Tornar português língua oficial da ONU é questão de reconhecimento, diz Portugal

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Uma língua global. Falada em um universo de mais de 300 milhões de pessoas. Presente em quatro continentes. De norte a sul e de leste a oeste. Usada por milhões de migrantes e descendentes que vivem fora de seus países de origem principalmente nos Estados Unidos, na França e na África do Sul. Essas são apenas algumas características do português, um dos idiomas mais usados em todo o globo.

Neste 5 de maio, a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, marca o Dia Mundial da Língua Portuguesa. 

Apoio do Brasil

Às vésperas das celebrações, a presidente do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua-IP, Florbela Paraíba, disse à ONU News que Portugal e outras nações lusófonas buscam fazer do português uma língua oficial da ONU.

“O português é uma língua global e deve ter esse reconhecimento em termos também das organizações internacionais e das Nações Unidas. Já é língua de trabalho e língua oficial em mais de 30 organizações internacionais em todos os continentes. O português também tem essa capilaridade continental é multicontinental é multicultural.”

Segundo a embaixadora Florbela Paraíba, Portugal e outros países já iniciaram gestões junto à ONU e outras organizações regionais e internacionais. Atualmente, as línguas oficiais da ONU são: árabe, chinês, espanhol, francês, inglês e russo.

© Pnud Angola/Cynthia R Matonho
Luanda, Angola. Até o fim do século a maior parte dos falantes de língua portuguesa estará na África

África terá maioria dos falantes até 2100

Considerada a quinta ou sexta língua mais falada do mundo e a terceira mais usada em plataformas digitais, o português deve crescer também em números de locutores. 

Dados do Departamento Econômico e Social das Nações Unidas indicam que até o fim deste século, o número de falantes do português no mundo deve saltar para 500 milhões pessoas, como contou a presidente do Instituto Camões, Florbela Paraíba.

“Sabemos que aqui, nas Nações Unidas, as estimativas de crescimento demográfico têm que, até o final do século, remete para a possibilidade de uma duplicação deste número, então seremos provavelmente 500 milhões em todo o mundo. E isto, de facto, é um ativo diplomático, político, econômico, cultural, artístico extraordinário e merece esse reconhecimento internacional.”

De acordo com a embaixadora Florbela Paraíba, o Instituto Camões, de Portugal, o homólogo brasileiro, o Instituto Guimarães Rosa, e o Instituto Internacional de Língua Portuguesa, Iilp, com sede em Cabo Verde, atuam em cooperação inclusive de partilha de espaços em feiras internacionais e instalações de ensino.

Este ano, o Camões deve abrir duas novas cátedras de ensino em universidades dos estados norte-americanos da Califórnia e da Carolina do Norte.  Ao todo, a entidade apoia 63 cátedras e tem 57 leitorados espalhados pelo globo.

O Instituto afirma que somente na Venezuela, o interesse para aprender o português cresceu 30%. Na China, mais de 50 instituições acadêmicas ensinam a língua, atualmente. 

Em Macau, uma região administrativa especial da China, o português tem o estatuto de língua oficial até 2049. 

*Monica Grayley é editora-chefe da ONU News Português

Fonte: veja.abril

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