiros consagrados com a estrela verde Michelin Foto: Leo Martins/Divulgação
No Brasil, três países carregam o selo. O três estrelas Michelin, Tuju, tem a verde como sua quarta estrela há dois anos. A primeira vez que um restaurante brasileiro ganhou a distinção foi, na verdade, um pódio triplo, em 2024. Além do Tuju, o Corrutela e A Casa do Porco também tem essa conquista no currículo e, inclusive, a distinção veio para os três ao mesmo tempo.
Renato Mello, chef do Corrutela, acredita que o anúncio do fim da Estrela Verde é, na verdade, uma evolução. “Me parece que o que vai acontecer é uma evolução e não uma descontinuação de fato. Acho que é uma mudança positiva. Vai abranger outros setores da gastronomia, como vinhos e hotelaria, outros setores do de alimentos e bebidas.”
Ele completa dizendo que, “independente de Estrela Verde ou de qualquer selo, o Corrutela, segue com com o seu compromisso, com as práticas sustentáveis e com uma gastronomia mais consciente. Então, a não ser que os parâmetros do Guia tenham mudado, acredito que faz sentido o restaurante seguir na rota”.
